Quarta-feira, 2 de Julho de 2008
O Pai Natal existe porque Sócrates acredita!

Apesar do conforto do canto da casa onde fui ver a entrevista
ao Primeiro-Ministro esta noite, ficou o desconforto de muitas
coisas ditas e omitidas ao longo de uma hora de conversa.
Primeiro as coisas ditas: "não faço cálculos, tenho convicções".
Sócrates diz que não é calculista e não pensa nas eleições do
próximo ano. O Pai Natal existe porque Sócrates acredita, claro.
"Grande parte do nosso esforço governativo tem sido olvidado".
Foi tamanho o esforço de eloquência do PM que se 'olvidou' ele
próprio que o verbo português, dos portugueses, é "esquecer".
O verbo "olvidar" existe mas mais na linha do amigo Zapatero,
a quem nunca ocorreu usar publicamente o verbo "esquecer".
Apesar da confiança e do sorriso sempre pronto, para tentar o
contraponto estratégico com o ar grave e solene de Manuela
Ferreira Leite, o Primeiro-Ministro não convenceu a legião de
aflitos e de indignados que engrossam fileiras de norte a sul
do país de que é possível estar optimista.
Não é e todos sabemos, a começar por ele próprio.
Finalmente e porque não sou analista política nem especialista
em finanças e contas públicas (nem tenho esta ambição, note-se)
houve uma palavrinha sabiamente evitada ao longo da entrevista.
Ninguém proferiu a palavra "desemprego" e se formos a ver bem
e se fizermos as contas, esta é uma palavra-chave no futuro próximo.
Daí o desconforto de ver um PM tão sorridente e de ar tão confiante.
De Augusto Küttner de Magalhães a 2 de Julho de 2008 às 23:17
Laurinda, não o achei nem tão confiante, nem tão sorridente, pareceu-me até bastante desconfortável! Só não sei, qual outra atitude toma um PM quando o país está como está. O problema é o desemprego gravissimo nos e dos nossos jovens, que se veêm sem futuro, mas não só, estamos num mal estar muito grande, e todos vão ter que fazer um pequno esforço de viver menos a crédito, a nivel individual. Quanto ao resto, não sei, mas não me pareceu confiança demonstrada!!! E é preocupante estarmos como estamos...
De
ruben a 2 de Julho de 2008 às 23:26
eu era miserável (Deus me perdoe a infâmia) antes de sócrates, sou miserável com sócrates e continuarei a ser miserável depois de sócrates. o problema do desemprego não se resolve com governos que têm poções magicas em segredo, nem com o regresso de d.sebastião, o desemprego é consequência de muitos factores que se arrastam há muitos anos a esta parte e estão cuidadosamente escondidos do palco das marionetas e dos fantoches. assim e desta forma, o desemprego irá continuar tão seguro como a incerteza da existência do pai natal e a exactidão do sol.
p.s: não estou seguro, mas não é o verbo olvidar um verbo galaico-português? é que no norte de portugal as pessoas usam muitos termos semelhantes ao galego e até mesmo ao castelhano. é muito provável que esteja enganado mas em todo o caso fiquei na duvida
De Café com Natas a 2 de Julho de 2008 às 23:46
Lindo!
Fantástico!
Aplaudo este post de pé!!
De
joseph a 3 de Julho de 2008 às 00:50
penso que olvidar também existe na língua portuguesa (embora venha do castelhano, sim).
De Café com Natas a 3 de Julho de 2008 às 01:20
Vou colocar este nos meus favoritos, considero isto como um desabafo nacional!!! ;)
~Beijinho
De Maria José a 3 de Julho de 2008 às 02:24
Já que aqui se falou no vocabulário usado pelo nosso PM ponho aqui uma questão: Será impressão minha ou o PM evita não só a palavra desemprego como também a palavra trabalhadores e usa com muito enfase a palavra pobres dando a ideia que está muito preocupado com os pobres...
A mim causa-me muita impressão essa atitude porque como se evita a pobreza tratando como ele trata os trabalhadores????
Abraço duma leitura assídua do seu blog pela diversidade de temas interessantes que apresenta e com a simplicidade que se espera de uma escrita objectiva.
De David a 3 de Julho de 2008 às 10:47
E qual é a tua posição? uma Manuela Ferreira Leite ??? Que tem a audacia de afirmar que um casamento entre gays nunca será um casamento mas sim "qualquer coisa". Uma sra que esteve já no governo e que contribuiu bastante para o buraco onde estamos??? Claro que as coisas nao se resolvem de um dia para a noite, estamos a pagar por todos os erros que cometemos no passado, nao so no tempo do PSD mas também do PS.
Passando à parte infantil e mesquinha do post acho que deves comprar já amanha um dicionario de lingua portuguesa porque o verbo olvidar existe.
É triste ver o estado da governação em Portugal. É o estado permanente de campanha eleitoral, a escolha cuidada das palavras para que a mentira seja camuflada em fumo vago. Infelizmente, as fileiras de desempregados de norte a sul ainda acreditam. Acreditam no político profissional vocacionado para ganhar eleições e vender falta de cultura a um povo que se quer estupidificado, permitindo o fluxo de votos que empoleiram os inúteis profissionais políticos com sonhos de pertença a um Terreiro do Paço pronto a aclamar a bondade de ideias que os que nem carroça têm conseguem exultar.
De
Concha a 3 de Julho de 2008 às 12:15
Pois ! Não vi a entrevista, embora pense que terá sido mais do mesmo . Alguém que subiu ao poder não sei bem porque razões , se acha dono do nosso país , sorri com cinismo , é arrogante e desculpem a expressão , mas só pode " estar-se marimbando para os portugueses " . Somos cada vez mais dependentes dos países grandes , a pobreza alastra na mesma proporção em que as famílias vivem maiores dificuldades . Preocupam-me os jovens sem perspectivas e as famílias que sem condições mínimas de sobrevivência passam a entrar mais facilmente em crise .
A família é a célula básica numa sociedade . Quando se aprovam leis que a destroem , pergunto até onde chega a inconsciência humana?
Concha
A entrevista fez parte da já campanha eleitoral. Triste.
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