Na próxima quinta-feira, dia 31, Lisboa vai ser palco de um encontro inédito: centenas de talentos portugueses de todas as gerações e áreas vão juntar-se no Campo Pequeno entre as seis da tarde e as nove da noite.
O conceito Startracking, criado em Setembro passado pela equipa da Jason Associates, já tem mais de 15 mil portugueses em rede e é um fenómeno sociológico que obriga a repensar questões como a diáspora e a noção de talentos (até por comparação ou eventual oposição à noção de competências, pois nem sempre a nossas competências revelam os nossos verdadeiros talentos).
Habituámo-nos a achar que os emigrantes portugueses eram uma casta aparte, e nem sempre das melhores castas. Falar dos tiques de linguagem dos que viveram fora e das casas construídas pelos emigrantes foi durante décadas uma atitude desvalorizante e muitas vezes motivo de troça ou anedota.
Todos sabemos que no passado houve histórias de grande sucesso empresarial e outras (em linhas académicas, culturais e científicas mais sofisticadas e mais ‘estilo António Damásio’) mas também todos temos consciência de que a maioria dos emigrantes foi obrigada a sobreviver em condições muito duras e adversas.
À excepção dos que já eram e voltaram a ser ricos, dos 'meninos de família' que foram estudar para as melhores universidades do mundo e dos casos de sucesso daqueles que, com ou sem apoio de retaguarda, venceram na vida, os emigrantes portugueses eram vistos como uma imensa legião de desenraizados, sobreviventes e ‘filhos de porteira’.
Os tempos mudaram e os emigrantes também. Onde há uma geração atrás ainda se lia ‘competência e sobrevivência’, agora lê-se ‘talento e conquista’. É extraordinária a mudança e é extraordinário como apesar de tudo continuamos a falar quase sempre dos 10 milhões de portugueses que vivem no país, quando ao todo somos quase 15 milhões.Há cinco milhões a viver fora, a estudar, a trabalhar e a dar o seu contributo e, no entanto, raramente falamos de nós como sendo um todo. E os mesmos.
O conceito Startracking e a imensa rede de Startrackers que aumenta de mês para mês, veio confirmar aquilo que muitos já sabemos há muito tempo: primeiro os portugueses que vivem fora são tão portugueses como os que vivem dentro; segundo os emigrantes já não são o que eram e a nossa diáspora mudou radicalmente.
Hoje em dia há milhares de portugueses a estudar e a trabalhar em sítios-chave, a serem agentes de mudança e transformação do mundo. E é porque toda esta realidade mudou que merece ser revelada, reconhecida e estimulada.
Depois de uma sucessão de encontros Startracking em Nova Iorque, São Paulo, Paris, Londres e Madrid, é a vez de juntar os talentos portugueses em Portugal. A data foi criteriosamente escolhida para que muitos dos que vivem fora pudessem estar em Lisboa, aproveitando a sua vinda de férias.
Há um programa para este encontro de dia 31 que ainda não pode ser divulgado porque contém surpresas e requer alguma contenção (o mistério sempre foi muito tentador) mas tenho estado muito próxima da organização e posso garantir que o suspense que agora envolve o encontro do Campo Pequeno faz sentido e vai potenciar ainda mais a vibração do momento. Vale a pena ficarmos atentos ao dia 31, portanto.