Eis a Joana Vicente, uma das entrevistadas em NY. Eh produtora de cinema, trabalha com actores e realizadores que sao verdadeiras lendas da setima arte, e agora eh responsavel por uma organizacao muito influente no mundo do cinema independente e de autor. Adorei conhece-la e estar em sua casa, com toda a calma a conversar sobre a sua vida e sobre o sentido que da a tudo aquilo que vai acontecendo ao longo dos anos. Hoje vamos completar a entrevista com a Joana. Ontem estivemos com a Catarina Perestrelo PInto, personnal concierge em NY.
A Catarina tem uma personalidade marcante e contagiante e a sua paixao por esta cidade nota-se em todos os detalhes. Escolheu um restaurante para almocarmos no Soho, o Felix, e foi aqui que nos encontramos com ela.
Passamos a tarde juntos e gravamos a entrevista em dois lugares fabulosos. Num deles nao era permitido filmar por ser um hotel ultra selecto (e quase secreto) onde a Madonna e outros artistas ficam quando estao em NY. A nossa sorte foi a Catarina ter la trabalhado durante quase dois anos e ter-nos levado a um deck no alto do hotel, onde discretamente gravamos uma pequena parte da conversa. Muito bom. O almoco no Felix tambem foi optimo e muito animado.
O Soho eh um dos bairros que nunca passam de moda e adoro o movimento nas ruas, de dia e de noite. Ver as pessoas que passam eh fascinante e podia ficar horas neste exercicio de observacao...
Entretanto percebi que Portugal esta na moda em NY. OU melhor, o design portugues. Ha uma grande exposicao anunciada em quase todos os outdoors e paragens de autocarro da cidade.
Estou na loja da Mac a publicar posts. Um luxo! Esta loja continua a ser um arraso e uma tentacao (escrevo sem acentos nem cedilhas porque o teclado nao eh igual ao nosso e estou com pouco tempo). Por incrivel que pareca nesta cidade tenho tido mais dificuldade no acesso ao blog e mails do que em qualquer outra parte do mundo. POr um lado nao sobra tempo e, por outro, o hotel so tem wifi numa cave deprimente onde nao apetece nada estar.
Esta eh a classica imagem das ruas de NY, com taxis e fumos a sair do chao. Ha coisas que nunca mudam e tambem elas nos fazem sentir "em casa".
Acordámos às 6h da manhã para filmar a Domitília Santos a correr na Brooklyn Bridge e valeu a pena ter ido ali àquela hora da manhã. Estava tudo uma beleza.
A zona de Wall Street e do South Sea Port ainda sem a luz do sol ficam muito cinematográficas e as cores lembram os filmes de outras épocas. tudo nesta cidade é muito gráfico e embora seja um dos lugares mais filmados e fotografados no mundo, há sempre um olhar de novidade. É impressionante.
Maratonista convicta e viciada, como ela própria assume, Domitília faz o seu aquecimento matinal mas desta vez para as câmaras de filmar do André e do Paulo. É gira a disponibilidade com que todos os entrevistados revelam outras paixões e motivações para além do trabalho.
Àquela hora da manhã ainda havia poucos desportistas no tabuleiro da ponte mas quando terminámos as gravações já havia sol e muita, muita gente a correr e a andar de bicicleta. A vista, à direita e à esquerda da ponte, é linda. Os depósitos de água sobre os telhados de NY fazem-me sempre lembrar as ilustrações do Jorge Colombo. Vou entrevistá-lo cá na segunda-feira, mal posso esperar!
A conversa com a Domitília Santos podia estender-se por muito, muito tempo pois ela tem uma maneira de falar e de ser que prende e fascina. Generosa e atenta a todos os detalhes, tem sido uma excelente cicerone nesta cidade. Ainda nos vamos voltar a encontrar pois ela faz voluntariado e amanhã, domingo, vamos filmar com ela perto do centro paroquial onde está ao serviço dos outros semana após semana, há anos sem fim.
A linha do caminho de ferro High Line, em NY, originalmente construída a dezenas de metros do chão para retirar do solo e da proximidade das casas o movimento dos comboios-contentores que descarregavam carne, leite e bens de primeira necessidade aos habitantes do West Side de Manhattan, converteu-se num parque público fabuloso onde crescem todas as espécies de flores silvestres e uma relva propositadamente selvagem para criar o ambiente de campo no meio da cidade.
Criar e manter este jardim que corre ao longo de alguns kilómetros de antiga linha do caminho de ferro custa muito dinheiro e à boa maneira americana já existe uma Associação de Amigos de High Line para angariar fundos e apoios. O último comboio que circulou nesta linha, em 1980, trazia um carregamento de perús congelados. Desde então a linha foi desactivada e para toda a zona da beira-rio não ficar abandonada, foi arquitectado este parque público onde as pessoas apanham sol e passeiam constantemente dia e noite.
Para além das plataformas de madeira e dos bancos mais convencionais, existem estas espreguiçadeiras king size onde as pessoas se estendem e criam a sua 'praia' privativa. Aqui e ali há cadeiras de metal fáceis de transportar, com mesas redondas igualmente leves que os nova iorquinos levam e trazem de uns lugares para os outros dando às plataformas, cantos e recantos da High Line uma vida incrível. Todo o spot deste parque é um filme e as próprias pessoas parecem artistas de cinema...
Nos intervalos das gravações e filmagens é impossível resistir à oferta cultural desta cidade. O MoMA é um museu incontornável e, por isso, comecei por aqui.
Cheio, como sempre, o MoMA tem duas exposições espectaculares neste momento. Uma mais clássica, de fotografia retrospectiva de Henri Cartier-Bresson (maravilhosa colecção, aliás) e outra mais performativa e 'à frente', da jugoslava Marina Abramovic (o nome dela pronuncia-se 'Abramovitch' e o 'c' deveria ter um acento mas eu não consigo escrevê-lo aqui, sorry), que é, ela própria, a obra de arte.
Marina Abramovic foi pioneira numa geração de artistas plásticos que usam o seu próprio corpo nas performances e instalações que fazem. Desta vez a 'exposição' chama-se The Artist is Present e pretende ser uma experiência de profundo envolvimento, interacção e provocação relativamente ao público.
A ideia de Marina Abramovic é permanecer sentada como se fosse uma escultura e ser admirada enquanto tal. Não apenas no sentido narcísico mas, acima de tudo, no sentido mais vivo que pode ter a palavra escultura. O desafio que a artista faz aos visitantes do Museu de Arte Moderna é que se sentem na sua frente e a olhem em silêncio, enquanto ela permanece sentada de olhar fixo e sem dizer uma palavra. Não é um exercício fácil para nenhuma das partes.
Alguns dos presentes acharam a performance 'a crazy thing'. Talvez seja ou talvez não. Aquilo que eu vi foi uma grande seriedade e profissionalismo na maneira como Marina Abramovic se expôs e manteve uma pose física e um olhar dificílimos de manter naquelas circunstâncias. Não faço a menor ideia de quanto tempo vai aguentar esta exposição mas para mim, que estou de passagem por NY, foi um prazer 'conhecer' pessoalmente esta artista e ver a maneira como nos desafia a pensar e a olhar para a arte contemporânea.
Domítila Santos trabalha há 25 anos em Wall Street e é, como muitos sabem, uma mulher invulgar com um percurso de vida extraordinário. Gestora de patrimónios, Domitília subiu literal e metaforicamente todos os degraus da Bolsa de Nova Iorque e criou uma marca própria de sucesso e confiança num mundo extremamente competitivo e feroz. E masculino.
Elegante e prática, Domitília revela uma atitude firme mas ao mesmo tempo terna, atenta e divertida. Tem uma personalidade marcante que combina a alta performance neste mercado de 'private banking' com a participação em maratonas um pouco por todo o mundo. Ao longo da entrevista fui percebendo o que faz correr Domitília e o que a torna tão especial dentro e fora das esferas da alta finança.
Esta série de programas sobre os portugueses no mundo pretende revelar uma série de pessoas que vivem e trabalham fora de Portugal e têm muito talento, capacidade de iniciativa, criatividade e originalidade. Uns são mais mais velhos e outros mais novos (a ideia era essa mesma, de cruzar gerações de emigrantes), mas todos eles são extraordinariamente bons naquilo que fazem. É o caso da Domitília Santos e dos outros quarenta entrevistados que esta série de programas vai mostrar.
Os táxis da Yellow Cab são um clássico dos filmes e da realidade nova iorquina. Dão a sensação imediata de termos chegado à cidade e de estarmos realmente noutro filme.
Adoro as ruas e as avenidas desta cidade, mais as esquinas e este jogo permanente de luz e sombras. Está um tempo fabuloso, quente sem ser demais, bom para caminhar e para trabalhar. Há meses que esperávamos por esta viagem.
O Paulo e o André, com as suas eternas mochilas com rodas que arrastam pelas ruas com todo o equipamento que precisam para filmar e gravar as entrevistas. Passo a vida a ver estas imagens à minha frente e o som das rodas no chão também é muito familiar.
Nova Iorque é das cidades mais filmadas e fotografadas do mundo mas há sempre a tentação de captar mais um ângulo, tentar outras perspectivas que, afinal, revelam sempre ícones contemporâneos.
A Times Square é um deste ícones modernos e é impossível não começar por aqui. Gosto do movimento perpétuo das multidões e fascinam-me as pessoas de todos os tamanhos, cores e feitios. Adoro estar aqui e tenho a secreta certeza de que o rol de entrevistados em NY vai fazer toda a diferença nesta série de programas.
Aqui são menos cinco horas do que em Lisboa e, por isso, à hora em que escrevo ainda só são 8 da manhã. Estamos prontos para começar o nosso primeiro dia de filmagens. Vou dando notícias, embora a horas sempre meio desfasadas, claro. Até já.
Voltámos à 'estrada' para a última viagem desta primeira série de filmagens. Nova Iorque é a cidade onde vamos gravar as últimas seis das quarenta entrevistas que vão ser incluídas nos programas da RTP e RTP Internacional que serão exibidos a partir de Setembro. Depois de três meses a viajar incessantemente sentimo-nos uma família.
Sobrevoar o Atlântico durante o dia é sempre uma beleza. Falo por mim, claro, que adoro andar de avião e raramente consigo dormir nas viagens intercontinentais. O André e o Paulo, pelo contrário, dormem e descansam. Eu morro de inveja mas não há nada a fazer. Não sou de adormecer fácil nos aviões e é pena prque podia aproveitar para descansar.
Chegar a Nova Iorque, e ver Manhattan do alto do céu é sempre uma emoção. Aqui está sol, faz calor e o céu está limpo. Apetece imenso ficar por cá uns tempos. Nova Iorque é uma cidade onde eu gostaria de viver, e como tenho a sorte de a conhecer bem e de já vir cá há muitos anos com alguma regularidade, sinto-me bastante em casa.
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