Sábado, 28 de Junho de 2008
Uma janela e uma cadeira sobre o rio e a cidade

 

Uma janela sobre o rio e a cidade onde me sento todos os dias e ouço os barulhos da rua, as vozes descombinadas ao fundo, o som grave dos navios que chegam ao porto, o rumor dos carros a passar no tabuleiro da ponte, os homens que descarregam vidros e garrafas no passeio em baixo, alguém a chamar por alguém, o apito do comboio antes de partir, um amigo que chega e toca à porta de outro amigo, a voz da velha na mercearia antiga, o assobio do rapaz do talho quando dobra a esquina. 

Uma janela onde vejo o sol descer e a lua subir. Onde ouço com mais ou menos abstracção a vida de todos os dias e sigo o voo das gaivotas e dos pássaros nocturnos, silenciosos e graves, de grandes asas brancas luminosas.

 

 

 

Descubro com surpresa e alegria a cadeira encarnada com as mesmas sombras de renda desenhadas pelo ferro escuro, forjado por mãos antigas segundo fórmulas que se calhar mais ninguém usa, fotografada neste lugar mas por outro olhar, noutro dia que não sabia. E também descubro com nostalgia a imagem da varanda, fotografada na estação das chuvas, através dos vidros que nos dias de sol ficam sempre abertos. 

 

 

Estas e muitas outras fotografias ainda mais bonitas que estas são de 

João Francisco Moura, da sua galeria no Flickr. Obrigada John-John.

publicado por Laurinda Alves às 19:31
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5 comentários:
De Concha a 29 de Junho de 2008 às 02:16
Gosto de casas com vista . Durante vários anos vivi numa casa quase em cima do mar de onde em dias mais luminosos se conseguia ver as ilhas do Pico e S. Jorge . Por vezes no Inverno conseguia ver a neve no cimo da montanha do Pico . Hoje tenho a vista do Rio com a Vasco da Gama . Há dias em que não há disponibilidade para ver a vista , mas sei que ela lá está .
A sua varanda é pelo que parece um local privilegiado e tem uma cadeira que é um arraso..( rs ) .
Concha
De Francisco Malta Romeiras a 29 de Junho de 2008 às 14:27
;)
De frioleiras a 30 de Junho de 2008 às 02:14
a beleza serena da arquitectura antiga, a cor e a forma contemporânea da cadeira.

a poesia em todas elas. a saudade duma cidade que foi tão bonita e que tão decadente está...
De bibabalula a 1 de Julho de 2008 às 01:06
O nosso dia a dia, feito na vivência da nossa casa,
está rodeado e engloba também os sons e cheiros que nos rodeiam e aos quais estamos tão habituados que estranhamos, mesmo, quando não os sentimos, pressentindo qual a razão que provocou tal ausência e o seu silêncio.

Eles fazem parte dos nossos sentimentos e sensações e mudam conforme as horas e fases do dia.

Deixe-me dizer-lhe que fiquei fascinada com as fotografias que apresentou do João Francisco Moura, tanto o contra luz e a chuva a espreitar os ferros forjados como o reflexo dos mesmos na cadeira vermelha.
Não me pergunte porquê mas fez-me recordar os quadros da Maluda, onde ela representava janelas, que, segundo ela dizia, tinham tantos segredos por desvendar nos seus interiores e dava-nos a impressão que ela as espreitava constantemente.
Embora este fotógrafo espreite para além dos ferros forjados.
Fui visitar a página dele e deliciei-me a ver outras
fotografias da sua galeria.
Obrigada pelas coisas belas que nos faculta e nos proporcionam tanto prazer!
De Alberto Velez Grilo a 3 de Julho de 2008 às 10:46
Parabéns, pela varanda e pela vista. Sempre considerei um privilégio viver em Lisboa com uma vista dessas.
Eu também tenho varanda e também tenho vista... noutras paragens, é certo... (Caniço - Madeira).
Parabéns pelo blogue.

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