Acabei de ouvir nas notícias que a Câmara de Cascais, em
parceria com uma empresa cujo nome me escapou mas
está ligada ao ambiente (gostava de ter fixado a sigla mas
vinha a guiar e nem sequer a percebi bem), retiraram este
ano das praias 27 toneladas de lixo entre Julho e Setembro.
É impressionante a quantidade de lixo que as pessoas vão
deixando atrás de si nas praias e nos lugares públicos. E é
chocante perceber que muitas destas pessoas o fazem sem
ser por esquecimento. Muito pelo contrário, agem como se
fosse legítimo sujar, manchar, degradar e conspurcar os sítios
onde passam e onde é suposto estar tudo em ordem para os
próximos. E para os que acabaram de sujar mas se calhar até
estão a pensar voltar! Detesto ver lixo nos jardins, nas bermas
das estradas, nos rios, nas praias, em todos os lugares onde
todos sabemos que é proibido deixar coisas fora do seu lugar.
Ontem fotografei esta praia, na Linha de Cascais, por me ter
chamado a atenção uma areia tão lavada e limpa. Nunca a
tinha visto tão imaculada e, por isso, não resisti. Hoje percebi.
E agora, que ouvia as notícias quando voltava da missa, não
resisto a deixar aqui uma frase dita uma vez por Alberto Brito,
padre jesuíta, que continua a fazer eco em mim e me guia:
Jamais poderemos controlar o que entra em nós e teremos
sempre dificuldades em controlar o que está dentro de nós,
sejam os pensamentos que nos habitam ou os sentimentos
que nos trespassam. Só conseguimos realmente controlar
aquilo que sai de nós. As acções, as palavras e os silêncios.

Acabei de ser roubada por um taxista. Não há
direito! Apanhei um táxi da Sé de Lisboa para
o Chiado e, no momento de pagar, pousei o
telemóvel no banco. Começou a chover, atrás
havia carros à espera e, com a pressa de sair
esqueci-me do telemóvel dentro do táxi. Pior,
não pedi factura e por isso não fiquei com o
contacto do taxista. Se ele fosse um homem
correcto e de bem, ou seja se não fosse um
ladrão que aproveita a ocasião, teria atendido
o meu telemóvel e teria voltado à minha rua
para mo devolver. Acontece que não só não
atendeu como se despachou a desligá-lo!
Não há direito, insisto. Custa imenso admitir
que um profissional dos táxis afinal também
é um ladrão profissional. Que asco. Muito mau.
Tudo isto para ir a um concerto de órgão de tubos
com o meu filho, que queria muito ouvir Messiaen.
Custou-me caro o concerto e perdi todos os contactos!
Agradeço a todos e em especial à Ana Paulo Santos as informações sobre a autoria do Cristo da Igreja da Santíssima Trindade, em Fátima.
"Realmente, não podemos considerá-lo bonito, mas parece que é propositadamente. É da autoria de uma artista irlandesa, Catherine Green. De acordo com declarações do santuário "Não se trata de um Cristo sofredor, não é um Cristo de glória, mas de passagem para a Glória, com influência da arte bizantina".
Apesar das explicações, intenções e supostas influências artísticas esta imagem de Cristo continua a ser medonha. Pavorosa, mesmo. Concordo inteiramente com a minha mãe quando diz, com a intimidade dos que sabem a cara de Jesus porque conhecem o Seu coração, que o próprio Cristo deve estar muito triste com esta imagem desfigurada.
- Eu acho que Ele olha para si, nesta figura, e Ele que é todo bondade nem a si próprio se reconhece! - garante a minha mãe. Percebo-a e não me custa acreditar que tenha razão, sim.
Estive em Fátima, onde participei numa conferência sobre
Acção Social e a transformação que ela implica no mundo.
Depois da conferência não resisti a entrar na nova igreja
monumental, construida no recinto de Fátima. Fui com a
minha mãe. Entrámos pelas portas grandes, majestosas.
Lá dentro o Cristo na cruz, suspenso sobre o centro do altar.
Tudo como seria de esperar se este Cristo não fosse uma
figura estranha, desproporcionada e quase assustadora.
A minha mãe já O tinha visto mas eu não. Ao meu lado e em
tom reverente, dadas as circunstâncias, disse em voz baixa
mas altamente indignada: Já viste? É muito feio e tem cara
de facínora. Mete medo. Este não é o Cristo que eu conheço!
Não pude conter um ataque de riso em plena igreja a olhar
para a 'cara de facínora' daquele Cristo. É medonho, sim e
também eu não reconheço este Cristo. Quem será o autor?

A minha crónica de sexta-feira passada no jornal Público. É impossível não ficarmos indignados perante as reacções e declarações de responsáveis que se recusam a incluir os que têm necessidades especiais. A mim repugnam-me todas as formas de exclusão e por isso aqui fica o texto da minha indignação.

Uso aqui de propósito a imagem de um cartaz australiano que denuncia a violência doméstica e as mortes a que ela conduz para ilustrar a crónica que escrevi para o jornal Público de sexta-feira passada, para que fique muito claro que embora eu fale das 31 mulheres portuguesas assassinadas, infelizmente esta realidade cruza todas as fronteiras.
Feios, porcos e maus
Li com atenção, perplexidade e nojo as páginas do Público de terça-feira passada sobre as 31 mulheres assassinadas este ano pelos namorados, maridos e amantes. O enunciado é difícil de acompanhar mas não é por todas as vítimas serem mulheres ou crianças. É pela violência da coisa propriamente dita. Podiam ser homens, velhos ou novos, que a repugnância era igual. Não se trata de uma reacção feminista, quero dizer. Trata-se de uma consciência profunda de que há quem morra porque teve o azar de casar ou dormir com o inimigo.
Bar de praia no Algarve. Entre os dois carros brancos existe
um sinal que diz "estacionamento proibido excepto cargas e
descargas" mas é como se o sinal não estivesse lá. Há carros
estacionados durante o dia inteiro, coisa que torna o acesso ao
bar mais difícil, em especial para quem tem handicaps físicos.
Dois comentários: primeiro sublinhar as palavras do Salvador,
que vive todos os dias esta realidade e sofre na pele a falta de
civismo. Depois sublinhar a atitude e a delicadeza que usa para
classificar os que não cumprem as regras. Salvador diz que é
preocupante, repararam? Qualquer um de nós diria que é um
abuso revoltante. É incrível a maneira como ele e tantos como
ele se transcendem todos os dias sem revolta, sem rancor nem
ressentimentos. Salvador demorou uma 'eternidade' a chegar ao
bar da praia, coisa que nós fazemos sem pensar em 3 passos...
É por estas e por outras que o Salvador criou uma Associação!
O caso Fritzl abalou o mundo mas infelizmente não foi o único. Logo a seguir, em França descobriu-se outro pai que mantinha o mesmo tipo de relação com a sua filha Elizabeth, de quem também teve filhos, embora o sequestro fosse 'apenas' psicológico e emocional.
Ponho aspas na palavra 'apenas' porque o terror de viver sequestrada moral ou emocionalmente pode ser tão brutal como o sequestro físico vivido pela filha de Fritzl e filhos. Quando nos interrogamos sobre os cúmplices destas e outras histórias, percebemos que é improvável que outros não estejam envolvidos.
Hoje o Público traz a notícia de um casal alemão que foi condenado por ter deixado a sua filha morrer à fome. Lea-Sophie tinha cinco anos e pesava 7 quilos. É impossível que outros não tivessem reparado numa criança esquelética que estava literalmente a morrer à fome.
Uma semana antes de Lea-Sophie morrer os serviços alemães de protecção de menores foram anonimamente contactados e investigaram o apartamento do casal (Nicole, 24 anos e Stefan, 26 anos tinham dois filhos) mas o casal apresentou apenas o filho e escondeu a filha. É extraordinário que os agentes não tenham exigido ver a criança que procuravam mas compete agora às autoridades alemãs investigar estes investigadores.
Se falo disto é porque todos sabemos que há sempre mais cúmplices do que aqueles de quem se fala. A mulher de Fritzl nunca desconfiou? Ou era, também ela, violentada e mantida num clima de terror psicológico? E os vizinhos? E o resto da família? E as autoridades?
É incrível como estas coisas se passam tão perto de nós, na porta ao lado, na rua da frente ou no prédio de trás, em cidades como a deste casal de Schwerin, perto de Berlim, e é incrível como aparentemente ninguém quer ver o insuportável. Dizem os especialistas que na raíz desta cegueira colectiva está o medo de sermos obrigados a ser consequentes e a agir em conformidade, implicando-nos de alguma forma em casos que nos são insuportáveis. Será?
Intervalo d' Os Contemporâneos. Desisto mais uma vez e desligo a televisão. Custa-me sinceramente ver tanto talento desperdiçado. Será que a Maria Rueff, o Bruno Nogueira, o Nuno Markl e os outros acreditam mesmo que este programa tem graça? Será que sou só eu que não consigo rir e nem sequer sorrir? O que será que se passa com eles? Ou comigo, sei lá. Se calhar o problema é só meu.
É estranho porque, individualmente, todos eles têm graça e sentido de humor. Cada um deles provou os seus talentos no passado recente e não há dúvidas nenhumas sobre isso. Em grupo, neste grupo e neste formato, não têm piada nenhuma. Todos juntos deviam ser explosivos mas não, é o contrário. Os sketchs são quase sempre piadas secas, os personagens fazem quase sempre figuras tristes e o humor é quase sempre pífio.
Sei que vão ficar todos a odiar-me mas sempre que vejo Os Contemporâneos fico desconsolada e com aquela vaga sensação de vergonha alheia. Acreditem que não é embirração, é mesmo desolação. Custa-me ver tantos talentos desperdiçados, o que é que querem.
Na linha dos posts que escrevi hoje sobre as mulheres muçulmanas, recebi este mail e esta fotografia (que vale por mil palavras) e não resisto a publicar com a devida autorização da minha amiga, que está a morar em Singapura com o marido e o filho, de quem morro de saudades:
Laurie,
Ainda a propósito da liberdade da mulher, estas férias estivemos numa praia da Malásia a fazer snorkling e vivi na pele o contraste entre o meu bikini (senti-me nua) e as mulheres que vão para a água tapadas da cabeça aos pés.
Resta-me a certeza (e a consolação) de que tanto elas como eu aproveitámos a beleza do fundo do mar e vivemos um dia bem divertido.
um beijinho cheiinho de saudades.
Maria
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