Passei uma tarde a editar a entrevista que fiz em NY ao Jorge Colombo, ilustrador e fotógrafo que também filma e escreve e faz design gráfico, e foi um prazer voltar a ouvi-lo. Tirei-lhe esta fotografia na rua, mesmo em frente da Central Station, onde estavam estacionados dois american trucks carregados de luzes, focos e material de cinema e fotografia, prontos a improvisar um estúdio e a iluminar tudo como se fosse dia. Performativo e divertido, o Jorge fez a sua pose. Dentro da Central Station descobrimos a fotógrafa Annie Leibovitz (já fiz um post com ela e o batalhão de gente que estava no set) e demorámos por ali a vê-la trabalhar. As ruas de NY são quase sempre um acontecimento. No Soho, na manhã seguinte, também tirei fotografias a pessoas que passavam na rua. Esta miúda parece saída de uma campanha publicitária mas não, estava só a tentar apanhar um táxi.
Gosto particularmente de arte pública, de ver exposições nas ruas, de contemplar esculturas e instalações nos passeios, de ver fotografias de autor nos transportes públicos. Travis Ruse, fotógrafo norte-americano com um talento especial para captar a luz e as sombras no Metro, tem uma exposição de fotografias belíssimas nos corredores do próprio Metro, em NY.
Durante meses a fio Travis Ruse fez o caminho de Brooklyn para Manhattan de Metro e entreteve-se a observar as pessoas e a fotografá-las. O resultado de parte deste demorado exercício de contemplação está à vista nos outdoors das plataformas do Metro nova-iorquino, mas também pode ser visto no facebook e no blog e site do fotógrafo. Vale a pena ver o seu trabalho e conhecer a perspectiva da sua arte.
Sara Serpa e André Matos, ela canta e ele toca guitarra. São um casal de músicos portugueses de jazz que vivem e tocam em NY. Criaram um espaço próprio numa cidade extraordinariamente competitiva e é um prazer saber que têm cada vez mais público e reconhecimento.
Começámos por os ouvir tocar e cantar no Local 269, um espaço muito jazzy e muito cinematográfico. Havia pouca luz, como é natural, e desta vez as polaroids ficaram muito escuras mas acho graça ao contraste por se tratar de um concerto num bar.
No dia em que fomos ouvir o concerto da Sara e do André estávamos em filmagens com o Jorge Colombo, que também nos acompanhou. Igual a si próprio, o Jorge manteve-se no bar a desenhar no seu iPhone. Enquanto a Sara cantou e o André tocou, o Jorge Colombo ilustrou. Lindo!
Estas imagens foram tiradas ao entardecer, imediatamente antes de cair a noite sobre NY, a cidade que não dorme. O terraço onde vimos o anoitecer e a lua subir devagarinho para o alto do céu era um arraso. Graças à Catarina Perestrelo tivemos o melhor fim de dia possível em NY. Aqui fica mais uma imagem parecida com uma das anteriores, mas desta vez com a lua quase cheia.
Em NY ha sempre a possibilidade de multiplicar os encontros com pessoas banais e especiais nas ruas e avenidas, e isso faz desta cidade um lugar fascinante. Ontem estivemos na Central Station com a celebre fotografa Annie Leibovitz e claro que esta proximidade de uma mullher como ela nos tocou e nos fez parar. Aqui fica uma sucessao de fotos tiradas ah equipa com que Annie Leibovitz estava a trabalhar. Tudo muito profissional e tudo muito impressionante, aqui entre nos.
Ia a conversa pelas ruas do Soho com o Andre Cruz, o realizador desta serie de programas sobre os portugueses no mundo, quando ele reparou nesta parede amarela. Diss que era um fundo espectacular para fazer fotos e fez uma pose. Improvisamos um street studio na rua e fizemos retratos um do outro.
Uma americana simpatica que passou com o marido no momento em que faziamos as fotos, achou o nosso estudio improvisado muito giro e disse que nos queria tirar uma fotografia aos dois. Aqui fica o registo, por graca.
O Paulo Segadaes nao estava connosco nesse momento mas queremos voltar ao "estudio" para uma fotografia juntos. Agora vou-me embora e como temos dias muito, muito preenchidos, nao sei quando volto ao blog. Ate breve!
Eis a Joana Vicente, uma das entrevistadas em NY. Eh produtora de cinema, trabalha com actores e realizadores que sao verdadeiras lendas da setima arte, e agora eh responsavel por uma organizacao muito influente no mundo do cinema independente e de autor. Adorei conhece-la e estar em sua casa, com toda a calma a conversar sobre a sua vida e sobre o sentido que da a tudo aquilo que vai acontecendo ao longo dos anos. Hoje vamos completar a entrevista com a Joana. Ontem estivemos com a Catarina Perestrelo PInto, personnal concierge em NY.
A Catarina tem uma personalidade marcante e contagiante e a sua paixao por esta cidade nota-se em todos os detalhes. Escolheu um restaurante para almocarmos no Soho, o Felix, e foi aqui que nos encontramos com ela.
Passamos a tarde juntos e gravamos a entrevista em dois lugares fabulosos. Num deles nao era permitido filmar por ser um hotel ultra selecto (e quase secreto) onde a Madonna e outros artistas ficam quando estao em NY. A nossa sorte foi a Catarina ter la trabalhado durante quase dois anos e ter-nos levado a um deck no alto do hotel, onde discretamente gravamos uma pequena parte da conversa. Muito bom. O almoco no Felix tambem foi optimo e muito animado.
O Soho eh um dos bairros que nunca passam de moda e adoro o movimento nas ruas, de dia e de noite. Ver as pessoas que passam eh fascinante e podia ficar horas neste exercicio de observacao...
Entretanto percebi que Portugal esta na moda em NY. OU melhor, o design portugues. Ha uma grande exposicao anunciada em quase todos os outdoors e paragens de autocarro da cidade.
Acordámos às 6h da manhã para filmar a Domitília Santos a correr na Brooklyn Bridge e valeu a pena ter ido ali àquela hora da manhã. Estava tudo uma beleza.
A zona de Wall Street e do South Sea Port ainda sem a luz do sol ficam muito cinematográficas e as cores lembram os filmes de outras épocas. tudo nesta cidade é muito gráfico e embora seja um dos lugares mais filmados e fotografados no mundo, há sempre um olhar de novidade. É impressionante.
Maratonista convicta e viciada, como ela própria assume, Domitília faz o seu aquecimento matinal mas desta vez para as câmaras de filmar do André e do Paulo. É gira a disponibilidade com que todos os entrevistados revelam outras paixões e motivações para além do trabalho.
Àquela hora da manhã ainda havia poucos desportistas no tabuleiro da ponte mas quando terminámos as gravações já havia sol e muita, muita gente a correr e a andar de bicicleta. A vista, à direita e à esquerda da ponte, é linda. Os depósitos de água sobre os telhados de NY fazem-me sempre lembrar as ilustrações do Jorge Colombo. Vou entrevistá-lo cá na segunda-feira, mal posso esperar!
A conversa com a Domitília Santos podia estender-se por muito, muito tempo pois ela tem uma maneira de falar e de ser que prende e fascina. Generosa e atenta a todos os detalhes, tem sido uma excelente cicerone nesta cidade. Ainda nos vamos voltar a encontrar pois ela faz voluntariado e amanhã, domingo, vamos filmar com ela perto do centro paroquial onde está ao serviço dos outros semana após semana, há anos sem fim.
Nos intervalos das gravações e filmagens é impossível resistir à oferta cultural desta cidade. O MoMA é um museu incontornável e, por isso, comecei por aqui.
Cheio, como sempre, o MoMA tem duas exposições espectaculares neste momento. Uma mais clássica, de fotografia retrospectiva de Henri Cartier-Bresson (maravilhosa colecção, aliás) e outra mais performativa e 'à frente', da jugoslava Marina Abramovic (o nome dela pronuncia-se 'Abramovitch' e o 'c' deveria ter um acento mas eu não consigo escrevê-lo aqui, sorry), que é, ela própria, a obra de arte.
Marina Abramovic foi pioneira numa geração de artistas plásticos que usam o seu próprio corpo nas performances e instalações que fazem. Desta vez a 'exposição' chama-se The Artist is Present e pretende ser uma experiência de profundo envolvimento, interacção e provocação relativamente ao público.
A ideia de Marina Abramovic é permanecer sentada como se fosse uma escultura e ser admirada enquanto tal. Não apenas no sentido narcísico mas, acima de tudo, no sentido mais vivo que pode ter a palavra escultura. O desafio que a artista faz aos visitantes do Museu de Arte Moderna é que se sentem na sua frente e a olhem em silêncio, enquanto ela permanece sentada de olhar fixo e sem dizer uma palavra. Não é um exercício fácil para nenhuma das partes.
Alguns dos presentes acharam a performance 'a crazy thing'. Talvez seja ou talvez não. Aquilo que eu vi foi uma grande seriedade e profissionalismo na maneira como Marina Abramovic se expôs e manteve uma pose física e um olhar dificílimos de manter naquelas circunstâncias. Não faço a menor ideia de quanto tempo vai aguentar esta exposição mas para mim, que estou de passagem por NY, foi um prazer 'conhecer' pessoalmente esta artista e ver a maneira como nos desafia a pensar e a olhar para a arte contemporânea.
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