Quinta-feira, 5 de Junho de 2008
Seu Jorge com Luz

 

 

Seu Jorge, um dos maiores cantores brasileiros da actualidade, mora em São Paulo e tem um estúdio de gravação em casa. Fui lá na semana passada entrevistá-lo para o jornal Público.

 

À margem da entrevista central, que será publicada em breve, gravei dois pequenos filmes para o blog. Aqui fica o primeiro e mais curto, em que Seu Jorge toca e canta com Luz, a filha mais nova, ao colo .

O outro, mais longo, fica para depois da entrevista sair no Público. Por uma questão ética e de deontologia profissional, claro.

 

Neste pequeno filme Seu Jorge confessa que o maior sonho da sua infância, vivida na favela Baixada Fluminense do Rio, era 'dar uma vida legal pra sua mãe'. Conseguiu dar-lhe uma vida melhor mas ainda assim lamenta a distância que o separa dela pois a mãe continua a morar no Rio de Janeiro.

 

Quanto à sua evolução pessoal e profissional, Seu Jorge declara que a maior conquista da sua vida foi 'restaurar a dignidade e a integridade'. Percebo que evoca uma infância e uma adolescência vividas no limiar da dignidade, dada a pobreza extrema em que toda a sua família vivia.

 

Em relação ao futuro e às filhas Luz e Flor, Seu Jorge diz com ternura que 'elas ainda estão chegando ao mundo e tudo é infância e inocência pra elas' mas ele quer proporcionar-lhes  a 'maior alegria possível' e dar-lhes confiança para crescerem fortes e serem mais felizes do que ele foi. 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 00:02
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Rodrigo Leão nos Jerónimos

Rodrigo Leão dá um concerto amanhã nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, um espaço fabuloso para ouvir a sua música. Já comprei os bilhetes há muito tempo e não vou faltar mas não resisti a ir falar com ele antes do concerto.

 

Rodrigo recebeu-me em casa, no seu pequeno-grande estúdio com vista para o rio e a cidade. Tinha acabado de chegar com Ana Carolina, a sua mulher, e os filhos.

Sempre que pode, Rodrigo vai levá-los e buscá-los à escola. Gosta do ritual e gosta especialmente de ir e voltar com toda a família. Com a mulher e os três filhos, quero dizer.

 

Em vésperas deste e outros concertos (Barcelona no dia imediatamente a seguir aos Jerónimos), Rodrigo Leão mantém o humor e a boa disposição. Aqui fica uma pequena entrevista sem nervos e com tempo para tudo. Para falar do sentido da vida e até para atender o telemóvel...

 

 

 

P.S.: O quadro na parede é da pintora Margarida Marques, amiga do casal.

Não perguntei ao Rodrigo se era um retrato dele mas agora que olho com mais atenção parece-me que sim. Ou não?

 

publicado por Laurinda Alves às 07:00
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
A arquitectura espiritual de João Norton

 

No post que publiquei imediatamente antes deste falo de um 'Antes' e 'Depois' numa capela em Salamanca levado a cabo pelo jesuíta João Norton, porque queria mostrar com toda a evidência possível a luz com que este padre-arquitecto ilumina as pessoas e os lugares por onde passa.

 

Agora e porque muitos olhares hoje vão estar voltados para Fátima e muitas pessoas vão falar de Deus, deixo aqui uma conversa feliz com João Norton sobre os caminhos éticos e estéticos deste mesmo Deus para quem a beleza importa. João Norton diz que 'a palavra de Deus precisa do silêncio da arte' e não tenho uma dúvida sobre isso.  

 

 

João Norton é um dos padres do lendário CUPAV, o Centro Universitário Padre António Vieira.

 

A pedido de João Norton aqui fica uma emenda na sequência da citação a propósito de "as autoestradas serem as catedrais do futuro": a frase não é da autoria do arquitecto Carrilho da Graça mas sim do arquitecto Manuel Graça Dias e pertence ao texto "Autoestradas", incluído no livro "Vida Moderna".  

 

publicado por Laurinda Alves às 00:07
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito
Domingo, 11 de Maio de 2008
O caminho faz-se caminhando

 

Hoje faço uma parte do caminho com os que se puseram a andar antes de mim...

 

publicado por Laurinda Alves às 15:00
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
Diogo Guerra Pinto, as rotinas de um pintor

 

Diogo Guerra Pinto, 37 anos, casado, pai de 2 filhos, é pintor e tem atelier próprio, coisa que quer dizer que muitos dos seus dias são passados sozinho com os seus quadros.

 

As rotinas dos artistas nem sempre são fáceis de gerir até porque a inspiração não surge 'a tamanho e a feitio'. Um quadro demora a pintar, precisa de tempo para evoluir e até para se revelar.

 

Diogo Guerra Pinto é reconhecido no meio artístico pela qualidade da sua pintura e dos seus desenhos a carvão mas também por ser um pintor que vive a sua vocação com entrega e paixão. Todos os dias pinta e todos os dias é obrigado a ser crítico de si mesmo, a recuar, a ganhar distância em relação à sua obra. 

 

A exigência e o rigor com que ele e tantos artistas como ele cumprem o seu destino é admirável até porque nunca sabem quando colhem os frutos do seu trabalho.

Daí também a vontade irreprimível de perguntar a um artista qual a substância da sua motivação e inspiração. Aqui ficam algumas respostas.  

 

publicado por Laurinda Alves às 17:26
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Bana, num dia feliz

Bana é no sentido literal e metafórico o maior cantor vivo de Cabo Verde.
Maior em tamanho físico e em estatura humana e, seguramente, um dos maiores de sempre em talento musical.

Nos últimos meses Bana esteve internado no hospital, onde chegou muito frágil e doente. A sua recuperação foi um processo lento, demorado, mas extraordinariamente corajoso. Bana foi vencendo os obstáculos, um por um, e ultrapassou todas as barreiras. A sua história no hospital  foi uma história de superação diária.

Hoje Bana sai finalmente do hospital e, por isso, é um dia muito especial.

Conheci o Bana e a Aquilina, a sua extraordinária mulher, no hospital. E conheci também os filhos e as legiões de amigos que o visitaram todos os dias ao longo destas longas semanas de internamento. Bana é uma pessoa marcante para todos os que o conhecem e a equipa de médicos, enfermeiros, terapeutas, auxiliares e voluntários não foi excepção. Os abraços à saída multiplicaram-se e as lágrimas também. De emoção, claro.

Bana é o primeiro a reconhecer a força dos laços que se teceram no hospital e a dizer, por outras palavras, que estes laços foram mais importantes na sua recuperação do que todos os cocktails de remédios. Aqui fica a conversa que gravámos ontem, na véspera deste dia feliz.

publicado por Laurinda Alves às 07:00
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Miguel Guilherme: dúvidas existenciais

Miguel Guilherme, actor, acaba de voltar de um retiro de silêncio de quatro dias, o primeiro da sua vida. Como eu própria faço estes retiros de silêncio há 13 anos, perguntei-lhe se podíamos falar sobre o silêncio e outras coisas. Ele disse que sim.

Acabámos naturalmente por falar mais de outras coisas do que sobre o silêncio porque é preciso deixar assentar o silêncio e passar o tempo.

Com a cumplicidade de mais de vinte anos de amizade, falámos da importância de acordar devagar, viver bem cada momento, avaliar à noite o dia que ficou para trás e, ainda, das dúvidas existenciais que todos temos. Aqui fica uma entrevista mais intimista sobre o sentido da vida.

publicado por Laurinda Alves às 18:03
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
O ócio e o negócio
 
Alguém disse recentemente que um dos grandes pecados modernos é transformar tudo em negócio, dando cabo do ócio. A ideia era sublinhar que tudo, mas mesmo tudo, se transforma cada vez mais em negócio: a arte, as ideias, o desporto, a religião, a diversão e até o próprio tempo.
“É preciso recuperar o ócio!”. A frase fez sentido na altura e continua a fazer eco agora.
Antes de inaugurar um ano novinho em folha, vale a pena pensar em formas criativas de investir num tempo mais descontraído e regenerador. Um tempo que não esteja permanentemente marcado por pressas e urgências incontornáveis.
Nesta lógica, o activismo da nossa era (para não dizer hiperactivismo!) é uma atitude a repensar, sob pena de chegarmos ao fim de mais um ano cheios de stress e…oportunidades perdidas.
publicado por Laurinda Alves às 19:04
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
Retiro de silêncio
 
Escrevo ao fim de uma semana de silêncio e recolhimento numa casa grande com torres e claustro. Parece um antigo mosteiro de granito e cal ampliado ao longo dos tempos e agora convertido numa enorme casa cheia de quartos, salas e salões, corredores de pedra, escadarias largas, pátios quadrados com laranjeiras e jardins de buxos, cozinhas grandes, capelas de todos os tamanhos e feitios e, no cimo deste imenso labirinto de geometria recta, um terraço a perder de vista sobre a vinha e os campos lavrados que se estendem até à inspiradora margem de dois rios que se juntam, e correm debaixo da mesma ponte.
Na entrada nobre da casa existe um lago com peixes pretos e encarnados, rodeado de flores plantadas pelo fiel jardineiro que ajoelha na terra para cuidar das suas rosas de Inverno.
Ao fim de oito dias, confesso que não sei o que se passa no mundo e sei vagamente o que se passa em minha casa. Acho que sei o suficiente. Se alguma coisa radicalmente importante tivesse acontecido ter-me-iam dito e isso sossega-me. Uma semana sem ver notícias, sem ler jornais, sem ouvir os comentadores habituais e sem ter conversas mais ou menos avulsas sobre a actualidade do momento não me parece grave. Muito pelo contrário. E se, por acaso, perdi alguma coisa essencial, sei que a apanho já a seguir. Em Soutelo, a grande notícia foi a chuva que finalmente veio substituir o sol.
Uma semana de silêncio e meditação é, para muitos, uma coisa bizarra e uma atitude rara. Embora haja cada vez mais pessoas a procurar o silêncio e a distância crítica em templos budistas, workshops zen, retiros espirituais, férias em lugares sagrados ou viagens a paraísos ecuménicos, ainda há quem estranhe o silêncio. E quem o ache inquietante ou perturbador. Percebo a desconfiança porque eu própria já fui assim.
Se me tivessem dito há 12 anos, altura em que comecei a fazer EE (Exercícios Espirituais segundo a terminologia jesuítica de Stº Inácio, fundador da Companhia de Jesus), que ia passar uma semana por ano em silêncio e oração, eu tinha fugido. Ainda bem que não me disseram.
Conhecendo-me como conheço sei que tenho a tentação de escapar a tudo o que me querem impor e, daí, a minha gratidão comovida a quem um dia se lembrou de me desafiar a ter estas conversas no silêncio.
E é disso mesmo que se trata: de uma longa conversa, viva e desafiadora, sobre o essencial, no sentido de pôr a vida em perspectiva, de arrumar melhor as ideias, de ler o passado recente e projectar o futuro próximo. Uma longa conversa no sentido metafórico, de quem sabe que é possível manter um diálogo interior que interpela e leva mais longe, mas também no sentido literal porque falamos todos os dias com quem nos orienta e ouvimos este mesmo orientador falar várias vezes por dia, nas pequenas conferências que antecedem os tempos de meditação.
O silêncio, neste enquadramento e com esta exigência de profundidade, faz todo o sentido e não é nenhuma provação. Muito menos uma penitência. O objectivo é desligar da confusão, reduzir os excessos, diluir os barulhos, eliminar os ruídos na comunicação, depurar as conversas e limpar o olhar. Só isto.
Para quem está de fora, o silêncio pode parecer um teste ou uma prova olímpica de endurance mas, para quem está dentro, o silêncio sai sem esforço. Com a naturalidade de quem sabe que não falar não quer dizer não comunicar.
Aliás, esta longa conversa não teria o mesmo proveito nem os EE não seriam tão regeneradores se pudéssemos falar uns com os outros a toda a hora, pois desperdiçamos facilmente o nosso tempo e a nossa concentração em conversas de mesa e corredores.
Na verdade a contenção leva-nos muito longe, de muitas maneiras, e até podemos fazer amigos para a vida neste silêncio puro, permanentemente atravessado de olhares, sorrisos e gestos francos. A generosidade que se descobre em quem está ao nosso lado, por exemplo, ou a sensibilidade que se adivinha nos que demoram às refeições para ouvir a música escolhida com intenção e critério (um dia gostava de saber quem faz as play lists de música clássica, óperas e coros maravilhosos que ouço nos EE, para as poder reproduzir em casa) ou, ainda, a elevação com que todos vivem o recolhimento fazem do silêncio uma experiência marcante mas, também, profundamente estética.
O maior mistério reside na conjugação sempre feliz de pessoas que, sem se conhecerem, passam a encontrar-se todos os dias e, neste encontro, revelam uma abertura, um respeito e um espírito de grupo improváveis noutras circunstâncias e lugares.
Importa sublinhar que há um momento ao fim de cada dia em que, com moderação, podemos falar daquilo que mais nos tocou ou marcou. Negativa e positivamente, note-se. E é também nesta altura em que os que querem falar, falam, que nos conhecemos melhor e se tecem os tais laços que duram uma vida.   
Aos 46 anos sinto que pertenço claramente à ala senior dos retiros porque as inscrições são quase sempre feitas em centros universitários mas, nesta semana de preparação para o Natal, havia gente de todas as idades e condições. Rapazes e raparigas, homens e mulheres com vocações e profissões diversas, histórias de vida desiguais e expectativas distintas. Em tudo diferentes, excepto no credo.
Desta vez o orientador era Vasco Pinto de Magalhães, padre jesuíta que começou a sua formação em engenharia mas acabou por se licenciar em Filosofia, em Lisboa, e depois em Teologia, em Roma. Antigo jogador de rugby, dizem que era um dos melhores da sua geração. Autor de vários livros, é um conferencista muito solicitado por ser um grande comunicador. Em resumo: um sábio com o dom da palavra. Ou um verdadeiro Mestre, como diria Tolentino de Mendonça, poeta, também padre e outro grande sábio.
Numa Igreja com tantos problemas de comunicação é importante haver quem traduza e comunique bem a realidade bíblica. Quem seja capaz de descer ao concreto da vida, onde as coisas acontecem; quem nos ajude a compreender o incompreensível; a resolver alguns dos nossos dilemas e a dar sentido ao mistério; e quem saiba rasgar caminhos que possamos percorrer para ir mais longe.
Vasco Pinto de Magalhães tem este e muitos outros talentos. Ouvi-lo dissertar é um luxo espiritual e um desafio intelectual permanente. Fala a sorrir e usa palavras muito simples para dizer coisas muito profundas. A sua alegria diverte, contagia e ilumina. A sua atitude firme, centrada exclusivamente no essencial, inspira e transforma.
A profundidade de Vasco Pinto de Magalhães leva-nos a nós mais fundo e a sabedoria espantosa com que lê a vida e interpreta os factos, surpreende. E é esta surpresa associada à ‘extravagância’ da sua simplicidade que verdadeiramente convertem.
Percebo Tolentino de Mendonça quando fala dele e da maravilha de ser um padre raro na Igreja por ter criado um discipulado. Vasco Pinto de Magalhães tem realmente uma legião de discípulos que o seguem, lêm e acompanham por reconhecerem nele um verdadeiro Mestre. Na maneira como acolhe, como ajuda a pensar, como ensina a rezar, como mostra os caminhos que levam ao perdão e à reconciliação, na forma como revela a evidência e, insisto, na alegria e simplicidade com que nos centra no essencial.
Ao fim de uma semana de EE (que também podem ser feitos uma versão mais abreviada de três dias) a ouvir Vasco Pinto de Magalhães e a reflectir nas pistas que ele sugere em cada dia, faz ainda mais eco a certeza de que num mundo pós-cristão, fragmentado e dividido, um cristão não é uma resposta definitiva, é um desafio permanente.
 
 
 
 
 
 
publicado por Laurinda Alves às 19:02
link do post | comentar | ver comentários (10) | favorito
Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
A ternura fundamental
 
Jigme Khyentse Rinpoche, um dos mestres budistas que acompanham o Dalai Lama, Nobel da Paz, nas suas viagens pelo mundo, chegou a Portugal há alguns dias. Entre encontros públicos e privados, este Rinpoche tem-se desdobrado numa série de actividades inspiradoras que anunciam e preparam a vinda de Sua Santidade o Dalai Lama a Lisboa já na próxima semana, entre os dias 13 e 16.
Ouvi-o pela primeira vez na Quinta da Regaleira, em Sintra, no domingo passado. Uma conferência ao entardecer, uma hora de sonho num lugar mágico.
Para chegar à sala da conferência, onde o mestre esperava num silêncio sorridente que todos se descalçassem à entrada e ocupassem as cadeiras ou as almofadas espalhadas pelo chão, era preciso percorrer os caminhos labirínticos da Regaleira. Ir ao longo das alamedas de buxos, contornar muros de pedra cobertos de heras e musgo, descobrir entre as árvores de folhas mais ou menos amareladas a direcção certa, atravessar sem hesitações uma espécie de floresta virgem de hortenses muito altas, subir umas escadas em caracol que parecem levar-nos ao infinito acreditando que nos deixam ainda neste mundo, percorrer um terreiro amplo com árvores de troncos grandes e copas frondosas trespassadas pelo sol da tarde e chegar finalmente a uma porta de madeira muito antiga que se abre para uma sala de pedra caiada e fresca, com janelas altas por onde continuavam a entrar a luz e as sombras do entardecer.
Neste lugar encantado, a esta hora sagrada, o Rinpoche falou pausadamente, para dar tempo ao tradutor mas, também, para ajudar a interiorizar os seus ensinamentos.
Com um sorriso vivo e até divertido, percorria com o olhar toda a sala enquanto dissertava sobre a ternura fundamental.
“Todos temos uma necessidade vital de ternura. Sem esta ternura primordial não sobreviveríamos. A ternura é o princípio de tudo mas muitos não sabem como lidar com a ternura fundamental.”
Rinpoche falou da “ternura dos ferozes” sublinhando que está para lá do entendimento e elaborou ponderadamente sobre o amor e o ódio. Provocou sorrisos e algumas gargalhadas e colheu muitos olhares cúmplices na plateia que o ouvia num silêncio puro.
 “Ninguém consegue ser sempre odioso. Mesmo os mais odiosos só conseguem sê-lo durante algum tempo mas não o tempo todo. O coração, os rins e o fígado não aguentariam!”   
O mestre usou sempre palavras e metáforas simples para dizer coisas sábias e muito próximas da nossa realidade quotidiana. Interpelou os presentes quando distinguiu as emoções e as sensibilidades que habitualmente escondemos debaixo de uma espécie de manto que nos cobre e com o qual nos sentimos mais protegidos. Falou dos medos, das inseguranças, do orgulho, da arrogância e do ressentimento. Da timidez e da zanga também.
“ Temos, muitas vezes, uma compreensão errada de tudo isto. Precisamos de ter uma mente e um coração mais despertos e inteligentes. Isso é possível se treinarmos o desapego a certas emoções, se meditarmos, se contemplarmos e fizermos silêncio, abrindo o espírito a outras formas de compreensão”.
No dia a seguir estive com este mesmo Rinpoche e os lamas tibetanos que o acompanham num jantar privado, em casa de um amigo, e tivemos tempo para uma longa conversa sobre o sentido da vida. Foi um momento exaltante vivido, ainda por cima, numa casa que me traz memórias de outros tempos e outras conversas, com outros amigos que viveram nesta mesma casa maravilhosa de janelas rasgadas sobre o rio e um jardim de cheiros, flores e ervas perfumadas.  
 
 
publicado por Laurinda Alves às 17:46
link do post | comentar | favorito
.pesquisar
 
.tags

. todas as tags

.posts recentes

. E porque hoje também é di...

. Uma notícia triste num di...

. Improviso de Schubert e v...

. Um livro quase em branco

. Sobre a alegria e a trist...

. Férias de Natal? Sim, mas...

. Quem de nós seria capaz d...

. Ser padre todos os dias c...

. Francisco Garcia parte ho...

. Salvador volta ao Liceu P...

.arquivos
.mais sobre mim
.subscrever feeds