Quarta-feira, 14 de Abril de 2010
Tango argentino com o DJ Hagen e, depois, goodbye Berlin!

 

O Clarchen's Ballhaus de Berlim enche todas as noites e, em especial, quando há tangos e milongas. Ou seja, todas as terças. Acabámos as filmagens nesta cidade a ver dançar tango e a filmar a Joana Bértholo num salão de baile tão alternativo como romântico. Ou seja, um filme dentro de outro filme. Goodbye Berlin!

 

 

publicado por Laurinda Alves às 01:15
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Sábado, 16 de Janeiro de 2010
Lareira, amigos e conversas à volta da mesa num sábado

 

Nesta imagem aparentemente branca estão reflectidos alguns dos meus melhores amigos, à volta de uma mesa de almoço tardio num sábado como hoje, em que apetece passar o dia à lareira, em conversas demoradas, sem tempo nem fim. Estou melhor da gripe e espero recomeçar a semana em forma. Deixo aqui a memória de um brunch num lugar muito bonito e acolhedor do Porto, mesmo em frente da Praia da Luz. Não me lembro se o número da porta é 44 ou 66, mas tem uma montra de loja a dar para a rua e temos que entrar e seguir em frente. É um espaço lindo de onde não apetece sair. Estive lá no sábado passado e espero voltar em breve. Bom fim-de-semana!

 

publicado por Laurinda Alves às 12:03
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
A Mena voltou e foi uma alegria vê-la!

 

Quem acompanha este blog desde o início conhece a Mena e sabe o valor que ela tem para mim e para o meu filho Martim. Quase vinte anos de vida em comum é uma vida muito longa e cheia de memórias que não se apagam. A Mena nunca dormiu cá mas também nunca nos faltou durante o dia. Ao longo de duas décadas fomos uma família mas em Julho atingiu a idade da reforma e como tem o marido doente, decidiu deixar de trabalhar fora de casa. Despedimo-nos com abraços e sem palavras. Os meses de Verão atenuaram as saudades mas agora apetecia muito vê-la. Combinámos esta semana e a Mena voltou a uma casa que também é dela. A Manuela, que recebeu o testemunho da Mena e a conheceu apenas durante duas breves tardes, também criou uma cumplicidade alegre com ela e achei divertido apanhá-las às gargalhadas no corredor.

  

 

Não há palavras para descrever a ternura e a gratidão que sinto em relação à Mena, que me ajudou a cuidar do Martim desde que nasceu e a manter a casa em ordem. Curiosamente a Manuela só está connosco há dois meses mas os laços que nos unem também já são muito fortes. Há pessoas com sorte em relação às equipas com quem trabalham e eu sou uma delas. Apesar da 'antiguidade' da Mena, posso garantir que uma e outra são dois anjos na nossa vida. Leves, alegres, disponíveis e francas. Um privilégio sem tamanho nos dias que correm.   

 

 

Gosto de me sentir em casa com aqueles de quem verdadeiramente gosto e adoro que também se sintam assim em minha casa. Acho que é o caso.  

 

publicado por Laurinda Alves às 01:29
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Quinta-feira, 26 de Março de 2009
Detalhes de uma casa com 60 filhos

 

 

Tenho visitado muitas instituições de acolhimento de jovens

e crianças em risco nestes últimos tempos e tenho estado

ainda mais rente a uma realidade que acompanho há anos.

Não vou contar aqui as histórias destes rapazes e raparigas

que por terem sido maltratados, abusados, negligenciados 

ou abandonados, foram retirados às suas famílias e vivem

em instituições onde, com mais ou menos dificuldades, vão

crescendo, desenvolvendo capacidades e adquirindo novas

competências. Não conto as histórias porque são terríveis e

porque são muitas. Cada caso é um caso e aquilo que todos

os que se dedicam a acolher estes jovens e crianças sabem

é que no passado as suas vidas foram mesmo muito difíceis.

Estas imagens dos armários das calças e dos sapatos são

do Centro de Apoio Familiar Pinto de Carvalho, em Oliveira

de Azeméis, e mostram a escala de uma casa familiar onde 

moram 60 'filhos'. Onde vivem, estudam, dormem  e comem

também graças aos apoios da comunidade e das empresas

que reconhecem o trabalho desta e outras instituições e todas

as semanas dão roupa, calçado e alimentos. Só iogurtes para

esta casa são setecentos por semana. Fora tudo o resto, claro.

  

 

Impressionam tanto as histórias de vida dos jovens e crianças

como a dedicação das equipas de profissionais e técnicos que

os ajudam a crescer e a recuperar a dignidade e o sentido de vida.

 

publicado por Laurinda Alves às 10:23
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Sábado, 21 de Março de 2009
Encontro imediato com uma leitora do blog

 

Eu e a Joana Freudenthal em Vila Real, ontem à tarde num

encontro meio surpresa, meio anunciado por ela própria no

blog. Acho graça conhecer pessoalmente as pessoas que

se juntam neste blog, que o comentam e acrescentam em

cada dia. E acho graça registar o momento de um encontro

altamente improvável numa cidade de que gosto muito mas

onde vou poucas vezes. Graças à campanha do MEP tenho

tido este privilégio de percorrer o país de norte a sul e ilhas!

 

publicado por Laurinda Alves às 09:29
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Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Gestos simples que não se esquecem

 

 

Alimentar o outro é sempre um gesto duplamente feliz. No

sentido literal, de poder saciar a sua fome, mas também 

no sentido mais profundo de alimentar a alma e o espírito

através de um simples gesto de generosidade e atenção. 

 

 

Esta semana andei pelas ruas de Arganil de um lado para

o outro, cheia de compromissos e sem tempo para parar e

comer mas, às tantas, percebi que estava a morrer de fome

e parei nesta frutaria do Sr. Ivo para comprar uma tangerina.

Eram quase horas de almoço e não queria comer muito e,

daí, a simplicidade da compra. Mas eis que o Sr. Ivo decidiu

oferecer-me a tangerina.Estendeu a mão e não deixou pagar. 

 

Agradeci a generosidade e registei o gesto pela simplicidade

e pela atenção. Claro que uma tangerina não enriquece nem

empobrece o negócio do Sr. Ivo mas, na verdade, ele deu-me

aquilo de que vive e, por isso mesmo, o gesto tem mais valor. 

publicado por Laurinda Alves às 09:36
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Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
Estes miúdos são irrepetíveis

 

É impossível esquecer estes miúdos que conheci no Clube

Porta Aberta, no Bairro do Cerco, no Porto. Quem conhece

esta cidade sabe bem de que bairro falo. Trata-se de uma

zona muito problemática do Porto, onde a realidade é mais

gritante do que a ficção e onde as crianças assistem a tudo.

A Diana fez-me um livrinho de telefones com a Hello Kitty na

capa, desenhada por ela, e ofereceu-me. O Luis Miguel e a

Cláudia passaram o tempo todo abraçados a mim e isso é

uma memória de ternura que não se apaga. Muito queridos!

 

publicado por Laurinda Alves às 20:26
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009
Pessoas que me enchem de alegria

 

Fernando da Silva, dono das Sapatarias Fernando em Braga,

é um homem muito especial. 88 anos já completos, pai de

3 filhos, avô de 4 netos e bisavô de 4 bisnetos, mais um que

vem a caminho, este homem mantém uma excelente forma

física e anda de bicicleta todos os dias pelo menos 2 horas.

Conheci-o este fim-de-semana em Braga e reparei nele a dar

as suas voltas pelo centro da cidade por ter esta idade e elegância!

 

 

Pedi ao sr. Fernado se o podia filmar e entrevistar e ele disse que sim

e voltou atrás e à frente para as filmagens. Muito querido. Depois de lhe

ter feito a breve entrevista que se segue contou-me coisas comoventes

sobre a sua vida. Não resisto a deixar aqui apenas uma parte desta sua

conversa que me tocou pela ternura e pela sua luz e alegria tão evidentes.

 

- Sou do tempo dos que namoravam lá para cima, sabe?! A olhar para uma

janela...A primeira vez que pus a mão da minha mulher na minha foi no dia

em que nos casámos. Parecia seda pura, uma maravilha! Esse dia foi um

dos mais felizes da minha vida. Mas houve outros...o dia em que nasceu o

nosso primeiro filho e depois o dia em que nasceu o nosso primeiro neto e

sabe uma coisa?! O dia em que nasceu o primeiro bisneto, esse sim foi um

dia muito feliz. As núpcias com a minha mulher foram outro tempo de felicidade!

 

A maneira como o Sr. Fernando contou tudo isto e o olhar limpo e feliz com que

descreveu a sua felicidade encheram-me de alegria e gratidão por este encontro.

 

  

Tudo isto porque estou a viver um tempo de privilégio em que percorro o país de

norte a sul (ilhas incluídas!) em campanha pelo MEP, a apresentar as razões da

minha candidatura ao Parlamento Europeu. Um tempo de encontros prodigiosos...

publicado por Laurinda Alves às 15:02
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
Pensamentos da manhã para a tarde

 

Três flores apanhadas do chão com folhas ainda presas aos

caules. Três flores em pré-decadência que enchem de luz e

cor uma sala inteira só porque alguém se lembrou de as pôr

ali, pousadas num vidro fosco sobre uma mesa transparente.

Tinha um compromisso marcado esta manhã muito cedo na

Linha, numa casa que dá para a Marginal e o mar, cheguei a

horas (sou fanática da pontualidade, herdei da minha mãe!),

mas estava cheia de sono por causa de uma estúpida insónia

que me atrapalhou desde as 4h da manhã e acabou por me

fazer levantar e trabalhar a essa hora. Resultado: às 9h já eu

tinha cinco horas de avanço no dia e já estava cansada. Não

pelo excesso de trabalho mas pela noite quase em branco...

Estas flores ali pousadas com esta cor e esta luz fizeram-me

bem e dei comigo mais contente. Não sei explicar o fenómeno,

só sei que aconteceu assim. Conhecendo-me como conheço

sei que são os pequenos detalhes e os pequenos gestos que

fazem a diferença nos meus dias. Hoje foram estas flores, por

conhecer tão bem as mãos de quem as colheu e os olhos de

quem olhou para elas e percebeu que por estarem a envelhecer

não eram menos bonitas. Gosto de gente com este olhar limpo!

 

   

 

publicado por Laurinda Alves às 15:30
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
O tempo, esse supremo luxo moderno

Pediram-me que escrevesse sobre luxos modernos para a edição especial da revista Pública que saiu no domingo passado. Depois de pensar no desafio decidi escrever sobre o tempo que é, para mim, o maior de todos os luxos. Deixo aqui a sucessão de pequenos textos que sairam na revista há dois dias. São histórias verdadeiras.

 

 

O TEMPO E OUTROS LUXOS QUE O DINHEIRO NÃO COMPRA
 
- Penso em ti uma vez por dia: de manhã à noite!
Ri com os olhos, inclina a cabeça ligeiramente para o lado, abre os braços e estica-os muito para a abraçar com mais força. Diz-lhe esta e outras coisas sem hesitar. Tem ar de rapaz e gestos de homem feliz.
- Há anos que eu tinha saudades tuas!
Ela ouve-o e ri com ele. Deixa-se abraçar e levar. Caminham devagar e de vez em quando param na rua para se abraçar. Voltam a andar e mais adiante tornam a parar. Ele segura-a pelos ombros e levanta-lhe o cabelo com as mãos para lhe dar um beijo no pescoço. E mais um abraço demorado.
Vão pelo passeio, alheios a quem se cruza com eles. O tempo ficou lá atrás, parado, suspenso, num compasso impossível de medir. Nunca saberão ao certo que horas eram naquela tarde mas talvez fixem a data porque há dias importantes que apetece reviver. Desaparecem na esquina ao fundo e não os voltamos a ver.
                
                                                           
                                                                      *
 
- Que horas são?
- Passa das duas da tarde.
- Onde é que estou?
- No hospital.
- Desde quando?
- Há quase um mês.
O silêncio pesa no quarto. Ele fecha os olhos devagar e faz um esforço mas não consegue lembrar-se dos dias. Um mês inteiro?
- Quando chegou dizia coisas incompreensíveis, delirava. Deu-me a mão e perguntou o meu nome. Falava uma língua estranha.
- Não me lembro de nada. Não me lembro do tempo. Como se chama?
- Olívia. Em que país nasceu?
- Na Grécia, em Ia.
- O seu navio ficou em mau estado mas não afundou. Salvaram-nos a tempo, a si e ao barco. Há quantos meses estava no mar?
- Não sei, não me lembro. Deixe-me ver as suas mãos.
A enfermeira estendeu a mão direita e ele segurou-a com solenidade. Olhou para as linhas em silêncio, alisando a pele com cerimónia e devoção.
- Ensinaram-me a ler as mãos na Índia mas agora estou cansado demais, não consigo distinguir as linhas mais fundas. Os meus olhos estão pesados.
Calou-se e ficou de olhar fixo no vazio branco da parede em frente. Ela retirou a mão, compôs a manga junto ao pulso e olhou através da janela. Ficou à espera que ele dissesse alguma coisa mas ele adormeceu outra vez. Quando acordou tinham passado mais dois dias. Ela permanecia à cabeceira e ele voltou a perguntar pelas horas. E pelos meses.
O hospital foi o tempo sem tempo que lhes mudou a vida para sempre. Nas linhas da mão da enfermeira Olívia afinal estava escrito que iam casar e ter três filhos. Casaram, os três filhos nasceram na Grécia, mais tarde vieram todos de barco para Portugal e muitos anos depois ela morreu com o marido velhinho à cabeceira. Sessenta anos foi o tempo que durou o casamento. A enfermeira Olívia morreu e um mês depois morreu o marido. Dizem que foi por amor.
 
(nota: esta história é a mesma que eu comecei por contar aqui há umas semanas)  
                                                                     
                                                                  *
 
Filho de pai e mãe médicos, quando era criança usava a casinha das bonecas do colégio para dar consultas e explicar aos amigos porque é que o chi-chi é amarelo. Também sabia dar injecções e falar sobre doenças. Os colegas da aula ouviam-no com atenção e decoravam as palavras que usava com grande eloquência. Achavam sinceramente que se calhar ele também era médico. Isto, apesar de ainda nem ter seis anos. Nestas idades acreditamos sinceramente em muitas coisas e até no Pai Natal.
Um dia perguntaram-lhe o que queria ser quando fosse grande e ele respondeu muito alto e muito depressa:
- Cientista genético, para clonar a minha avó!
A avó sorriu quando lhe contaram a ambição deste neto. Tem outros, que ainda não descobriram o que querem ser quando forem grandes, mas tal como o primo-médico também sabem que o tempo que passam juntos é o melhor tempo do mundo.
 
                                                                  
                                                                    *
 
- Nasci numa ilha, num país periférico, e queria muito ter uma experiência metropolitana. Precisava de conhecer a metrópole, de a viver e sentir, para ter bom material para a minha escrita. Queria ser escritor e ter uma personalidade e uma vivência adequadas. Para mim todos os grandes escritores tinham personalidades de escritor. Pensava em Somerset Maugham ou em Aldous Huxley e achava que nunca na minha vida ia conseguir ter uma personalidade como a deles. E histórias para contar como eles tinham.
O escritor fala dos seus 16 anos, de um tempo de ambição e dúvida, de certezas e perplexidades, de medos e sonhos sem fronteiras. Agora tem 76 e a vida que viveu e tudo o que escreveu fala por si. Tanto, que ele poupa nas palavras ditas. É escasso na retórica e, por isso, pouco discursivo. Prefere ler do que falar. E escrever, claro.
Talvez V.S. Naipaul seja como Nabokov quando dizia “fui sempre um orador desgraçado. O meu vocabulário habita nas profundezas do meu espírito e precisa do papel para se soltar e ascender à zona física. A eloquência espontânea sempre me pareceu um milagre”. Talvez. Não sei, não lhe perguntei. Limitei-me a ouvi-lo falar, ou melhor a ouvi-lo ler o que contava sobre a sua adolescência e os anos que antecederam a sua grande viagem para a Metrópole. De Trinidad para Londres.
Na metrópole V.S. Naipaul descobriu pessoas e histórias e cartografou a alma humana. As vidas dos estranhos interessaram-lhe tanto que passou a sua própria vida a biografá-los. Afinal não era como aqueles grandes escritores de grandes romances e tremendas ficções que admirava na juventude. Era diferente, tinha fascínio por outras coisas e desenhou uma geografia própria. Demorou décadas a apurar o estilo e a emendar a mão mas valeu a pena a demanda por essa complexa substância metropolitana. Ganhar prémios e muito dinheiro foi importante para ele? Foi. Ou talvez não, não tem bem a certeza. A memória sim, é importante para ele. E as vidas dos outros e as camadas de tempo sobre o tempo.
         
                                                               
                                                                    *
 
- Chegámos a Moçambique em vésperas de Natal, as noites são muito quentes e os dias ardentes. No chão das ruas há uma poeira bíblica e dos poucos metros de asfalto que sobram nas estradas desprendem-se ondas de calor que fazem mexer o horizonte ao longe. O ar perdeu a transparência e sente-se um sufoco permanente. Vivemos de madrugada e depois recolhemo-nos e esperamos pelo entardecer. Os dias são compridos e muito preenchidos porque falta quase tudo neste lugar. Quando estamos em casa ligamos a ventoinha preguiçosa de pás enormes que demora a arrancar e roda muito devagar, fazendo ranger a madeira do tecto. Parece um interminável lamento, um queixume antigo, mas já estamos habituados. Aqui em Matacuane, na Beira, a nossa casa fica mesmo em frente da Igreja Paroquial e está colada a uma das ruas mais movimentadas da cidade. Somos vizinhos do “corredor” que é realmente um corredor estreito por onde se estendem incontáveis bares onde os moçambicanos acabam os seus dias. E as suas noites. Nós adormecemos embalados pelo som dos carros e camiões que passam por baixo da nossa janela e, sem querer, acabamos por tomar parte nas conversas dos homens e mulheres que se juntam nos bares até ser madrugada. Viemos em missão e vamos ficar um ou dois anos, depende. Temos tempo. No domingo passado uma senhora na missa veio ter connosco e fez-nos uma pergunta maravilhosamente simples:
- Ainda têm sonhos de lá ou já sonham com as coisas de cá?

 

P.S.: A fotografia do mar neste enquadramento simbólico do tempo é da Mariana Sabido. 

 

publicado por Laurinda Alves às 08:55
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