Quinta-feira, 3 de Julho de 2008
Incompetente para tanto céu

  

 

Depois das entrevistas dos políticos nada melhor do que um

bom livro. Continuo com os Venenos e Remédios do Mia.

Vou poupando a leitura porque o livro é muito bom, as frases 

ficam na cabeça e os diálogos também.

 

Sidónio olha para cima, incompetente para tanto céu. Aquelas

nuvens não são as suas, e mesmo que fossem as de Lisboa,

ele não saberia ler nelas nenhuma previsão meteorológica.

 

Hoje aconteceu-me o mesmo, olhando para o céu de Lisboa,

com as nuvens que são as minhas...

Deixo aqui um diálogo sobre os sonhos, para vivermos o dia

que se segue com mais humor e poesia.

 

- Chovia aquela noite...

- Chovia no sonho?

- Oh, Doutor, o senhor sofre mesmo de poesias: então não chove

nos sonhos?

- Eu, poesias?

- Não é de agora. O senhor já anda poetando há muito tempo. Por

exemplo, quando o senhor me aconselha para eu cortar nas bebidas...

- Acha que isso é poesia?

- Então não é? Cortar-se na bebida? A gente pode cortar nas árvores,

cortar na roupa, cortar sei lá onde, mas diga lá, Doutor, que faca corta

um líquido? Só a faca da poesia.

 

publicado por Laurinda Alves às 00:55
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