Depois das entrevistas dos políticos nada melhor do que um
bom livro. Continuo com os Venenos e Remédios do Mia.
Vou poupando a leitura porque o livro é muito bom, as frases
ficam na cabeça e os diálogos também.
Sidónio olha para cima, incompetente para tanto céu. Aquelas
nuvens não são as suas, e mesmo que fossem as de Lisboa,
ele não saberia ler nelas nenhuma previsão meteorológica.
Hoje aconteceu-me o mesmo, olhando para o céu de Lisboa,
com as nuvens que são as minhas...
Deixo aqui um diálogo sobre os sonhos, para vivermos o dia
que se segue com mais humor e poesia.
- Chovia aquela noite...
- Chovia no sonho?
- Oh, Doutor, o senhor sofre mesmo de poesias: então não chove
nos sonhos?
- Eu, poesias?
- Não é de agora. O senhor já anda poetando há muito tempo. Por
exemplo, quando o senhor me aconselha para eu cortar nas bebidas...
- Acha que isso é poesia?
- Então não é? Cortar-se na bebida? A gente pode cortar nas árvores,
cortar na roupa, cortar sei lá onde, mas diga lá, Doutor, que faca corta
um líquido? Só a faca da poesia.
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