Este post não tem nada a ver com o filme de Elia Kazan nem com a peça de Tennessee Williams. A Streetcar Named Desire, o filme de Kazan inspirado na peça de Williams, era outra história, mas apetece-me usar o título de um dos filmes lendários dos anos 50 para falar de outro tipo de eléctricos e outro tipo de desejos. Ando diariamente de eléctrico e adoro este meio de transporte, mas (há sempre um 'mas') custa imenso perceber que os ladrões de carteiras continuam activos apesar de todas as operações da polícia que, na semana passada, prendeu quase 20 destes pickpockets.
A maneira ardilosa como actuam e se fazem passar por simples passageiros é incrivelmente eficaz, e para quem entra num eléctrico mais ou menos desprevenido, de carteira ao ombro, sem prestar muita atenção aos avisos colados nos vidros que alertam para os perigos que corremos dentro dos transportes públicos, uma pequena viagem pode terminar num grande drama. Assisti esta semana ao ataque de choro de uma japonesa que saiu no Chiado depois de reparar que tinha ficado sem carteira, dinheiro e documentos. Olhei à volta e ainda vi o vulto de um homem de camisa escura a dobrar a esquina e a misturar-se com a multidão de pessoas que sobem e descem a Rua Garrett. Eu estava dentro do eléctrico e não pude fazer nada porque já estava em andamento. Vi a japonesa ficar para trás, desesperada, no passeio, e senti uma enorme impotência e frustração. Ao meu lado uma rapariga com ar de estudante de liceu disse-me: "coitada, é turista! Eu cá já os conheço todos, uns andam vestidos de fato e gravata, outros de turista e outros com roupas normais, mas eu sei quem são e nunca fui roubada".
Saí do eléctrico quase no fim da linha, desconsolada com a cena e com esta certeza de não ser o primeiro nem o último roubo nos eléctricos de Lisboa. A imagem da japonesa perturbou-me tanto como a passividade com que a esmagadora maioria dos passageiros olha para estas cenas. Como se fosse tudo normal. E o pior é que, de certa forma, até é. Que chato existir esta casta de ladrões cheios de expediente e disfarces a 'trabalhar' dia e noite dentro dos eléctricos e autocarros. Deixam-nos a todos intranquilos e transformam as viagens pela cidade numa espécie de suspense permanente. Todas as pessoas que entram e saem são suspeitas e passamos a maior parte do tempo a tentar descobrir se o senhor com bom aspecto que se sentou ao nosso lado vai tentar ficar com a nossa carteira e telemóvel...
Os beijos de Casillas à sua namorada jornalista correm mundo e o de hoje já é líder de audiências e pode ser visto no YouTube neste link: http://info.abril.com.br/noticias/internet/beijo-de-casillas-lidera-youtube-12072010-10.shl Adorei o impulso de Casillas pelo amor e pela devoção que revelou. Muito querido. Muito queridos, ele e ela, aliás. Ainda sob efeito do beijo em directo assisti (assistimos todos) ao inenarrável assédio dos paparazzi a Cristiano Ronaldo na sua casa de férias. Repugna-me esta forma de 'jornalismo' (com aspas, note-se) e estou mil por cento de acordo com o jogador quando diz que basta de notícias sobre o filho porque tudo o que ele tinha a dizer sobre o assunto, está dito. Estes paparazzi parecem moscas de pastelaria à volta da casa onde Ronaldo e a sua família tentam viver este tempo com alguma normalidade. Sou absolutamente contra a devassa da vida privada e por isso não consigo ficar indiferente a estes avanços deste tipo de 'repórteres'. Percebo o tom agastado de Ronaldo, quando diz que é impossível viver com um batalhão de fotógrafos sempre colados à porta e a espreitar entre muros.
Vejo imagens desertas e inéditas em alguns dos maiores aeroportos europeus; assisto ao caos nos halls de partidas e chegadas; ouço as histórias de pessoas mais ou menos resignadas ao facto de terem que dormir em camaratas improvisadas nas salas de espera; sou solidária com o drama de famílias inteiras que não conseguem regressar a casa; percebo a impaciência dos que não sabem como resolver o que não tem solução; ouço o Presidente da República fazer graça com o facto de ter ficado retido em Praga e o Primeiro Ministro contar que foi à Portela receber a chanceler alemã que não pode regressar a Berlim, e dou comigo ainda mais grata por ter partido de Berlim e chegado a Lisboa antes de tudo isto acontecer. Foi uma grande, grande sorte. Perante toda esta turbulência provocada pela impressionante nuvem de cinza que avança pelos céus do norte da Europa, fico na dúvida quanto à possibilidade de conseguir estar em Barcelona na próxima 2ª feira. O que tiver que ser, será.
Vemos nas notícias a greve de fome da Ana Rita Leonardo, mãe adolescente que quer recuperar o seu filho Martim, ouvimos aquilo que diz e tentamos perceber as suas razões, bem como as fonteiras dos argumentos de quem pondera agora voltar a entregar-lhe a criança que lhe foi retirada e já tem dois anos. É difícil assistir a tudo isto. Aflige sempre ver pais, mães e filhos em sofrimento e é extraordinariamente delicado compreender as circunstâncias adversas que envolvem este tipo de situações. Nestas alturas ponho-me sempre no papel de uns e outros para os tentar entender. Nem sempre consigo, claro, mas é um exercício que impede moralismos e outros excessos. Não sei se a greve de fome desta mãe é a melhor estratégia para recuperar o seu filho mas sei que alguma coisa tem que ser decidida de forma rápida, consistente e consequente. Espero sinceramente que as coisas se resolvam pelo melhor e que esta criança (ou melhor, estas crianças que são a mãe e o filho!) cresçam mais fortes e fiquem mais seguras a partir daqui. Com ajudas certas e, de preferência, longe dos focos mediáticos.
Começou o countdown para a recta final da campanha MEP
Europa. Daqui a três dias eu e toda a equipa partimos num
autocarro de última geração para fazer 3.500Kms de estrada.
Durante duas semanas vamos percorrer o país de norte a sul.
Depois de quatro meses no terreno, apetece voltar à estrada e
passar em todos os lugares onde já estivemos. Este tempo de
campanha tem sido um tempo de privilégio e de proximidade, e
sei que é uma experiência irrepetível para todos nós. Em equipa
tudo isto é muito mais vibrante e gratificante. O contacto com as
pessoas e as instituições é extraordinariamente enriquecedor e
poder estar on the road durante 2 semanas com este dream team
é único. Aconteça o que acontecer no dia 7, já ganhámos! Falo da
confiança uns nos outros e da confiança dos que confiam em nós.
Acompanhei de barco a imagem de Nª Senhora até ao Cristo
Rei. Nunca tinha visto uma peregrinação fluvial e nunca tinha
pensado no assunto até ao dia em que o Francisco Noronha
de Andrade me falou desta celebração. Ele está de parabéns
pela iniciativa e capacidade de mobilização. Quem esteve lá
e entrou no espírito sabe que foram momentos irrepetíveis...
Fim da tarde, no Chiado. No jardim de inverno do Teatro São
Luiz está tudo a postos para o grande acontecimento do dia.
Chego com a minha mãe em cima das seis da tarde para
ela se sentar com calma. Ainda anda de muletas e isso é
motivo mais que suficiente para evitar as multidões.Pouco
depois os anfitriões sentam-se à mesa e as pessoas idem.
Rui Marques, o autor do livro Esperança em Movimento, ao
centro, Vasco Teixeira da Porto Editora à sua direita e Nuno
Morais Sarmento à sua esquerda. Não houve palavras de
circunstância nem discursos solenes, apenas as vozes de
quem fala com verdade, por conhecer o autor e a sua obra.
Não falo da obra literária, mas da obra no terreno e no apoio
aos mais frágeis e vulneráveis. O trabalho que Rui Marques
faz ao longo dos anos, as lutas que travou e as causas que
defendeu estão contidas no livro Esperança em Movimento,
que acaba de lançar. Mais uma obra que fala por ele, afinal,
e vem numa lógica de coerência e consequência. Aquilo que
Rui Marques está agora a fazer na política, com o MEP é dar
continuidade à sua expressão de cidadania na amplificação
das vozes dos que não têm voz e dos que, tendo-a, precisam
que alguém a amplie. Rui Marques é um homem de causas.
A sala do jardim de inverno do São Luiz encheu-se de gente.
Atento, o público ouviu Nuno Morais Sarmento sublinhar que
o que o fez escrever o prefácio deste livro e subir a um palco
para o apresentar publicamente, é conhecer bem o Rui e ver
nele um testemunho positivo e uma vontade permanente de
mostrar ao mundo que há uma realidade que se torna urgente
desocultar. " O Rui Marques conhece muitos testemunhos de
esperança e tinha a obrigação moral de os revelar e nos dar
a conhecer esta realidade dos que acreditam e transformam o
mundo num lugar melhor ", foram mais ou menos as palavras
do ex-ministro Nuno Morais Sarmento, que insistiu em falar da
"demonstração tranquila que este livro faz da força da entrega
aos outros". Dito por quem conhece e politicamente nem sequer
é suspeito de estar a fazer o elogio do líder, tem muito mais força.
No fim, a tradicional fila para os autógrafos. Na imagem só se
vêm mulheres mas a fila era de homens e mulheres de todas
as idades que permaneceram ali de pé até o dia se fazer noite.
Rui Marques saiu depois de uma hora e meia de autógrafos
dados quase sem respirar. Foi muito bom estar ali na dupla
condição de amiga e de cidadã que o acompanha e se sente
acompanhada por ele, nestes caminhos de novos políticos...
Lembram-se de ter falado aqui sobre o pianista Pedro Ferro? Volto à sua
música e ao seu talento porque este jovem pianista vai dar dois concertos
este mês que não se podem perder, apesar de serem ambos no Algarve.
Nos dias 11 e 14 de Março Pedro Ferro vai tocar no Centro Cultural de São
Lourenço, um centro que merece destaque pela qualidade da programação
Deixo aqui um dos vídeos de Pedro Ferro que podemos ver no YouTube. Há
outros, mais formais, que o mostram a tocar com a orquestra mas eu adoro
este, em que Sofia Vinogradova o acompanha a fazer as vezes da orquestra.
Aqui fica também o C.V. do Pedro Ferro, para quem ainda não o conhece:
Com antecedentes musicais marcantes, Pedro Ferro iniciou os seus estudos musicais aos quatro anos com o seu pai. Prosseguiu os seus estudos no Conservatório Nacional de Lisboa, e concluiu em 2000 o Curso Complementar de Piano com a classificação máxima. Nesse mesmo ano foi aceite em primeiro lugar na Escola Superior de Música de Lisboa, onde concluiu a Licenciatura em Música /Piano na classe da professora Tânia Achot e Música de Câmara com a professora Olga Prats. Actualmente frequenta o Mestrado em Interpretação com o pianista e professor António Rosado. Realizou cursos e master-classes com Helena Sá e Costa, Paul Badura-Skoda, Pedro Burmester, Sequeira Costa, Vladimir Viardo, Francisco Sassetti e Maria João Pires. Obteve varios premios em diversos concursos nacionais e em 1999, foi bolseiro da Yamaha Musical Foundation of Europe. Apresentou-se em diversas salas do país a solo ou com orquestra. Tocou recentemente em varios concertos transmitidos pela Antena 2. Pedro Ferro leccionou piano nos Conservatórios de Tomar e Setúbal e, desde 2005, na Academia de Música da Orquestra Nacional do Tejo. Em Janeiro 2009 foi convidado a tocar no Colóquio Internacional Vieira da Silva.
Esta imagem tem 3 meses certos. Publiquei-a aqui no dia 1
de Novembro e volto a publicá-la hoje por motivos fortes mas
muito tristes. O Bruno morreu esta tarde e é duro aceitar esta
perda. Deixo aqui a imagem das suas mãos por elas serem,
para mim, uma das memórias mais marcantes do Bruno por
estarem sempre muito quentinhas. Esta semana estivemos
de mãos dadas em silêncio e a imagem de umas mãos tão
fortes e tão queridas como as dele ficam-me para sempre...
O Bruno fez 32 anos em Janeiro e era demasiado novo para
partir. Era um homem corajoso e foi um testemunho de vida
incrível para todos os que estivemos perto dele, em especial
nesta fase da doença. São muito raros os que atravessam o
sofrimento sempre com sentido e se recusam a desistir ou a
baixar os braços. O Bruno lutou até ao fim e a mãe e o irmão,
a tia, o tio, o primo e todos os que o amam e acompanharam
até hoje tiveram uma força extraordinária. Agora não há mais
palavras para exprimir a dor pela sua perda, a não ser falar
do Bruno como alguém que permanecerá para sempre vivo
no coração e na memória dos que tiveram a sorte de se cruzar
com ele. É o meu caso. Neste dia tão cheio de acontecimentos,
de conquistas e de vidas cheias, em que acordei com a notícia
do nascimento do quarto filho de grandes amigos e adormeço
com a notícia da morte do Bruno, deixo um abraço à sua mãe.
Um abraço demorado, terno e eterno, que não se desfaça nunca!
Cena de rua filmada em pleno Chiado. Aliás duplamente filmada:
pelo cameraman do programa Contra-Informação e por mim. A
cena era para um episódio em que o boneco de Paulo Portas é
manipulado (no sentido literal, note-se) pelo homem de xadrez.
A cena teve o seu 'quê' de cómico. As pessoas à volta pasmam
com os bonecos e a maneira como são manobrados. Param e
ficam por ali a ver. Eu fiz o mesmo. Tem graça ver os bastidores.
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