O Clarchen's Ballhaus de Berlim enche todas as noites e, em especial, quando há tangos e milongas. Ou seja, todas as terças. Acabámos as filmagens nesta cidade a ver dançar tango e a filmar a Joana Bértholo num salão de baile tão alternativo como romântico. Ou seja, um filme dentro de outro filme. Goodbye Berlin!
Nesta imagem aparentemente branca estão reflectidos alguns dos meus melhores amigos, à volta de uma mesa de almoço tardio num sábado como hoje, em que apetece passar o dia à lareira, em conversas demoradas, sem tempo nem fim. Estou melhor da gripe e espero recomeçar a semana em forma. Deixo aqui a memória de um brunch num lugar muito bonito e acolhedor do Porto, mesmo em frente da Praia da Luz. Não me lembro se o número da porta é 44 ou 66, mas tem uma montra de loja a dar para a rua e temos que entrar e seguir em frente. É um espaço lindo de onde não apetece sair. Estive lá no sábado passado e espero voltar em breve. Bom fim-de-semana!
Quem acompanha este blog desde o início conhece a Mena e sabe o valor que ela tem para mim e para o meu filho Martim. Quase vinte anos de vida em comum é uma vida muito longa e cheia de memórias que não se apagam. A Mena nunca dormiu cá mas também nunca nos faltou durante o dia. Ao longo de duas décadas fomos uma família mas em Julho atingiu a idade da reforma e como tem o marido doente, decidiu deixar de trabalhar fora de casa. Despedimo-nos com abraços e sem palavras. Os meses de Verão atenuaram as saudades mas agora apetecia muito vê-la. Combinámos esta semana e a Mena voltou a uma casa que também é dela. A Manuela, que recebeu o testemunho da Mena e a conheceu apenas durante duas breves tardes, também criou uma cumplicidade alegre com ela e achei divertido apanhá-las às gargalhadas no corredor.
Não há palavras para descrever a ternura e a gratidão que sinto em relação à Mena, que me ajudou a cuidar do Martim desde que nasceu e a manter a casa em ordem. Curiosamente a Manuela só está connosco há dois meses mas os laços que nos unem também já são muito fortes. Há pessoas com sorte em relação às equipas com quem trabalham e eu sou uma delas. Apesar da 'antiguidade' da Mena, posso garantir que uma e outra são dois anjos na nossa vida. Leves, alegres, disponíveis e francas. Um privilégio sem tamanho nos dias que correm.
Gosto de me sentir em casa com aqueles de quem verdadeiramente gosto e adoro que também se sintam assim em minha casa. Acho que é o caso.
Tenho visitado muitas instituições de acolhimento de jovens
e crianças em risco nestes últimos tempos e tenho estado
ainda mais rente a uma realidade que acompanho há anos.
Não vou contar aqui as histórias destes rapazes e raparigas
que por terem sido maltratados, abusados, negligenciados
ou abandonados, foram retirados às suas famílias e vivem
em instituições onde, com mais ou menos dificuldades, vão
crescendo, desenvolvendo capacidades e adquirindo novas
competências. Não conto as histórias porque são terríveis e
porque são muitas. Cada caso é um caso e aquilo que todos
os que se dedicam a acolher estes jovens e crianças sabem
é que no passado as suas vidas foram mesmo muito difíceis.
Estas imagens dos armários das calças e dos sapatos são
do Centro de Apoio Familiar Pinto de Carvalho, em Oliveira
de Azeméis, e mostram a escala de uma casa familiar onde
moram 60 'filhos'. Onde vivem, estudam, dormem e comem
também graças aos apoios da comunidade e das empresas
que reconhecem o trabalho desta e outras instituições e todas
as semanas dão roupa, calçado e alimentos. Só iogurtes para
esta casa são setecentos por semana. Fora tudo o resto, claro.
Impressionam tanto as histórias de vida dos jovens e crianças
como a dedicação das equipas de profissionais e técnicos que
os ajudam a crescer e a recuperar a dignidade e o sentido de vida.
Eu e a Joana Freudenthal em Vila Real, ontem à tarde num
encontro meio surpresa, meio anunciado por ela própria no
blog. Acho graça conhecer pessoalmente as pessoas que
se juntam neste blog, que o comentam e acrescentam em
cada dia. E acho graça registar o momento de um encontro
altamente improvável numa cidade de que gosto muito mas
onde vou poucas vezes. Graças à campanha do MEP tenho
tido este privilégio de percorrer o país de norte a sul e ilhas!
Alimentar o outro é sempre um gesto duplamente feliz. No
sentido literal, de poder saciar a sua fome, mas também
no sentido mais profundo de alimentar a alma e o espírito
através de um simples gesto de generosidade e atenção.
Esta semana andei pelas ruas de Arganil de um lado para
o outro, cheia de compromissos e sem tempo para parar e
comer mas, às tantas, percebi que estava a morrer de fome
e parei nesta frutaria do Sr. Ivo para comprar uma tangerina.
Eram quase horas de almoço e não queria comer muito e,
daí, a simplicidade da compra. Mas eis que o Sr. Ivo decidiu
oferecer-me a tangerina.Estendeu a mão e não deixou pagar.
Agradeci a generosidade e registei o gesto pela simplicidade
e pela atenção. Claro que uma tangerina não enriquece nem
empobrece o negócio do Sr. Ivo mas, na verdade, ele deu-me
aquilo de que vive e, por isso mesmo, o gesto tem mais valor.
É impossível esquecer estes miúdos que conheci no Clube
Porta Aberta, no Bairro do Cerco, no Porto. Quem conhece
esta cidade sabe bem de que bairro falo. Trata-se de uma
zona muito problemática do Porto, onde a realidade é mais
gritante do que a ficção e onde as crianças assistem a tudo.
A Diana fez-me um livrinho de telefones com a Hello Kitty na
capa, desenhada por ela, e ofereceu-me. O Luis Miguel e a
Cláudia passaram o tempo todo abraçados a mim e isso é
uma memória de ternura que não se apaga. Muito queridos!
Fernando da Silva, dono das Sapatarias Fernando em Braga,
é um homem muito especial. 88 anos já completos, pai de
3 filhos, avô de 4 netos e bisavô de 4 bisnetos, mais um que
vem a caminho, este homem mantém uma excelente forma
física e anda de bicicleta todos os dias pelo menos 2 horas.
Conheci-o este fim-de-semana em Braga e reparei nele a dar
as suas voltas pelo centro da cidade por ter esta idade e elegância!
Pedi ao sr. Fernado se o podia filmar e entrevistar e ele disse que sim
e voltou atrás e à frente para as filmagens. Muito querido. Depois de lhe
ter feito a breve entrevista que se segue contou-me coisas comoventes
sobre a sua vida. Não resisto a deixar aqui apenas uma parte desta sua
conversa que me tocou pela ternura e pela sua luz e alegria tão evidentes.
- Sou do tempo dos que namoravam lá para cima, sabe?! A olhar para uma
janela...A primeira vez que pus a mão da minha mulher na minha foi no dia
em que nos casámos. Parecia seda pura, uma maravilha! Esse dia foi um
dos mais felizes da minha vida. Mas houve outros...o dia em que nasceu o
nosso primeiro filho e depois o dia em que nasceu o nosso primeiro neto e
sabe uma coisa?! O dia em que nasceu o primeiro bisneto, esse sim foi um
dia muito feliz. As núpcias com a minha mulher foram outro tempo de felicidade!
A maneira como o Sr. Fernando contou tudo isto e o olhar limpo e feliz com que
descreveu a sua felicidade encheram-me de alegria e gratidão por este encontro.
Tudo isto porque estou a viver um tempo de privilégio em que percorro o país de
norte a sul (ilhas incluídas!) em campanha pelo MEP, a apresentar as razões da
minha candidatura ao Parlamento Europeu. Um tempo de encontros prodigiosos...
Três flores apanhadas do chão com folhas ainda presas aos
caules. Três flores em pré-decadência que enchem de luz e
cor uma sala inteira só porque alguém se lembrou de as pôr
ali, pousadas num vidro fosco sobre uma mesa transparente.
Tinha um compromisso marcado esta manhã muito cedo na
Linha, numa casa que dá para a Marginal e o mar, cheguei a
horas (sou fanática da pontualidade, herdei da minha mãe!),
mas estava cheia de sono por causa de uma estúpida insónia
que me atrapalhou desde as 4h da manhã e acabou por me
fazer levantar e trabalhar a essa hora. Resultado: às 9h já eu
tinha cinco horas de avanço no dia e já estava cansada. Não
pelo excesso de trabalho mas pela noite quase em branco...
Estas flores ali pousadas com esta cor e esta luz fizeram-me
bem e dei comigo mais contente. Não sei explicar o fenómeno,
só sei que aconteceu assim. Conhecendo-me como conheço
sei que são os pequenos detalhes e os pequenos gestos que
fazem a diferença nos meus dias. Hoje foram estas flores, por
conhecer tão bem as mãos de quem as colheu e os olhos de
quem olhou para elas e percebeu que por estarem a envelhecer
não eram menos bonitas. Gosto de gente com este olhar limpo!
Pediram-me que escrevesse sobre luxos modernos para a edição especial da revista Pública que saiu no domingo passado. Depois de pensar no desafio decidi escrever sobre o tempo que é, para mim, o maior de todos os luxos. Deixo aqui a sucessão de pequenos textos que sairam na revista há dois dias. São histórias verdadeiras.

P.S.: A fotografia do mar neste enquadramento simbólico do tempo é da Mariana Sabido.
. Escolas na Assembleia da ...
. Ainda o vídeo e o prémio ...
. Um eléctrico chamado dese...
. Uma nova semana e um novo...
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