Na primeira noite que passei em Lisboa depois de aterrar de NY, fui ao Rock in Rio. Era a noite dos Snow Patrol e The Muse. Foram dois concertos muito bons. O fogo de artifício em noite de lua cheia foi espectacular.

Hoje volto ao Profeta, um dos livros da minha vida. Há alturas em que as palavras de Khalil Gibran são ainda mais iluminantes. É o caso.
É a dor que parte a casca do vosso entendimento.Como o caroço do fruto se deve partir para que o seu coração se ofereça ao sol, assim deveis conhecer a dor. Podereis guardar o vosso coração deslumbrado pelo milagre de estar vivo todos os dias e a vossa dor não vos parecerá menos maravilhosa que a vossa alegria.
Pedi à minha mãe se podia pôr uma fotografia sua no blogue, tirada hoje ao fim do dia e ela disse que sim. Expliquei-lhe que as mensagens queridas para ela, aqui e no mail, têm sido torrenciais e ela agradece e diz que está muito, muito melhor. E está mesmo. De tal maneira que voltou a ter o sorriso de sempre. É incrível a sua força interior... Os médicos e enfermeiros do hospital de São José têm sido inexcedíveis, e claro que esta convalescença só é possível graças aos seus cuidados. Tal como disse desde o primeiro momento, a minha mãe tem estado muito bem acompanhada e todos nós agradecemos a cada uma das pessoas que ali no hospital ou aqui no blog nos têm dado força. Obrigada. A fotografia está meio desfocada mas mesmo assim dá para perceber a luz que a minha mãe irradia. Sou radicalmente parcial mas acho-a linda, única e irrepetível. Ainda bem que este susto já passou!
Se não devassasse a intimidade da minha mãe publicava aqui uma fotografia dela hoje, a rir, radiante por já só ter um tubo de oxigénio no nariz e estar na Unidade de Cuidados Intermédios. Vê-la ainda cheia de pensos, nódoas negras e mazelas devido às análises, ao cateter e à parafernália de aparelhos a que esteve ligada, mas já outra vez com o seu sorriso e a sua alegria estrutural comove e enche de orgulho. A sua força é que nos faz fortes e toda a vida assim foi. Por outro lado, sei que a nossa presença e o amor que todos sentimos e manifestamos tem um valor incalculável na recuperação da minha mãe. Deus queira que volte para casa rapidamente, para a podermos abraçar à vontade e enchê-la de mimos! Agradeço mais uma vez a todos os que se manifestaram, e aproveito para dizer que fui transmitindo as mensagens que ia lendo mas sei que no tempo de convalescença vai saber muito bem à minha mãe ler as mensagens, uma por uma! Todos sabemos o valor dos estímulos afectivos na recuperação de uma doença e, daí, também a minha profunda gratidão.
Obrigada a todos e a cada um pelas mensagens tão queridas ontem e hoje. A minha mãe está melhor e já não está a ser ventilada, o que é uma evolução fantástica dado que ontem tinha os pulmões cheios de líquido e não respirava sozinha. Como estava toda entubada, não conseguia falar e arranjámos um estratagema de comunicação, que começou por ser um abecedário, para onde ia apontando as letras até construir pequenas frases. Ao fim do dia acabou por ser capaz de escrever com a sua própria mão, e a minha irmã Catarina guardou o bloco onde ficou tudo apontado.
Até ao fim da tarde de ontem o cenário era muito sombrio mas felizmente à noite já havia uma perspectiva mais positiva, que nos aliviou bastante. Nesta página a minha mãe escreve em cima que assim a máquina 'tá caladinha', ou seja, se ela conseguisse respirar fundo e devagar a máquina já só fazia meio trabalho e não apitava tanto. A letra está muito irregular porque a minha mãe não vê o papel onde escreve e teve que manter as mãos amarradas por questões de segurança. É terrível estar toda entubada e de mãos atadas mas percebe-se que é uma prevenção essencial pois instintivamente poderia ter a tentação de retirar ou mexer nos tubos e isso seria fatal.
As visitas nos Cuidados Intensivos são muito breves e só vai uma pessoa de cada vez mas graças ao abecedário que o meu irmão Paulo imprimiu, conseguimos comunicar com a nossa mãe desde a primeira visita. Parecendo que não, alivia imenso podermos comunicar uns com os outros. Para a minha mãe é vital dizer o que sente e poder fazer perguntas; para nós é essencial percebê-la e poder responder ou ajudar a criar mais zonas de conforto. O facto de lhe terem libertado a mão direita ao fim do dia foi uma extraordinária conquista para esta comunicação silenciosa mas calorosa. Hoje já respira sozinha e em breve poderá passar para os Cuidados Intermédios. Obrigada, obrigada a todos pelas orações, intenções e palavras de apoio! Vou dando notícias.
Estou com gripe e não saio de casa desde domingo. Felizmente não é gripe A, trata-se apenas de uma daquelas gripes à antiga que nos deixam mais prostrados e menos capazes de grandes actividades. A sorte é poder continuar a trabalhar em casa e não ter que andar pela rua à chuva e ao frio. Ou seja, não é tudo mau!
Hoje estive sem internet até agora e dei-me conta da dificuldade que é viver sem rede. No sentido literal e metafórico, note-se. Estou com tudo em atraso e, por isso, volto mais logo.
Nos mails torrenciais que recebi ao fim de 24h sem net, estava esta fotografia que o Telmo Domingues mandou, com todos os alunos premiados. Na foto do post anterior estão apenas os do Instituto de Promoção Social da Bairrada - Colégio Frei Gil, cujo link aparece no próprio post. Estes foram os 13 premiados deste ano. Mais uma vez parabéns!
Ontem à noite voltei à 'minha' Unidade de Cuidados Paliativos onde suspendi o voluntariado durante os últimos meses por não me sentir em forma para estar à cabeceira de pessoas vulneráveis, que precisam de forças e confiança. Hei-de voltar mais à frente, quando me sentir outra vez mais forte. Ontem foi uma excepção porque o A (grande amigo que fiz à cabeceira quando se detectou um cancro e fez o primeiro ciclo de tratamentos ) voltou a ser internado. Fui a correr ter com ele e ficámos à conversa. Perdeu o cabelo mas mantém o sorriso, a dignidade e a força. Tremem-lhe as mãos e vê as imagens desfocadas (disse-me, a sorrir, que me via em duplicado e isso não era mau de todo) mas nem por isso se deixa abater. Gosto muito muito dele e agradeço-lhe a força que me dá a mim. Ontem não tinha fome e comeu pouco mas a namorada do filho mais velho, sempre muito querida e atenta, contou que tem truques para conseguir que se alimente bem. Ficámos por ali à conversa todos. Voltei de lá quando já era noite cerrada e a lua, quase cheia, ia no alto do céu. Uma lua que me inspira e me ajuda a ser forte e a não chorar.
Nesta imagem, que me marca profundamente, o A dá as mãos e toda a sua força ao Bruno, um outro amigo que fizemos na Luz e, infelizmente, já partiu. Há momentos que ficam para sempre no nosso coração e este foi um deles.
Passei à porta destas portas na Rua do Alecrim, do lado esquerdo de quem desce do Chiado para o rio, e encantou-me o encarnado tão vivo, tão fresco e alegre. Atravessei para o outro lado da rua para fotografar as portas inteiras e o contraste com a pedra branca da cidade e, afinal, o contraste que gritou foi outro. Doeu.
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