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  <title>Laurinda Alves</title>
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  <description>Laurinda Alves - SAPO Blogs</description>
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    <title>Laurinda Alves</title>
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  <pubDate>Mon, 10 Jan 2011 08:32:41 GMT</pubDate>
  <title>SOS escadas rolantes</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/g2OpTT3esaz5vIzOrjW1&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 8px solid #000000;&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/b5b069c17/7854051_ZFwZr.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;475&quot; height=&quot;356&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As escadas rolantes da estação de Metro da Baixa-Chiado vão de mal em pior. Primeiro parou o lance de cima e puseram lá um cartaz com um pedido de desculpas que está lá há semanas. Como é o primeiro lance para quem desce, a coisa não é dramática. O pior é que ontem e hoje havia vários lances completamente parados e as pessoas eram obrigadas a subir a pé quase todas as escadarias íngremes que as levam para a superfície. Eu sou daquelas que sobem e descem sempre as escadas pelo seu próprio pé, mesmo que sejam rolantes (ou seja, não fico parada a deixar-me transportar mecânicamente) e por isso nem sequer me fazem grande falta, mas tenho assistido a cenas dificeis com pessoas mais velhas ou com dificuldades de locomoção. E mais, pelo Chiado passa muita gente com malas pesadas às costas e também custa vê-los carregados e ofegantes por ali acima. Será que o arranjo destas engrenagens ainda demora muito?&lt;/p&gt;</description>
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  <category>as vidas dos outros</category>
  <category>metro de lisboa</category>
  <category>protestos</category>
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  <pubDate>Fri, 19 Dec 2008 18:15:53 GMT</pubDate>
  <title>Os pedófilos &apos;amigos&apos; das crianças</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;404&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;300&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://plab.blogs.com/photos/uncategorized/2007/10/02/06.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(Imagem de uma campanha recente feita no Brasil&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há nomes que vale a pena fixar e o de João Sarmento Pereira é um deles. Neste caso pelas piores razões. Ouvi este nome no Telejornal no princípio da semana, no mesmo dia em que foram presos em Espanha 121 suspeitos de envolvimento numa das maiores redes de pornografia infantil.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A rede é um terrível polvo de mil tentáculos que espalha o mal pelo mundo e a própria polícia espanhola revelou que o material apreendido continha fotos e vídeos arrepiantes feitos com bebés e crianças muito pequenas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A sequência de notícias relativas a abusos de menores neste dia começou com a divulgação das prisões feitas pelas autoridades espanholas e seguiu para o caso português de João Sarmento Pereira, de 21 anos, acusado de 6 crimes de abuso sexual a menores e condenado a dois anos e meio de cadeia, a quem foi concedida a liberdade a troco de tratamento psiquiátrico.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Por razões que ultrapassam o entendimento do comum dos mortais, este abusador de crianças retomou a sua vida normal e cumpre agora uma pena suspensa com toda a liberdade e apenas a obrigação de ir a umas consultas no psiquiatra. Acho extraordinário que assim seja e acho muito grave que este homem possa continuar a exercer a sua profissão de professor primário.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Para percebermos o que está em causa e avaliarmos a extensão deste fenómeno de benevolência judicial vale a pena voltar aos factos e apresentar o professor. A acreditar no que vi e ouvi na televisão e não vi desmentido depois em lado nenhum, este rapaz começou aos 18 anos a estagiar num colégio em Carcavelos onde tinha um contacto diário muito próximo com as crianças. Um contacto muito íntimo, para sermos mais exactos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O rapaz ajudava as crianças a vestirem-se e despirem-se para as aulas de ginástica e fazia-se valer da sua supremacia física para abusar das crianças e as assustar ao ponto de elas não serem capazes de contar em casa o que lhes acontecia na escola. Tanto quanto percebi houve abusos mais graves e menos graves mas eu, que não sou juiz mas sou mãe, considero tão grave a ‘manipulação dos genitais’ de uma criança como a violação ou ‘tentativa de penetração’.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Admito que os que julgam precisem de evidências físicas de violação para condenar mas sei (todos sabemos!) que não é preciso haver consumação da violação para deixar marcas indeléveis numa criança e traumatizá-la para sempre. E este é o ponto sobre o qual assenta a minha argumentação sobre um caso que me parece eloquente de uma brandura excessiva e de uma leviandade intolerável.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Falo da brandura dos juízes e da leviandade de quem permite que este homem mantenha a sua carteira profissional de professor primário, podendo exercer a profissão num meio em que a proximidade física de crianças pequenas pode potenciar situações de abuso como as que ficaram provadas no passado recente.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Compreendo as mães e pais das crianças abusadas que foram ouvidas pelo jornalista e apareceram na televisão em contra-luz para não se ver a cara. Estou solidária com a sua indignação e a sua dor porque não se trata de uma vingança mas sim da mais elementar justiça. Como é que um rapaz que fez o que fez aos seus filhos pode estar em liberdade e continuar a ser professor primário?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Será que os juízes e os especialistas que os aconselham não sabem que o pior pedófilo é sempre o ‘maior amigo das crianças’? É sempre o que parece bom, que se faz amigo, que se torna confiável e depois usa todo este capital de simpatia e proximidade para actuar com frieza, premeditação e perversidade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ou será que os juízes acreditam sinceramente que o rapaz está profundamente arrependido e não vai repetir? Há estudos científicos que provam que esta compulsão para o abuso sexual de menores pode durar uma vida inteira e mesmo que neste caso haja um forte arrependimento é inquietante saber que alguém condenado por seis crimes de abuso sexual anda por aí à solta e mais tarde ou mais cedo vai voltar à escola e ao contacto com as crianças que, por definição, são o seu alvo preferencial e as potenciais vítimas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Quem nos garante que este homem fica curado com um tratamento psiquiátrico? E quem se responsabiliza pelo seu acompanhamento, pela sua evolução mental e moral, e se responsabiliza por ele no futuro? É essencial fazer as perguntas porque alguém tem que ter as respostas para o deixar em liberdade permitindo-lhe continuar a ser professor primário.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Se insisto em deixar escrito o nome deste homem não é para o voltar a condenar pois não me compete a mim fazê-lo, mas para que mais pais e directores de escolas saibam com o que contam se lhes bater à porta um homem que sendo professor traz consigo outras credenciais.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Como cidadã e como mãe tenho o dever e o direito de sublinhar as minhas reservas quanto a casos destes, em que aparentemente não houve reparação dos danos nem sequer a obrigatoriedade de prestar serviço cívico na comunidade para dar de volta parte daquilo que roubou.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Na impossibilidade de devolver a integridade física, moral e emocional às crianças que abusou e de reparar o sofrimento que lhes provocou a elas e às suas famílias, devia existir a obrigação de cumprir uma pena cívica que o reabilitasse a ele e, ao mesmo tempo, nos desse a nós a certeza de que este homem está apostado em regenerar e em conquistar a confiança que neste momento ninguém pode ter nele até conseguir provar o contrário.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Repugnam-me os pedófilos e tarados cuja compulsão é repetir o crime de abuso sexual a menores. Nesta lógica confesso que defendo a castração química para alguns dos condenados por este tipo de crime. Mais do que uma medida de protecção para os nossos filhos e ainda mais do que um castigo aos abusadores é um favor que lhes fazemos pois é raro o que não volta ao local do crime mais do que uma vez.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há quem ache uma medida excessiva mas assumo que, para mim, seria a medida certa. Não percebo porque é que havemos de continuar a acreditar mais na voz de um criminoso do que nas das suas vítimas. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;  &lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
  <category>militância cívica</category>
  <category>crónicas do público à sexta</category>
  <category>acontecimentos trágicos</category>
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  <pubDate>Tue, 09 Dec 2008 11:55:39 GMT</pubDate>
  <title>Mais depressa entra um dealer no meu bairro do que eu!</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/171314.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/NBoAs0JleFirtucz252f&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/NBoAs0JleFirtucz252f/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta é a esquina da Rua Marechal Saldanha com o Loreto,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;no cimo da Calçada do Combro. Nesta esquina todos os&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;dias há cenas inenarráveis por causa dos pilaretes da CML&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;a barrar a entrada no Bairro de Sta Catarina. Geridos pela&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;EMEL e por uns senhores que nunca se deixam ver nem se&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;identificam mesmo quando lhes pedimos o nome, o sobe e&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;desce deste pilaretes é diariamente gerido por estes homens&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e mulheres invisíveis que ora estão de bom humor, ora estão&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;atravessados por alguma razão e o caldo entorna. Eu e muitos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;outros como eu já perdemos a cabeça mais do que uma vez a&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;tentar falar com um pilar absurdamente surdo aos argumentos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/BifZ7y5r2bEqBapE751j&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/BifZ7y5r2bEqBapE751j/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De dentro deste pilar saem umas vozes que mal se ouvem cá&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;fora porque a rua é muito barulhenta e as buzinas dos carros&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;que esperam na fila podem ser insurdecedoras. Os  senhores&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;da EMEL sabem mas estão-se nas tintas. Demoram eternidades&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;a &apos;atender&apos; os que pretendem passar. Um inferno diário para quem&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mora nestas ruas dos bairros abrangidos por este controlo policial&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e quase sempre prepotente. Posso garantir que mais depressa um&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;i&gt;dealer&lt;/i&gt; de droga entra no meu bairro do que um morador! É infame&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mas é rigorosamente verdade. Há sempre uma suspeita a pesar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;sobre os moradores que estes senhores vêm entrar e sair todos os&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;dias, várias vezes por dia. É incrível mas apesar de nos conhecerem&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;bem demais, levantam sempre obstáculos (neste caso os pilaretes)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e suspeitam da informação que lhes damos. Esta atitude enche de&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;nervos e frustração pois revela um exercício prepotente de um poder&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;que estes funcionários da EMEL julgam que têm mas não podem ter!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/4LZtdrw7t2bsudIkHB6d&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/4LZtdrw7t2bsudIkHB6d/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já escrevi algumas vezes sobre o mau funcionamento dos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;pilaretes, cujo sistema mecânico entra em falência técnica&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;com excessiva frequência mas o meu maior protesto e a&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;minha maior indignação tem a ver com a atitude tão pouco&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;profissional e com o abuso de poder dos senhores da EMEL!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nota: Não deixa de ser uma ironia que o autocolante colocado&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;no pilar tenha um coração com a inscrição &quot;Lisbon Lovers&quot;...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
  <category>militância cívica</category>
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  <pubDate>Sat, 06 Dec 2008 11:13:48 GMT</pubDate>
  <title>Em homenagem às vítimas do naufrágio ontem</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/169750.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://ultimahora.publico.clix.pt/imagens.aspx/250199?tp=UH&amp;amp;db=IMAGENS&amp;amp;w=320&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O &lt;b&gt;Rosamar&lt;/b&gt; naufragou ontem na Galiza, com uma tripulação de 13 pescadores:  8 portugueses e 5 indonésios. Três portugueses morreram e cinco foram resgatados mas há outros cinco que continuam desaparecidos. As operações de salvamento foram retomadas esta madrugada. Neste momento há famílias em luto e grande sofrimento. Há uns anos escrevi sobre o naufrágio de fragateiros no Tejo, que morreram com Lisboa à vista depois de uma noite de grandes tormentos. Em homenagem aos pescadores que perderam a vida na Galiza, deixo aqui essa crónica que foi adaptada ao cinema por José Nascimento. O filme chama-se Tarde Demais. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://ummundomagico.blogs.sapo.pt/arquivo/tarde_demais.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O dia ainda vinha longe mas o barco já ia pesado. Passava das seis e meia. a madrugada gelava os ossos e o vento arrepiava os gestos. Chovia sem parar. Quatro vultos deitavam as mãos às redes com o vigor de quem luta pela vida. Mais duas braçadas firmes, a compasso, e ficou rematada a faina. Os robalos debatiam-se no escuro antes de serem atirados para o fundo e os vultos iam ganhando cor. Os sorrisos, esses, ganhavam o contorno habitual. O dia ainda mal começara mas, para os quatro homens, estava terminado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Exaustos, sentaram-se à uma. Preparavam-se para o aconchego do cigarro quando sentiram um torpor excessivo no motor. O bote parecia arrastar todo o peso do mundo. Um deles inspeccionou os cantos enquanto os outros tentavam prescrutar o fundo. De repente deram-se conta de que havia um rombo por onde a água entrava em cachão. Apressaram-se a dar vazão à água que subia mas a força dos braços nada podia contra o ímpeto do rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Havia uma bomba pequena que costumava servir, mas também ela se revelou escassa. A água transbordava e ameaçava afundar o barco. &quot;Não demos vencimento àquilo, a água era demasiada.&quot; Lestos de movimentos e raciocínio, dividiram tarefas e enquanto uns recolhiam os coletes de salvação, os outros desembaraçavam-se da roupa mais pesada. O barco ia a pique e a não ser as suas vidas, nada mais havia ali para salvar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Arruinada, a velha embarcação há muito não tinha rádio nem reservas de alerta ou protecção. Meio submersa, deixou rapidamente de dar luz e, antes das dez da manhã, já não havia vestígio da pobre lancha. No coração das ondas concêntricas desenhadas pelo afundamento, ficaram quatro homens tolhidos de frio a tentar desesperadamente manter à superfície o corpo e a esperança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/AfbAvC8ttTqE8RGSjEB2&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;205&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/AfbAvC8ttTqE8RGSjEB2/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante mais de cinco horas agitaram os pés e as mãos na água gelada. tinham todos perto de 60 anos mas pareciam crianças aflitas. Chovia impiedosamente e o vento não dava tréguas. Fustigados pelas ondas, faziam os impossíveis para permanecerem juntos e encontrar uma saída. o barco encalhara numa coroa de areia e eles sabiam que a maré havia de baixar. Nessa altura, com sorte, a superfície do barco emergia e eles descansavam um pouco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&quot;Tivémos salvamento à vista por três vezes.&quot; E por três vezes os batelões se afastaram, indiferentes aos gestos de desespero e aflição. &quot;Batíamos com os pés na água com muita força para ver se nos viam, mas nada.&quot; O dia estava embaciado. O céu, muito baixo, abafava os movimentos e as nuvens diluiam o horizonte na água do rio. Tudo assustadoramente conjugado para a desgraça dos quatro amigos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&quot;Estivemos mais de cinco horas ao frio, à chuva e ao vento, todos encharcados. Sabe Deus o que passámos. Foi aquela chuva a bater permanentemente, o frio gelado e tudo aquilo que deu conta da gente. Aquelas horas destroçaram-nos completamente. Foi o pior que podia ser.&quot; Das fraquezas fizeram forças e aguentaram-se até a maré acabar de vazar. passava das três da tarde quando o barco voltou a ficar à superfície e eles de pé com o corpo fora da água.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/llZeHuwz69ezkjUyQNLZ&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;200&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/llZeHuwz69ezkjUyQNLZ/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&quot;Tínhamos de andar por cima das ostras.&quot; Caminhavam descalços de pés rasgados e começaram a tirar as roupas para conseguir nadar entre os mouchões. Era dura a provação e sabiam que fatalmente acabariam a travessia do rio com o corpo todo cortado. Olharam para o horizonte e perceberam que o caminho da salvação era pela lezíria do Lombo do Tejo. &quot;O tempo já era pouco, era preciso rasparmo-nos depressa e aquela era a hora ideal porque a maré estava vazia.&quot;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Partiram. &quot;O José foi à frente, estava apanhado pelo frio. muitas vezes fora impedido de pescar pelas próprias mãos, que se negavam à lida por estarem geladas. Sofria muito com o frio.&quot; Seguiu minutos antes dos outros, na miragem de alcançar mais um pedaço de terra firme e mostrar o caminho aos amigos. &quot;O Zé estava muito fraco e caía. Tropeçava na lama mas eu cheguei-me a ele e levantava-o e dizia-lhe para vir comigo.&quot; Mas o corpo de José Fragateiro, derrotado pelo frio, recusava-se a andar mais. O lodo dava pela altura dos joelhos e tornava muito penosa a caminhada. Os amigos gritavam de desespero para não o deixarem morrer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&quot;Se ficássemos ali morríamos todos. Achei que era melhor nadar para terra para pedir ajuda.&quot; Foi o que fez, com o coração apertado por deixar o José sozinho. &quot;Deus queira que chegue a horas, deus queira que chegue!&quot; era o pensamento obsessivo de Manuel Aranha, um dos sobreviventes e o que relata o naufrágio. Perto das dez e meia, já noite cerrada, Manuel deu à costa. &quot;Fui parar a Santa Iria, à fábrica do gás. Chamaram a ambulância e deram-se apoio no posto médico.&quot;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Manuel Aranha estava em colapso físico e emocional mas ainda arranjou forças para fazer um rascunho onde indicou a posição do barco e o lugar do mouchão onde ficaram os amigos. Depois não se lembra de mais nada. Nessa altura as mulheres dos pescadores há muito estavam em sobressalto, com o coração cheio de angústias. No Montijo, a terra dos pescadores desaparecidos, ninguém tinha sossego.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A noite caiu, opressiva e o seu peso afundou as famílias numa angústia cada vez maior. Quando chegou a notícia de que Manuel Aranha chegara a terra as mulheres rezaram, choraram e riram. Talvez os outros tivessem vindo com ele. Correram pela rua a saber mas afinal ainda estavam no rio. Em terra, Josélia e José Fragateiro, mulher e filho do pescador mais velho, faziam os impossíveis para resgatar os náufragos. Pediram um helicóptero mas responderam-lhe que não podia levantar àquela hora da noite.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Fragateiro e Joaquim Silva, dois dos três pescadores que continuavam no rio, passaram mais uma noite ao relento, despidos sobre o lodo. António tinha-se amarrado ao barco com umas cordas e assim continuava. Na manhã seguinte, cumprida a burocracia e concedido o estatuto aos pescadores, o helicóptero levantou voo e em menos de meia hora os corpos foram encontrados. Amanhecera e Lisboa estava de novo à vista. Tão perto que até parecia ao alcance de um braço.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Josélia Fragateiro e Maria Domitília Silva foram chamadas a reconhecer os maridos. a eficácia póstuma das autoridades dilacerou ainda mais o coração das viúvas e filhos dos pescadores. No dia do entrerro não havia um palmo de terra por onde pisar. Manuel Aranha e António Fragateiro, primo de José, estavam entre a multidão e mais uma vez choravam como duas crianças.       &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&quot;O Zé é que nos ajudou a aguentar aquelas horas todas no mar. Falava, contava coisas e prometia que ainda havíamos de fazer uma caldeirada todos juntos.&quot; Não teve essa sorte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O helicóptero, disseram mais tarde as autoridades, não voa de noite porque não tem holofotes. Talvez até conseguisse voar mas para isso era preciso que o apelido dos náufragos não rimasse com Fragateiro, nome singelo dos homens simples e rijos que se aventuram em fragatas no rio Tejo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.cineclubeolhao.com/fotos/7817_tardedemais01.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
  <category>as vidas dos outros</category>
  <category>acidentes</category>
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  <pubDate>Fri, 21 Nov 2008 20:01:13 GMT</pubDate>
  <title>Crónicas do Público de hoje</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/164019.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/LKZcf9kKihrHPoQyE3Qc&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/LKZcf9kKihrHPoQyE3Qc/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large&quot;&gt;&lt;b&gt;As Tristes Luzes de Lisboa&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Da noite para o dia a cidade apareceu enfeitada de Natal mas este ano as luzes de Lisboa são tristíssimas. À excepção de dois ou três passeios considerados mais nobres e, por isso, com direito a uma iluminação quente e vibrante, todas as ruas têm luzes azuis, frias, geladas, sem graça e pior, luzes que choram. Na Avenida da Liberdade, por exemplo, o efeito mágico mais natalício que se inventou foi pôr lágrimas de luz a escorrer pelos fios, numa ilusão permanente de um choro silencioso que entristece e não apetece. Imagino que a iluminação da cidade tenha custos exagerados para os tempos que correm e não me custa acreditar que se não fossem alguns mecenas nem sequer haveria luzes de Natal mas pergunto se as lâmpadas azuis são assim tão mais baratas do que as encarnadas e as douradas. Serão? E a coisa compensa? Ou o azul é a cor de quem paga e, por ser a cor de quem paga, também tem que ser a cor do Natal em Lisboa. Se assim é parece-me absurdo o princípio. Imaginemos que os patrocinadores tinham uma marca conhecida por ser listrada, será que as lâmpadas de Natal passavam a ser luzinhas zebradas e toda a cidade se convertia num bisonho jardim zoológico de espécie única? Pior do estas luzes azuis e frias do Terreiro do Paço e das avenidas só um Pai Natal vestido de pijama azul eléctrico.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Sugiro que no próximo ano os responsáveis pelas iluminações revejam os catálogos de cores e ajustem os preços das lâmpadas festivas com os patrocinadores, negociando com eles a possibilidade de recuperar para o Natal as cores do Natal. &lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-large&quot;&gt;&lt;b&gt;Teste a sua inteligência dominante&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2007/10/einstein.jpg&quot; /&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Desde que Daniel Goleman e os seus discípulos enunciaram outras formas de inteligência para além da que era possível medir através dos convencionais testes de QI, passámos a saber que existe um espectro largo de inteligências nas quais se incluem a emocional, a espacial, a corporal, a relacional, a artística, a existencial, a lógica, a afectiva, a relacional, a espiritual, a intuitiva e outras.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ou seja hoje em dia não é possível falar de inteligência única mas sim de inteligências múltiplas, numa amplitude e profundidade que interpelam e obrigam a pensar. Desde já porque a aceitação de uma realidade investigada e provada pelas neurociências estabelece novos patamares de avaliação e outro poder de encaixe.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Os professores, os educadores, os empregadores e as pessoas em geral deixaram de poder contar com um teste que durante décadas foi um modelo universalmente usado para medir e rotular a inteligência de cada um. Hoje em dia poderemos talvez testar a nossa inteligência dominante mas não a inteligência em absoluto, pois os testes de QI não têm em conta a variedade possível.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Um teste de QI convencional não mede as competências relacionais, os dons manuais ou a inteligência artística, por exemplo. Nem avalia a capacidade de introspecção e pode nem sequer chegar a medir a inteligência lógico-verbal se não tiver em conta a capacidade de pensar e usar a linguagem para exprimir ideias.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Uma vez que não sobram dúvidas científicas sobre a quantidade e a qualidade das inteligências múltiplas é urgente complementar os testes de QI (para quem os faz e porque podem ser importantes em casos concretos) com outras formas de avaliação que compreendam o potencial de evolução de cada um, a sua capacidade de adaptação ao meio (e a circunstâncias mais ou menos adversas), que avaliem as competências sociais e relacionais, que testem a inteligência lógico-matemática e analisem a originalidade e a criatividade. Tudo isto num esforço de aceitação de que o lendário QI por si só é um critério perigoso, redutor e, por isso, muito enganador.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large&quot;&gt;&lt;b&gt;Outras coisas que faltam nas nossas escolas&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/A5HAtTymsaRVzs8gTrpZ&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;212&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/A5HAtTymsaRVzs8gTrpZ/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;No meio de tanto barulho e perturbação nas escolas, numa fase de braço de ferro em que muitos se desentendem, poucos se ouvem e menos ainda se acertam, vale a pena trazer à discussão outras questões tão ou mais importantes do que a avaliação dos professores e o sistema de faltas dos alunos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Falo de lacunas graves em matérias essenciais no sistema de ensino português, falhas que mais à frente, na idade adulta e segundo os critérios do mercado de trabalho, se revelam perversas na medida em que condicionam as escolhas profissionais e até a progressão em certas carreiras.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nas escolas portuguesas os alunos não são ensinados a argumentar e a defender pontos de vista, não são treinados no debate de ideias e muito menos estimulados no improviso e na expressão oral. Não existem aulas para aprender a falar em público nem as matérias relacionadas com a comunicação são muito exploradas e é pena pois os portugueses apresentam sérias desvantagens num campo cada vez mais exigente e determinante.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Numa era claramente marcada pela comunicação, ter dificuldade em exprimir ideias, em alimentar um debate ou manter uma polémica com quem tem opiniões divergentes é um handicap tremendo. A diversidade de dons é e será sempre enorme e hoje em dia ganha mais quem comunicar melhor aquilo que sabe.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Tão importante como pensar e fazer bem as coisas é saber comunicá-las. Acontece que no sistema de ensino nacional não existem cadeiras específicas de comunicação e o resultado é que a generalidade dos portugueses não se sente confiante na expressão verbal das suas ideias e competências.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Passo a vida em conferências, seminários, workshops, encontros e discussões públicas sobre inúmeras questões e saio de lá quase sempre com a frustração de ver que os conferencistas nacionais são os mais chatos e os mais abstractos. Usam powerpoints palavrosos e incrivelmente densos, limitando-se a debitar em alto o que está escrito no ecran que é projectado ao lado.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Sempre que alguém fala para uma plateia desta forma dá um tiro no pé. A audiência não consegue acompanhar nem as palavras escritas nem as palavras ditas e, por isso, a comunicação é nula. Um desperdício em toda a linha, portanto.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Há os que escrevem o que querem dizer para não correrem o risco de se esquecerem ou para manterem uma coerência discursiva impecável ao longo da sua intervenção mas também estes falham muitas vezes a comunicação por uma razão simples: enquanto lêm o papel não olham para a plateia e não falam verdadeiramente com quem está presente. Até podem dizer coisas bem articuladas do ponto de vista literário mas como não adaptam o discurso às circunstâncias, não percebem para quem falam nem se detêm na eficácia daquilo que comunicam.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Salvo as raras e honrosas excepções dos que têm essa maravilhosa capacidade de ler um texto como quem conversa, usando um tom coloquial e um estilo simples, todos os que lêm um papel em alto tornam-se monótonos. Pior, como trouxeram as coisas escritas de casa e não fazem nada de improviso, tudo aquilo soa a ‘minuta’. Ou seja, a coisa que tanto pode ser dita aqui como repetida ali.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Por tudo isto e porque é nas escolas e nos liceus que estas competências devem ser adquiridas e treinadas não me canso de falar sobre a gravidade desta lacuna no nosso sistema de ensino. O que me cansa é ouvir chatos muito chatos.&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://nildofreitas.com/v1/files/COMO-FALAR-EM-PÚBLICO-1.JPG&quot; /&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;a href=&quot;http://nildofreitas.com/v1/files/COMO-FALAR-EM-PÚBLICO-1.JPG&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: smaller&quot;&gt;imagem tirada deste blog&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
  <category>coisas da vida</category>
  <category>crónicas do público à sexta</category>
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  <pubDate>Sat, 08 Nov 2008 01:13:30 GMT</pubDate>
  <title>Detesto estes gestos obscenos no meio do trânsito!</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/156329.html</link>
  <description>&lt;p&gt;(Texto escrito para o jornal Público de sexta-feira, 7 de Outubro)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img height=&quot;260&quot; width=&quot;400&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.treehugger.com/road-rage-hypermiling-001.jpg&quot; style=&quot;border-color: black;&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Detesto gestos obscenos feitos com raiva, arrogância e desprezo no meio do trânsito. Detesto más maneiras e gente castigadora que usa e abusa de palavrões a propósito de tudo e de nada. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Numa semana marcada por situações de descontrolo ao volante, em que assisti a duas cenas caricatas protagonizadas por pessoas aparentemente de bem, gente que habitualmente não se excede nem grita, ocorre-me falar do conceito &lt;b&gt;&lt;i style=&quot;&quot;&gt;road rage&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; que, afinal, é um fenómeno universal.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Está estudado que todos ficamos potencialmente mais agressivos quando estamos ao volante, e é interessante explorar o que dizem os especialistas em comportamento nesta matéria tão sensível como explosiva da fúria de guiar.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Dos mais pacatos aos mais nervosos todos temos alterações de comportamento quando guiamos um carro. Ninguém escapa à regra e, ao que parece, não há excepção. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Pais dedicados e tranquilos gritam obscenidades em frente dos filhos só porque o taxista da frente parou na berma sem fazer pisca; mulheres educadas e competentes perdem a cabeça e dizem palavrões de rajada porque um carro se atravessou no seu caminho; senhores todos postos por ordem fazem gestos ameaçadores quando se sentem pressionados por uma buzina mais insistente; jovens ditos normais transformam-se em seres coléricos quase bizarros se alguém não os deixa ultrapassar, e até velhinhos e velhinhas podem transformar-se em pessoas verdadeiramente hostis na estrada.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Feliz ou infelizmente ninguém é imune à raiva nem ao espírito de retaliação quando está ao volante. Todos somos vulneráveis à ira e todos somos capazes de fazer e dizer coisas que seriam inconcebíveis no nosso estado normal.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Há uns anos atrás escrevi sobre este assunto na revista XIS e agora retomo-o justamente pelas duas cenas de rua que presenciei em pleno centro de Lisboa e só não acabaram mal por absoluto milagre.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Leon James, psicólogo norte-americano que investiga as razões daquilo a que se convencionou chamar &lt;b&gt;&lt;i style=&quot;&quot;&gt;road rage&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; e orienta cursos de &lt;b&gt;&lt;i style=&quot;&quot;&gt;traffic psychology&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;há mais de 30 anos, tem um método de investigação, ensino e treino muito particular: pede aos seus alunos que instalem câmaras de filmar dentro do carro e propõe-lhes que gravem livremente e sejam actores dos seus próprios filmes. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Em sucessivos anos de gravações, Leon conseguiu resultados prodigiosos na medida em que consegue analisar com muita precisão a forma como cada um reage a pequenos e grandes acidentes de percurso.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;O efeito espelho proporcionado pelas gravações é profundamente embaraçante mas altamente eficaz na correcção dos excessos. Isto porque devolve a cada um dos protagonistas e exacta medida da sua raiva, e revela até onde pode ir a sua agressividade. Mais, os vídeos permitem perceber a rapidez e a desproporção com que reagimos a estímulos insignificantes.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;A teoria sobre o fenómeno &lt;b&gt;&lt;i style=&quot;&quot;&gt;road rage&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; é vasta e abrangente e na impossibilidade de a resumir aqui, deixo as referências sobre a matéria e uma pista sugerida por Leon James que aconselha a adoptar uma &lt;b&gt;atitude de latitude&lt;/b&gt; na estrada. Ou seja, a ganhar distância e a resistir ao desejo de vingança ou retaliação que tantas vezes nos assalta quando estamos ao volante e tudo nos parece uma provocação. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Esta &lt;b&gt;atitude de latitude&lt;/b&gt; consiste em antecipar os erros dos outros, em concentrarmo-nos na eficácia e prudência das nossas próprias manobras em vez de nos desperdiçarmos a castigar perversamente os que se atravessam no nosso caminho. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Acima de tudo importa manter sempre uma certa distância de quem vai à nossa frente, ao nosso lado ou atrás de nós. Parece óbvio, não parece? Dito aqui, sim, mas vivido na estrada no cúmulo de nervos e stress habitual, as coisas não são assim tão fáceis. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;margin: 0cm 0cm 0pt;&quot; class=&quot;MsoNormal&quot;&gt;&lt;span lang=&quot;PT&quot; style=&quot;&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot;&gt;&lt;font face=&quot;Times New Roman&quot;&gt;Leon aconselha muito sentido de humor e uma capacidade de encaixe superiormente ensaiada, na certeza de que os erros que os outros fazem hoje não são maiores do que os que nós fizemos ontem ou faremos amanhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
  <category>crónicas do público à sexta</category>
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  <pubDate>Mon, 03 Nov 2008 11:47:05 GMT</pubDate>
  <title>Que selvajaria!</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/154056.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/z8iYPzal4dCuqlSiUmmz&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/z8iYPzal4dCuqlSiUmmz/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ontem dei-me conta de um buraco enorme feito no meu carro&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;onde há vestígios de cor verde que me levam a crer que pode&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;ter sido provocado por um camião do lixo ou coisa parecida já&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;que um carro normal não tem capacidade para perfurar desta&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;maneira tão devastadora o aço. Que selvajaria, meu Deus! E&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;claro que nem uma nota, nem um contacto, nem um cartão a&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;pedir desculpas ou a dar uma justificação. Ainda por cima ao&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&apos;puxar o filme para trás&apos;, dei-me conta de que isto só pode ter&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;acontecido numa noite da semana passada em que o meu&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;carro estava bem estacionado mas outro carro, deixado do&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;outro lado da rua a tapar a esquina, inviabilizava a passagem&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;do camião do lixo. Se assim foi não deixa de ser extraordinário&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;que o carro mal estacionado tenha saído incólume e que o&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;meu tenha ficado neste estado, com o buraco e mais um risco&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;grosso e fundo ao correr de toda a porta de trás. Que coisa esta!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/p4FUH0euCtUsGvGN98Ce&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/p4FUH0euCtUsGvGN98Ce/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
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  <pubDate>Fri, 31 Oct 2008 08:53:24 GMT</pubDate>
  <title>Proibido o barulho desnecessário!</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/152842.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img height=&quot;300&quot; width=&quot;400&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;https://farm4.static.flickr.com/3034/2987093895_5b03a46dc7.jpg?v=0&quot; style=&quot;border-color: black;&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não faço a menor ideia da eficácia desta proibição numa cidade como Nova Iorque, nem consigo imaginar o que se pode considerar barulho desnecessário no meio de tantos ruídos e tanto movimento, mas percebo a ideia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar da ironia da coisa (do absurdo, talvez) concordo com uma proibição aos barulhos excessivos. Devia existir qualquer coisa parecida no nosso país que impedisse que fossemos assaltados por brocas e martelos às 8h da manhã todos os dias, excepto aos domingos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nunca percebi porque é que os homens das obras começam sempre o dia por fazer aquilo que é mais ruidoso. Parece de propósito pois à medida que a manhã avança e o dia corre, os martelos, as picaretas e brocas vão ficando mais silenciosos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vivo com obras no prédio, obras em condomínios nas traseiras e obras na rua em frente e reparo sistematicamente nesta coisa dos barulhos desnecessários. Dou comigo irritada pela perfuradora e brocas que inauguram o dia em todo o seu esplendor acordando a vizinhança inteira (parece que as obras são dentro do quarto, debaixo da almofada!) e depois ficam pousadas na pedra do chão durante mais de metade do dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não compreendo a lógica da coisa mas agora, olhando para esta fotografia do &lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/mourignac/2987093895/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;João Francisco Moura&lt;/a&gt;, consola-me saber que algures no mundo alguém se preocupa e proibe o barulho desnecessário. Nice.  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>vida moderna</category>
  <category>protestos</category>
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  <pubDate>Thu, 30 Oct 2008 12:57:49 GMT</pubDate>
  <title>Carro-bomba explodiu em Navarra</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/152391.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/lGlZoidWQBhnmWjWcVc8&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/lGlZoidWQBhnmWjWcVc8/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: smaller&quot;&gt;(esta imagem é de uma rua perpendicular à Clínica de Navarra) &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;2&quot;&gt;A notícia é de agora mesmo: um carro-bomba carregado com cerca de 100 kilos de explosivos, explodiu no parque de estacionamento da Universidade de Navarra, de onde acabo de voltar há dois dias. Que coisa sinistra, esta dos atentados a civis que nada têm a ver com as guerras destes guerrilheiros cobardes.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/iAj2HQoBpfTlj9Bqz9Bz&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/iAj2HQoBpfTlj9Bqz9Bz/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: smaller&quot;&gt;(esta imagem é de um dos edifícios centrais da Universidade de Navarra)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Dezassete pessoas ficaram feridas e deram entrada imediata nas urgências da Clínica de Navarra, onde muitos doentes (portugueses incluídos) estão internados. Custa perceber que estas pessoas que já sofrem penas indizíveis sejam o alvo escolhido para mais um atentado. Não há direito!&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;p&gt; &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/NUaIpbRlFiK1EZlC8PaW&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/NUaIpbRlFiK1EZlC8PaW/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: smaller&quot;&gt;(esta é a imagem do Campus universitário, perto do local onde explodiu o carro-bomba)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/152391.html</comments>
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  <category>protestos</category>
  <category>acontecimentos trágicos</category>
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  <pubDate>Mon, 27 Oct 2008 17:20:47 GMT</pubDate>
  <title>Não gosto nada da mudança da hora</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/150664.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/yCyFeVzKqyEr77ksQBCa&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/yCyFeVzKqyEr77ksQBCa/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por mais exaltante que seja o entardecer e por mais que goste&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;destes breves minutos em que o dia se faz noite, detesto esta&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mudança da hora. Não me conformo com a ditadura dos dias&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;cada vez mais curtos e a escuridão total às sete da tarde. Não&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;faço ideia do sentido que tem mudar a hora mas para mim não&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;tem lógica nenhuma. Alguém sabe a explicação da coisa? E os&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;princípios que regem uma alteração que mexe com o nosso ritmo&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;biológico e deixa alguns muito mais desconcertados?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se puderem digam-me as vantagens, acho que isso me ajuda a&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;lidar com o facto incontornável de ter acabado de lanchar e já ser&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;quase noite. A vantagem da hora nova? Ficarmos mais inclinados&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;ao recolhimento, sim. Mas não acho assim uma grande vantagem...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/150664.html</comments>
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  <category>protestos</category>
  <category>coisas da vida</category>
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  <pubDate>Sun, 05 Oct 2008 11:41:09 GMT</pubDate>
  <title>Praias com menos 27 toneladas de lixo!</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/140734.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/3UKndSY4THFPOog1ZBbE/s320x240&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acabei de ouvir nas notícias que a Câmara de Cascais, em&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;parceria com uma empresa cujo nome me escapou mas&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;está ligada ao ambiente (gostava de ter fixado a sigla mas&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;vinha a guiar e nem sequer a percebi bem), retiraram este&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;ano das praias 27 toneladas de lixo entre Julho e Setembro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/GVeKcMG7Ctm99pGbcjEi&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/GVeKcMG7Ctm99pGbcjEi/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É impressionante a quantidade de lixo que as pessoas vão&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;deixando atrás de si nas praias e nos lugares públicos. E é&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;chocante perceber que muitas destas pessoas o fazem sem&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;ser por esquecimento. Muito pelo contrário, agem como se&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;fosse legítimo sujar, manchar, degradar e conspurcar os sítios&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;onde passam e onde é suposto estar tudo em ordem para os&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;próximos. E para os que acabaram de sujar mas se calhar até&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;estão a pensar voltar! Detesto ver lixo nos jardins, nas bermas&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;das estradas, nos rios, nas praias, em todos os lugares onde&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;todos sabemos que é proibido deixar coisas fora do seu lugar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/zZ9IZJu0AaCzdvf3wNoW&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/zZ9IZJu0AaCzdvf3wNoW/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ontem fotografei esta praia, na Linha de Cascais, por me ter&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;chamado a atenção uma areia tão lavada e limpa. Nunca a&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;tinha visto tão imaculada e, por isso, não resisti. Hoje percebi.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E agora, que ouvia as notícias quando voltava da missa, não&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;resisto a deixar aqui uma frase dita uma vez por Alberto Brito,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;padre jesuíta, que continua a fazer eco em mim e me guia:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Jamais poderemos controlar o que entra em nós e teremos&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;sempre dificuldades em controlar o que está dentro de nós, &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;sejam os pensamentos que nos habitam ou os sentimentos &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;que nos trespassam. Só conseguimos realmente controlar&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;aquilo que sai de nós. As acções, as palavras e os silêncios.  &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/140734.html</comments>
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  <category>coisas da vida</category>
  <category>protestos</category>
  <category>lugares com luz</category>
  <category>talentos</category>
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  <pubDate>Sun, 28 Sep 2008 21:42:43 GMT</pubDate>
  <title>Taxista ladrão, que asco!</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/136683.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;https://farm4.static.flickr.com/1346/564922583_f9f7771dfd_m.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Acabei de ser roubada por um taxista. Não há&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;direito! Apanhei um táxi da Sé de Lisboa para&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;o Chiado e, no momento de pagar, pousei o &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;telemóvel no banco. Começou a chover, atrás&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;havia carros à espera e, com a pressa de sair&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;esqueci-me do telemóvel dentro do táxi. Pior,&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;não pedi factura e por isso não fiquei com o&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;contacto do taxista. Se ele fosse um homem &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;correcto e de bem, ou seja se não fosse um&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;ladrão que aproveita a ocasião, teria atendido&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;o meu telemóvel e teria voltado à minha rua&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;para mo devolver. Acontece que não só não &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;atendeu como se despachou a desligá-lo!&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Não há direito, insisto. Custa imenso admitir&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;que um profissional dos táxis afinal também&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;é um ladrão profissional. Que asco. Muito mau.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Tudo isto para ir a um concerto de órgão de tubos&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;com o meu filho, que queria muito ouvir Messiaen.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Custou-me caro o concerto e perdi todos os contactos! &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/136683.html</comments>
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  <category>protestos</category>
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  <pubDate>Thu, 11 Sep 2008 18:55:05 GMT</pubDate>
  <title>Ainda o Cristo com cara de facínora...</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/127762.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Agradeço a todos e em especial à &lt;b&gt;Ana Paulo Santos&lt;/b&gt; as informações sobre a autoria do Cristo da Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&quot;Realmente, não podemos considerá-lo bonito, mas parece que é propositadamente. É da autoria de uma artista irlandesa, &lt;b&gt;Catherine Green&lt;/b&gt;. De acordo com declarações do santuário &quot;Não se trata de um Cristo sofredor, não é um Cristo de glória, mas de passagem para a Glória, com influência da arte bizantina&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar das explicações, intenções e supostas influências artísticas esta imagem de Cristo continua a ser medonha. Pavorosa, mesmo. &lt;b&gt;Concordo inteiramente com a minha mãe quando diz, com a intimidade dos que sabem a cara de Jesus porque conhecem o Seu coração, que o próprio Cristo deve estar muito triste com esta imagem desfigurada.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Eu acho que Ele olha para si, nesta figura, e Ele que é todo bondade nem a si próprio se reconhece! - garante a minha mãe. Percebo-a e não me custa acreditar que tenha razão, sim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>coisas da vida</category>
  <category>protestos</category>
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  <pubDate>Thu, 11 Sep 2008 13:29:48 GMT</pubDate>
  <title>Um Cristo com cara de facínora?</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
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  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/t3ngPEA1Pt7VJHfFrsun&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/t3ngPEA1Pt7VJHfFrsun/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estive em Fátima, onde participei numa conferência sobre&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acção Social e a transformação que ela implica no mundo. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/H4NMIi11oMOdSTTWUd7f&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/H4NMIi11oMOdSTTWUd7f/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois da conferência não resisti a entrar na nova igreja&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;monumental, construida no recinto de Fátima. Fui com a&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;minha mãe. Entrámos pelas portas grandes, majestosas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/rW2Q18p7BiGJmgy3LEdI&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/rW2Q18p7BiGJmgy3LEdI/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lá dentro o Cristo na cruz, suspenso sobre o centro do altar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tudo como seria de esperar se este Cristo não fosse uma&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;figura estranha, desproporcionada e quase assustadora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A minha mãe já O tinha visto mas eu não. Ao meu lado e em&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;tom reverente, dadas as circunstâncias, disse em voz baixa&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mas altamente indignada: &lt;b&gt;Já viste? É muito feio e tem cara&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;de facínora. Mete medo. Este não é o Cristo que eu conheço!&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não pude conter um ataque de riso em plena igreja a olhar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;para a &apos;cara de facínora&apos; daquele Cristo. É medonho, sim e&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;também eu não reconheço este Cristo. Quem será o autor?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
  <category>coisas da vida</category>
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  <pubDate>Sun, 31 Aug 2008 13:15:39 GMT</pubDate>
  <title>Táxis  em Lisboa adaptados para deficientes</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/122720.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;277&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;400&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://homepage.mac.com/manolomartin/iblog/B364843993/C51395033/E20060108210533/Media/taxi.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;A minha crónica de sexta-feira passada no jornal &lt;a href=&quot;http://jornal.publico.clix.pt/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Público&lt;/a&gt;. É impossível não ficarmos indignados perante as reacções e declarações de responsáveis que se recusam a incluir os que têm necessidades especiais. A mim repugnam-me todas as formas de exclusão e por isso aqui fica o texto da minha indignação.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;font-size: large&quot;&gt;&lt;b&gt;Incluir? Não obrigado!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Num país onde a esmagadora maioria de pessoas portadoras de deficiência são obrigadas a ficar em casa por não terem condições para vencer os obstáculos na rua, é perverso ouvir declarações públicas feitas por pessoas aparentemente responsáveis que se recusam a dar passos para incluir os mais frágeis.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Falo de Florêncio Almeida, presidente da Antral, que explica com toda a eloquência possível que “não há mercado” para este tipo de transporte e que “as pessoas sem deficiência não querem viajar em táxis próprios para deficientes”. Inspirado, Florêncio Almeida, vai mais longe e admite: “eu próprio não gosto de ser conotado com o que não sou”. Extraordinário raciocínio, este. Mas há mais e continuo a citar o que li no Público de dia 22 de Agosto: “o que eu quero é trabalhar e não fazer serviço social”. Bravo! Uma &lt;i&gt;boutade&lt;/i&gt; pareceu-lhe pouca coisa, duas ou três de enfiada deram-lhe certamente outra &lt;i&gt;assurance&lt;/i&gt; discursiva.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Pois bem caro Florêncio a serem verdade, estas suas afirmações falam por si e infelizmente dizem o pior. Mostram uma total insensibilidade e revelam uma ignorância chocante. Isto para não falar da falta de estratégia empresarial e da ausência de sentido do negócio. Mas vamos por partes.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Ao contrário de Florêncio Almeida, a maior parte das pessoas que não tem handicaps físicos sente-se muito mais confortável quando anda em transportes onde há lugares ou circunstâncias adaptadas aos deficientes do que quando percebe que estes foram completamente excluídos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;É completamente falso que os ditos normais se recusem a apanhar um táxi adaptado para pessoas com necessidades especiais. Aqui e em qualquer lugar todos ganhamos com a inclusão e por isso é bom que Florêncio Almeida fale por si, coisa que obviamente não pode fazer por ser presidente de uma Associação que representa uma classe com milhares de profissionais.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Uma coisa é as pessoas sem handicaps não se lembrarem que são precisas adaptações, outra radicalmente diferente é estas mesmas pessoas recusarem estas adaptações com argumentos patéticos. Nesta linha é bom que Florêncio Almeida separe as águas e não amplie uma voz distorcida.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;b&gt;Quanto a não gostar de ser conotado com o que não é, neste caso particular com pessoas com deficiência, cada um sabe de si. Eu lido perfeitamente com todos os tipos de deficiência e a única que verdadeiramente me incomoda é a deficiência moral. Essa sim, incomoda-me por revelar pobreza de espírito e indigência moral, passe a redundância.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Finalmente a questão do serviço social. Numa época em que todos temos consciência de que o empreendedorismo e a responsabilidade social das empresas são uma aposta ganha à partida, não fica bem a ninguém defender o indefensável. Se Florêncio Almeida não faz nem quer fazer que se chegue para o lado e deixe que outros façam o que tem que ser feito.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Uma cidade como Lisboa precisa urgentemente de táxis adaptados para deficientes, para velhinhos com bengalas, para pessoas frágeis ou doentes, para homens e mulheres que fizeram operações graves, para pais e mães que têm filhos pequenos ou bebés de colo e, quem sabe, até para um dia o próprio Florêncio Almeida poder transportar algum familiar ou amigo que tenha dificuldades de locomoção. Contra estes factos não há argumentos. Ou há, senhor Florêncio Almeida?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;</description>
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  <category>crónicas do público à sexta</category>
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  <pubDate>Sun, 31 Aug 2008 12:55:37 GMT</pubDate>
  <title>31 mulheres assassinadas que dormiam com o inimigo</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/122464.html</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;img height=&quot;492&quot; width=&quot;400&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://sydney.indymedia.org.au/files/sydimc/images/domestic%20violence_0.jpg&quot; style=&quot;border-color: black;&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Uso aqui de propósito a imagem de um cartaz australiano que denuncia a violência doméstica e as mortes a que ela conduz para ilustrar a crónica que escrevi para o jornal &lt;a href=&quot;http://jornal.publico.clix.pt/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Público&lt;/a&gt; de sexta-feira passada, para que fique muito claro que embora eu fale das 31 mulheres portuguesas assassinadas, infelizmente esta realidade cruza todas as fronteiras.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: medium;&quot;&gt;&lt;b&gt;Feios, porcos e maus&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Li com atenção, perplexidade e nojo as páginas do Público de terça-feira passada sobre as 31 mulheres assassinadas este ano pelos namorados, maridos e amantes. O enunciado é difícil de acompanhar mas não é por todas as vítimas serem mulheres ou crianças. É pela violência da coisa propriamente dita. Podiam ser homens, velhos ou novos, que a repugnância era igual. Não se trata de uma reacção feminista, quero dizer. Trata-se de uma consciência profunda de que há quem morra porque teve o azar de casar ou dormir com o inimigo.&lt;/p&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;A exposição de uma sucessão de casos dramáticos tem a virtude de mostrar um filme mais completo e mais próximo de uma realidade muito dura de aceitar. Há demasiados homens que maltratam e matam as mulheres com quem estão ou estiveram envolvidos e há muitos que o fazem na presença dos próprios filhos. Alguns destes homens suicidam-se no mesmo dia, logo a seguir, mas isso não acrescenta nada a não ser impotência e revolta.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;As histórias relatadas por Ana Cristina Pereira falam de homens agressivos, de rapazes desequilibrados, de gente com mau carácter que usa e abusa da sua supremacia física para bater, agredir, humilhar, torturar e finalmente matar. No fim ficamos com a certeza de que algumas destas mortes poderiam ter sido evitadas se as mulheres tivessem sido ajudadas, ou se existissem mais portas onde bater quando as relações conjugais se tornam invivíveis.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;b&gt;Todos estes casos têm a ver connosco e isso é uma realidade incontornável. Não podemos descartar responsabilidades nem podemos fingir que não vimos, não sabemos nem lemos.&lt;/b&gt; &lt;b&gt;No dia em que estas mulheres são enterradas temos a certeza de que foram mortas pelos homens que diziam que gostavam delas mas também pela nossa indiferença (ou distância) sempre que gritaram e não as ouvimos.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Artemisa Coimbra, do Observatório das Mulheres Assassinadas, investigadora e autora de uma tese de mestrado sobre violência doméstica, foi longamente citada pelo Público no dia em que saiu o artigo de que falo e sublinhou duas ou três coisas que merecem ser sublinhadas. Destaco, acima de tudo, a ‘invisibilidade’ destas mulheres, que são maltratadas ou ameaçadas durante anos a fio e finalmente mortas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Nunca se fala da história destas mulheres, das suas aspirações e medos, das suas fragilidades e forças. No dia em que são assassinadas relatam-se os factos, enumeram-se os filhos e descrevem-se as circunstâncias do crime mas raramente se gastam três linhas a dizer quem eram e como eram estas mulheres. É estranho. Mesmo depois de mortas acontece-lhes o mesmo que em vida: não têm existência própria.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Já os homens que as humilham e matam, esses têm todos identidade e quase sempre o direito a uma personalidade. Estranho, insisto.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Porque será que estas mulheres são tratadas em vida e na morte como não existentes?&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Este vazio, este silêncio e toda esta invisibilidade parece uma estratégia mais ou menos inconsciente para apagar os vestígios de uma realidade que todos preferíamos que não existisse. Será? Não sei, não sou especialista na matéria. Mas interrogo-me e procuro respostas que não encontro.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Leio as descrições que se fazem sobre os traços de carácter dos criminosos, fico a saber os passos que deram e as motivações que tinham, mas raramente capto alguma coisa essencial sobre as vítimas. A única informação que passa e fica a fazer um eco insuportável é o número de filhos e se assistiram à tragédia ou não. De resto mais nada.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Deixo aqui a interrogação sublinhada e toda a minha perplexidade perante uma realidade que cruza todas as condições, raças e credos. O enunciado desta semana remeteu-me fatalmente para a história de dois irmãos, ‘filhos de família’ no sentido mais convencional da expressão, que conheci nos tempos de liceu e tinham uma vida aparentemente normal, equilibrada e feliz até ao dia em que o pai foi acordá-los ao quarto para terem todos uma conversa na sala. Os dois irmãos vieram ensonados para a sala onde estava a mãe e o pai e mesmo antes de fazerem qualquer pergunta o pai declarou que ia matar a mãe e queria que eles vissem. E matou e eles viram.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;O pai suicidou-se anos mais tarde na cadeia e estes dois irmãos, de quem eu era bastante próxima, ainda hoje são perseguidos pelas imagens de uma tragédia impossível de adivinhar dada a estrutura familiar e a sua condição social. Se conto isto agora é para de certa forma exorcizar este meu fantasma antigo e para reforçar a ideia de que há homens desequilibrados, feios porcos e maus onde se imagina mas também onde menos se espera.&lt;/div&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
  <category>crónicas do público à sexta</category>
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  <pubDate>Sat, 26 Jul 2008 23:33:49 GMT</pubDate>
  <title>ATENÇÃO: PROIBIDO ESTACIONAR!</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/108977.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/wSZMe4k3GoBOnZQM8Cgc&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;320&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/wSZMe4k3GoBOnZQM8Cgc/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bar de praia no Algarve. Entre os dois carros brancos existe &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;um sinal que diz &quot;estacionamento proibido excepto cargas e&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;descargas&quot; mas é como se o sinal não estivesse lá. Há carros&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;estacionados durante o dia inteiro, coisa que torna o acesso ao&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;bar mais difícil, em especial para quem tem &lt;i&gt;&lt;b&gt;handicaps&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; físicos.  &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;

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&lt;/object&gt;
    
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dois comentários: primeiro sublinhar as palavras do &lt;b&gt;Salvador&lt;/b&gt;,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;que vive todos os dias esta realidade e sofre na pele a falta de&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;civismo. Depois sublinhar a atitude e a delicadeza que usa para &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;classificar os que não cumprem as regras. &lt;b&gt;Salvador diz que é&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;preocupante, repararam? Qualquer um de nós diria que é um&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;abuso revoltante&lt;/b&gt;. É incrível a maneira como ele e tantos como&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;ele se transcendem todos os dias sem revolta, sem rancor nem&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;ressentimentos. &lt;b&gt;Salvador&lt;/b&gt; demorou uma &apos;eternidade&apos; a chegar ao&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;bar da praia, coisa que nós fazemos sem pensar em 3 passos...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É por estas e por outras que o &lt;b&gt;Salvador&lt;/b&gt; criou uma &lt;a href=&quot;http://www.associacaosalvador.com/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Associação&lt;/a&gt;!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;</description>
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  <category>protestos</category>
  <category>direitos cívicos</category>
  <category>testemunhos</category>
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  <pubDate>Mon, 14 Jul 2008 17:50:04 GMT</pubDate>
  <title>Ninguém quer ver o insuportável</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/101312.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;O caso Fritzl abalou o mundo mas infelizmente não foi o único&lt;/b&gt;. Logo a seguir, em França descobriu-se outro pai que mantinha o mesmo tipo de relação com a sua filha Elizabeth, de quem também teve filhos, embora o sequestro fosse &apos;apenas&apos; psicológico e emocional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ponho aspas na palavra &apos;apenas&apos; porque o terror de viver sequestrada moral ou emocionalmente pode ser tão brutal como o sequestro físico vivido pela filha de Fritzl e filhos. Quando nos interrogamos sobre os cúmplices destas e outras histórias, percebemos que é improvável que outros não estejam envolvidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Hoje o Público traz a notícia de um casal alemão que foi condenado por ter deixado a sua filha morrer à fome. Lea-Sophie tinha cinco anos e pesava 7 quilos. É impossível que outros não tivessem reparado numa criança esquelética que estava literalmente a morrer à fome&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma semana antes de Lea-Sophie morrer os serviços alemães de protecção de menores foram anonimamente contactados e investigaram o apartamento do casal (Nicole, 24 anos e Stefan, 26 anos tinham dois filhos) mas o casal apresentou apenas o filho e escondeu a filha. &lt;b&gt;É extraordinário que os agentes não tenham exigido ver a criança que procuravam mas compete agora às autoridades alemãs investigar estes investigadores&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se falo disto é porque todos sabemos que há sempre mais cúmplices do que aqueles de quem se fala. A mulher de Fritzl nunca desconfiou? Ou era, também ela, violentada e mantida num clima de terror psicológico? E os vizinhos? E o resto da família? E as autoridades?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;É incrível como estas coisas se passam tão perto de nós, na porta ao lado, na rua da frente ou no prédio de trás, em cidades como a deste casal de Schwerin, perto de Berlim, e é incrível como aparentemente ninguém quer ver o insuportável. Dizem os especialistas que na raíz desta cegueira colectiva está o medo de sermos obrigados a ser consequentes e a agir em conformidade, implicando-nos de alguma forma em casos que nos são insuportáveis. Será?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/101312.html</comments>
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  <category>protestos</category>
  <category>medos colectivos</category>
  <category>as vidas dos outros</category>
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  <pubDate>Sun, 13 Jul 2008 20:57:24 GMT</pubDate>
  <title>Tantos talentos desperdiçados ...</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/99061.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Intervalo d&apos; &lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://ww1.rtp.pt/wportal/sites/tv/contemporaneos/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Os Contemporâneos&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;. Desisto mais uma vez e desligo a televisão. Custa-me sinceramente ver tanto talento desperdiçado. Será que a Maria Rueff, o Bruno Nogueira, o Nuno Markl e os outros acreditam mesmo que este programa tem graça? Será que sou só eu que não consigo rir e nem sequer sorrir? O que será que se passa com eles? Ou comigo, sei lá. Se calhar o problema é só meu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É estranho porque, individualmente, todos eles têm graça e sentido de humor. Cada um deles provou os seus talentos no passado recente e não há dúvidas nenhumas sobre isso. Em grupo, neste grupo e neste formato, não têm piada nenhuma. Todos juntos deviam ser explosivos mas não, é o contrário. Os sketchs são quase sempre piadas secas, os personagens fazem quase sempre figuras tristes e o humor é quase sempre pífio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sei que vão ficar todos a odiar-me mas sempre que vejo &lt;b&gt;Os Contemporâneos&lt;/b&gt; fico desconsolada e com aquela vaga sensação de vergonha alheia. Acreditem que não é embirração, é mesmo desolação. Custa-me ver tantos talentos desperdiçados, o que é que querem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/99061.html</comments>
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  <category>protestos</category>
  <category>talentos</category>
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  <pubDate>Fri, 11 Jul 2008 15:33:53 GMT</pubDate>
  <title>Mulheres que fazem mergulho vestidas</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/pS9Rw70FHAmGERPzEbkU&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/pS9Rw70FHAmGERPzEbkU/s320x240&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na linha dos posts que escrevi hoje sobre as mulheres muçulmanas, recebi este mail e esta fotografia (que vale por mil palavras) e não resisto a publicar com a devida autorização da minha amiga, que está a morar em Singapura com o marido e o filho, de quem morro de saudades:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Laurie,&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Ainda a propósito da liberdade da mulher, estas férias estivemos numa praia da Malásia a fazer snorkling e vivi na pele o contraste entre o meu bikini (senti-me nua) e as mulheres que vão para a água tapadas da cabeça aos pés. &lt;br /&gt;
Resta-me a certeza (e a  consolação) de que tanto elas como eu aproveitámos a beleza do fundo do mar e vivemos um dia bem divertido.&lt;br /&gt;
um beijinho cheiinho de saudades.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Maria&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/97805.html</comments>
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  <category>viagens</category>
  <category>os homens e as mulheres</category>
  <category>protestos</category>
  <category>amigos</category>
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  <pubDate>Fri, 11 Jul 2008 10:13:01 GMT</pubDate>
  <title>Provocar os homens do Irão? E do mundo...</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://static.flickr.com/39/74969805_a3ad369c56.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na linha do que escrevi no post anterior e porque existem mil e um blogs,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;movimentos humanitários, associações de cidadãos, políticos e media&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;que lutam por um mundo melhor para as mulheres do mundo islâmico,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não resisto a importar para aqui esta imagem que é claramente uma&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;provocação mas, ao mesmo tempo, um &lt;b&gt;&lt;i&gt;what if&lt;/i&gt;?&lt;/b&gt; E se as iranianas e as&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mulheres do Afeganistão de repente pudessem descobrir a cara e andar&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;livremente pelas ruas? Dizem que muitas destas mulheres que os homens&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;obrigam a andar cobertas nas ruas são lindas. Acredito que haja de tudo e&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não é a revelação da sua beleza que importa mas a noção de liberdade. De&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;poderem decidir elas próprias como saiem e entram nas suas casas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta questão toda faz-me lembrar uma cena que me impressionou uma vez no&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;aeroporto do Cairo. Uma mulher de burkha preta daquelas que só deixam ver&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;os olhos, estava sentada na mesa do restaurante a comer com o seu marido. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aquilo que prendeu o meu olhar foi a maneira como ela levava a comida à boca,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;num gesto aparentemente natural mas cheio de complicações dados os molhos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e migalhas que fatalmente vão ficando agarrados ao tecido preto dos longos véus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isto para já não falar do copo de água quase impossível de beber naquela figura...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para uma mulher ocidental como eu, aquela visão era verdadeiramente &lt;i&gt;&lt;b&gt;disgusting.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pela evidente falta de liberdade daquela mulher, claro, mas também por aquilo em&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;que nunca tinha pensado. A escatologia da coisa não apetece nada, mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O véu e aqueles longos panos pretos (ou azuis em certas culturas) não só se tornam &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;embaraçosos aos nossos olhos como revelam o desconforto acrescentado e nunca&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;imaginado de estas mulheres serem obrigadas a passar horas a fio a respirar através&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;de um pano que fica húmido de certeza e, ainda por cima, sujo de migalhas, molhos e&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;afins, sempre que se sentam à mesa para comer fora de casa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;A questão da higiene, bem-estar e conforto pessoal destas mulheres parece uma questão menor ou lateral? Não acho! &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Para alguns pode ser apenas mais um detalhe mas para mim, que também sou mulher e tive a sorte de nascer num mundo mais livre, é um detalhe hiper-realista que me diz que tudo e tanto é demais para elas! &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/97209.html</comments>
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  <category>protestos</category>
  <category>atitude</category>
  <category>os homens e as mulheres</category>
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  <pubDate>Thu, 10 Jul 2008 23:08:54 GMT</pubDate>
  <title>Esta mulher vendeu a filha de 10 anos e prostitui-se</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/96877.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; height=&quot;299&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;450&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.motherjones.com/photo/2007/07/hidden_half_01_580x385.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Afghanistan has more than 2 million widows, and these and other desperately poor women often turn to prostitution, despite the risk of being killed by their families if they are discovered. So they remain in the shadows, beneath a double veil of tradition and shame. This woman’s husband is too old to work. She sold her daughter into marriage before the girl was 10, and now she sells herself.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Copiei a imagem e o texto do site americano &lt;a href=&quot;http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.motherjones.com/photo/2007/07/hidden_half_01_580x385.jpg&amp;amp;imgrefurl=http://www.motherjones.com/photo/2007/07/hidden_half-2.html&amp;amp;h=385&amp;amp;w=580&amp;amp;sz=59&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;start=17&amp;amp;um=1&amp;amp;tbnid=IeY1BYM6B0CRmM:&amp;amp;tbnh=89&amp;amp;tbnw=134&amp;amp;prev=/images%3Fq%3Dburkha%2Bwomen%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Mother Jones&lt;/a&gt;, de San Francisco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.motherjones.com/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Mother Jones&lt;/a&gt; também é uma revista em papel mas acima de tudo é um conceito de&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;jornalismo livre, sem medo de pôr o dedo nas maiores feridas sociais e políticas do&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;mundo moderno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os reporteres MoJo, como eles dizem, investigam sobre torturas e torturadores,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;sobre a situação das mulheres no Afeganistão, sobre o comércio sexual e sobre tudo&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;aquilo que expõe as chagas da condição humana. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A aposta da equipa de &lt;a href=&quot;http://www.motherjones.com/news/feature/2008/03/torture-index.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Mother Jones&lt;/a&gt; é mostrar o pior e lutar por um mundo melhor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;</description>
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  <category>media</category>
  <category>direitos humanos</category>
  <category>protestos</category>
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  <pubDate>Tue, 08 Jul 2008 07:46:56 GMT</pubDate>
  <title>Ainda os cantoneiros desta noite</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border-left-color: black; border-bottom-color: black; border-top-color: black; border-right-color: black&quot; alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.jornalmudardevida.net/wp-content/uploads/2007/11/cmlplenario7nov-noite72dpi.jpg&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;À luz do dia mas ainda sobre os cantoneiros que limpam as ruas da cidade&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;durante a noite, queria acrescentar só mais uma coisa ao meu imenso e&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;sincero obrigado e esta legião de homens que limpam o que todos sujamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitas vezes acontece-me chegar a repartições públicas, a guichets onde trabalham&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;funcionários cujas funções são justamente atender o público, e encontrar pessoas&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;antipáticas e pouco disponíveis para o serviço para o qual são pagas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sublinho este facto para que outro fique ainda mais sublinhado: falo da simpatia&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e da cordialidade que estes homens revelam, mesmo trabalhando em horas que&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;não apetece, com lixos e cheiros nauseabundos que se colam à pele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ou seja se há alguém que podia andar mal-disposto com os outros eram estes &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;funcionários e não os tais a quem nunca ninguém fez mal, nem sujou nada que&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;eles tivessem que ir a seguir limpar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>atitude</category>
  <category>protestos</category>
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  <pubDate>Tue, 08 Jul 2008 00:37:32 GMT</pubDate>
  <title>Tiro o chapéu aos homens das limpezas!</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
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  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;

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&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cheguei a casa tarde, noite cerrada, à hora a que os homens das limpezas recolhem o lixo e lavam as ruas da cidade. Cruzo-me com eles muitas vezes, nunca são os mesmos e são todos simpáticos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muito educados, gentis e tolerantes, surpreendem-me sempre. Muitas vezes sou obrigada a avançar lentamente atrás deles pela rua acima e tenho tempo para observar as suas rotinas. Detenho-me nos seus gestos e na maneira como lidam com as pessoas que vêm da noite ou passam distraídas nas ruas, sem reparar que eles fazem o trabalho que ninguém quer fazer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto vou no conforto do meu carro, a ouvir a minha música ou a falar com quem quero e gosto, eles viajam pendurados em camiões com cheiros nauseabundos e passam horas a fio a mexer no lixo e a recolher coisas inenarráveis deixadas pelas pessoas nos passeios e nos caixotes. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div&gt;Hoje cruzei-me à entrada da minha rua com &lt;span style=&quot;color: #ff0000&quot;&gt;&lt;b&gt;Nuno Martins&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;, 43 anos, casado, um filho de 16 anos (a idade do meu filho), que é cantoneiro de limpezas da Câmara Municipal de Lisboa. Nuno trabalha invariavelmente de noite e lava as ruas que ficam sujas pelo movimento habitual das pessoas e carros mas também lava muitas porcarias abomináveis. Nojentas, mesmo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Falo dos donos de cães que os levam a passear e não apanham o cocó que eles fazem nos passeios, mas também falo de mil e uma coisas mais ou menos inconcebíveis que as pessoas escandalosamente deitam para a rua, em plena cidade.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não resisti a sair do carro e a pedir-lhe uma breve entrevista para o blog. Hesitei se o havia de fazer por pudor em devassar a sua privacidade, mas depois decidi avançar porque vivo eternamente agradecida a este e outros homens que desconheço, e todas as noites tornam esta cidade um lugar possível para morar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff0000&quot;&gt;&lt;b&gt;De facto não há trabalhos mais ou menos dignos. O que há é pessoas que dão dignidade a tudo o que fazem.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; Nuno Martins respondeu às minhas perguntas hesitantes sem deixar de fazer o que estava a fazer e mais uma vez leio neste gesto um escrúpulo e um profissionalismo invulgares. &lt;span style=&quot;color: #ff0000&quot;&gt;&lt;b&gt;Ou seja para além da dignidade que dão ao que fazem, não brincam em serviço!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;P.S.: ao fazer o &lt;i&gt;upload&lt;/i&gt; da entrevista verifiquei que o filme ficou ainda mais escuro do que já estava no original. É pena porque o sorriso e os gestos de Nuno também eram eloquentes. Fica mais resguardada a sua privacidade, afinal. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt; &lt;/div&gt;</description>
  <comments>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/94217.html</comments>
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  <category>protestos</category>
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  <pubDate>Mon, 07 Jul 2008 00:20:14 GMT</pubDate>
  <title>Acordar para a realidade</title>
  <author>Laurinda Alves</author>
  <link>https://laurindaalves.blogs.sapo.pt/93725.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;img height=&quot;330&quot; width=&quot;400&quot; border=&quot;0&quot; src=&quot;http://www.huffingtonpost.com/huff-wires/20080703/colombia-hostages/images/c6a315ef-ffc1-4edc-995b-12c8c671d90c.jpg&quot; style=&quot;border-color: black;&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;b&gt;É bom adormecer e acordar, um dia atrás do outro, com a certeza de que este pesadelo acabou e o sonho de tantos, há tantos anos, se tornou realidade. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;b&gt;Falta libertar os outros 700 reféns!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>actualidade política</category>
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