Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
Mais crónicas e imagens proféticas de João Bénard da Costa

 

 

Sai na próxima semana o 2º volume das Crónicas: Imagens Proféticas e Outras, de João Bénard da Costa. O Alberto Vaz da Silva, grande amigo do João e também meu amigo, ofereceu-me ontem o livro que ele próprio prefaciou. As palavras de Alberto, logo à entrada, são maravilhosas e profundas. Fala do tempo que existe entre estas duas fotografias, uma tirada na Arrábida em 1960 e a outra em Mântua em 2005, e das várias vidas que couberam na vida de João Bénard da Costa. "Na fotografia de Mântua segura um guia e antegoza os Mantegna e os Pisanello prometidos para o dia seguinte. Sente-se nele o conforto do frio partilhado pela profundidade de campo das colunas e esculturas de pedra, a descarnada palmeira, o caminho de pequenos seixos e tufos misteriosos como anémonas. E na mão esquerda o cigarro distraído, como se a história e a geografia não estivessem, naquele preciso momento,a  converter-se na astrofísica e na cosmogonia de amanhã."

 

 

Comovem as palavras escritas por Alberto sobre um amigo que lhe faz tanta falta. A ele e a nós. "Nos longos anos decorridos entre as fotografias foi escutando as invulgares mensagens que Deus em si depositou; a dos instantes, a da poesia, da música, da pintura e de todas as artes, a dos textos sagrados e a dos sonhos, que no fundo da sua inteligência-coração-memória se interpenetraram, fundiram e puseram em movimento ao estranho ritmo de vinte e quatro imagens por segundo. E vivia a noite como se fosse o dia com o sol no zénite e o dia como se fosse a noite com a lua a despedir-se no horizonte sobre o mar."

 

publicado por Laurinda Alves às 11:14
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Mãe e filha

 

Maria Andresen de Sousa Tavares, professora universitária de Literatura e autora de vários livros de poesia, filha de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Francisco Sousa Tavares deu uma bela entrevista ao Expresso. Maria passou os últimos dois anos a organizar o espólio da mãe antes de ser doado pela família à Biblioteca Nacional. Foram anos de muito trabalho e emoção, pois havia nos 87 caixotes que continham o espólio de Sophia muitos escritos, diários, cadernos, fotos e poemas inéditos.

 

 

Na próxima terça-feira é lançada a "Obra Poética" de Sophia, num único volume que reúne toda a sua poesia. Já mostrei aqui o livro no dia em que me cruzei com a Maria (ainda somos cunhadas, pois há laços que nunca se desfazem e este é um deles) num fim te tarde marcado por encontros felizes.

http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/405268.html

 

 

Gostei muito da entrevista da Maria e da maneira como ela fala das suas memórias, das recordações de família, dos episódios marcantes, do amor entre o pai e a mãe, enfim de tudo o que conta e da beleza e da verdade que transmite ao longo das páginas. Recomendo a leitura desta entrevista na revista do Expresso e, claro, do livro que vai sair já na próxima semana.

publicado por Laurinda Alves às 18:36
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
De Lisboa para a Coreia do Sul, com amor

 

Esta fotografia de 'família' foi tirada depois de uma longa conversa sobre o padre Cruz, que ficou gravada em vídeo para a posteridade. Maria da Madre de Deus, sentada à nossa frente, é sobrinha-neta de um dos portugueses mais amados e venerados de sempre. Todos os devotos do santo padre Cruz sabem que foi um homem extraordinário e uma figura iluminada e iluminante. Maria da Madre de Deus era sua afilhada e, por isso, teve com ele uma relação privilegiada, de grande proximidade familiar. Diz que não se lembra de si mesma sem se lembrar do tio-padre e conta episódios alegres e tristes, divertidos e exóticos, épicos e banais, mas todos eles eloquentes da bondade de um homem que continua a ser uma inspiração e um exemplo para milhares de pessoas que rezam com ele e lhe confiam as suas intenções mais sagradas, pedindo a sua incansável intercessão. Conhecer a sobrinha-neta do padre Cruz e passar com ela uma tarde à conversa no duplo papel de entrevistadora e visita, é um privilégio que agradeço ao Francisco Noronha de Andrade, ao Duarte Miranda Mendes e à Conceição, filha de Maria da Madre de Deus. Um dia conto com mais pormenor porque é que estamos a fazer estas entrevistas gravadas em vídeo. Para já deixo aqui este post com um abraço especial de Lisboa até à Coreia do Sul.

publicado por Laurinda Alves às 00:00
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
O Fio de Ariadne

P1080243.JPG

 

Consegui finalmente importar esta imagem do blog da escritora Zilda Cardoso http://zildacardoso.blogs.sapo.pt/, embora os links nas novas funcionalidades ainda sejam caminhos sinuosos para mim. Desaprendi a importar fotos e a fazer hiperlinks quando o Sapo mudou algumas coisas no back office e desde então ainda não tive tempo para ir lá reaprender. Hoje a Jonas explicou-me tudo ao telefone e espero ter memorizado de uma vez para sempre. Em todo o caso sei que a coisa ainda não corre completamente bem... Esta imagem faz-me voltar dois anos e tal atrás e lembrar encontros importantes nestas mesmas margens.

publicado por Laurinda Alves às 16:43
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
Conversas ternas e eternas

 

Tia e sobrinho que mais parecem irmãos, dada a relativa proximidade das idades. Ele foi o primeiro de dezenas de sobrinhos que ela teve e isso marcou a vida de ambos. Ela era muito nova quando ele nasceu e brincaram muito juntos. A tia Isabel era, por seu lado, muito chegada à sua irmã Helena, a minha mãe, e essa cumplicidade entre irmãs reflecte-se naturalmente na relação entre as nossas famílias. Mas note-se que a minha querida tia Isabel era adorada por toda a família, que ela amava em igual medida. Ou seja, não há favoritos nem preferidos, mas antes um círculo familiar alargado onde todos nos sentimos únicos porque os tios e os primos nos fazem sentir desta maneira. Hoje, segunda-feira, acordei com a memória das conversas ternas e eternas deste fim-de-semana. Escrevo ao som do piano minimalista, nostálgico e profundamente inspirador de Arvo Pärt e dedico este post ao meu primo João Diniz, que sabe muito bem o espaço que ocupa nos nossos corações e, nesta fase particular, sabe que estamos com ele.

 

 

P.S.: Joana, já descobri o trema! Obrigada.

publicado por Laurinda Alves às 09:57
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Sábado, 10 de Julho de 2010
Os tempos em que fiz reportagens de mota para a TSF

 

Estou em fase de arrumações de fundo em casa, e aproveito as horas de maior calor lá fora para ir abrindo armários e gavetas cá dentro. Hoje dei com esta fotografia, publicada n'O Jornal em Março de 1989, altura em que eu era repórter da TSF e fazia reportagens em directo. Foram tempos fabulosos. Como já trabalhava na RTP, no Telejornal, levantava-me de madrugada para fazer os noticiários da manhã entre as 7h e as 10h. O desafio do Emídio Rangel, o homem que inaugurou a rádio em directo em Portugal (até aí os noticiários eram de hora a hora, ou em cada meia hora, e não havia notícias nos intervalos) era que eu e o José Manuel Mestre fizéssemos as reportagens de rua de mota, de forma a contornar o trânsito e a conseguir estar sempre em cima dos acontecimentos. Eu era a repórter da manhã, o José Manuel Mestre era o repórter da tarde. Deram-nos uma Moto Guzzi, um bocado pesada demais para as voltas que precisávamos de dar, e durante meses partilhámos a mesma mota. Foi a primeira vez que se fizeram reportagens de mota, uma vez que até essa altura as motas eram usadas apenas para falar do trânsito. Adorei esta experiência e como ainda há quem me fale destes tempos, hoje achei graça encontrar o recorte do jornal no arquivo de coisas antigas. Passaram 21 anos, é incrível!

publicado por Laurinda Alves às 21:21
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2010
6ª feira com luz mas sem sol

 

Estou numa fase de mais concentração no trabalho de visionamento e anotação das entrevistas que fiz ao longo dos últimos meses e, por isso, acabo por ficar um bocado mais ausente, mas nunca distante! Esta imagem traz-me óptimas recordações de um casal que entrevistei para a série de programas. Ele é escritor e ela é artista e passámos juntos um tempo que ficou gravado para sempre. A substância dos verdadeiros encontros na vida é um mistério. Ontem e hoje voltei a 'estar' com eles através das imagens que gravámos e foi tão giro rever e re-ouvir o que cada um disse sobre si e sobre as suas escolhas! Há poucas semanas nasceu o bebé que esperavam e recebi uma fotografia dele por telemóvel. Adorei conhecê-lo e adorei que me tivessem incluído no círculo de amigos com quem partilham o essencial.

 

P.S.: Para o João Nuno: Obrigada pelas citações de Murakami. A primeira é mais triste mas também mais poética... Podemos sempre 'contrapôr' uma citação de Tolentino Mendonça, quando ele diz que 'nenhum coração é tão inteiro como um coração partido'.

publicado por Laurinda Alves às 10:51
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Segunda-feira, 10 de Maio de 2010
Imagens que ficam gravadas no écran e na memória

 

Um rapaz e uma rapariga a passearem abraçados pelas ruas de Madrid. Dois grandes amigos que são dois grandes pilares na minha vida. Estão à espera do terceiro filho e parecem eternos namorados. Ou melhor, são eternos namorados. De volta a Lisboa, retomo o trabalho e as rotinas com esta imagem feliz. Boa semana!

 

publicado por Laurinda Alves às 02:30
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Domingo, 2 de Maio de 2010
Dia da Mãe

 

O Dia da Mãe este ano fica marcado para sempre por ser o último dia em que temos este piano cá em casa. Amanhã vêm buscá-lo e embora seja por um bem maior (neste caso por um piano melhor e mais profissional), custa-me imenso vê-lo partir. Foram muitos anos e são demasiadas memórias. Ainda para mais o piano novo não vem cá para casa e, por isso, o silêncio vai custar muito mais. Mas, insisto, é tudo por um bem maior. Seja.

publicado por Laurinda Alves às 22:33
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
Marguerite Yourcenar, um dos meus livros de cabeceira

 

Marguerite Yourcenar é uma das minhas escritoras de cabeceira e não só tenho os seus livros sempre perto como leio e releio partes de uma das suas biografias. Gosto particularmente desta, escrita por Georges Jacquemin e editada pela La Manufacture. Acho que este livro está esgotado há anos e é uma pena porque é um dos melhores retratos da escritora, no sentido literal e existencial.

 

 

Li toda a obra das duas Marguerites francesas e ambas me prendem por razões diferentes. Por vezes, até opostas. Uma, a Yourcenar, por ser mais colossal, mais clássica, e ter uma arquitectura mental e literária cheia de ângulos, perspectivas e limites. Dizer que nas Memórias de Adriano cabe uma imensa biblioteca é repetir uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira. Duras, a outra, por ser mais visceral, mais apaixonada, mais excessiva e porventura mais cinematográfica. Por não ter limites, portanto. Uma e outra fascinam-me pela escrita, pelo temperamento e pela vida vivida. Neste tempo breve em que aterro em casa sem tempo para começar a ler novos livros, releio partes dos que tenho à cabeceira.

 

publicado por Laurinda Alves às 13:21
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