As Festas de Lisboa, organizadas pela Câmara, têm sido um sucesso. Especialmente os fados nas noites de sexta e sábado no Castelo, um dos lugares mais bonitos da cidade para este tipo de encontros e acontecimentos. Sobretudo em noites de Verão, no fim de um dia como o de hoje que se anuncia como o mais quente do ano.
Esta noite cantam o Francisco e a Carmo Rebelo de Andrade, que convidaram a própria mãe a cantar com eles. Teresa Siqueira, a mãe, é uma fadista cheia de nome, tradição e histórias. Tenho a certeza absoluta que vai ser uma noite memorável. Por terem os três grandes vozes, por serem família e por cantarem pela primeira vez juntos em público. Não quero perder!
Tal como se faz nos jornais, revistas e TV, que usam várias vezes as mesmas imagens que guardam em arquivo, também eu volto a publicar aqui a entrevista que fiz à Carmo Rebelo de Andrade há pouco mais de um mês. Os que já viram, já conhecem a substância da conversa. Os que não viram ficam a saber quem é, o que faz e o que procura na vida. A meio da entrevista peço-lhe para cantar um fado e de uma forma extraordinária, a Carmo suspende o fio do pensamento, faz uma pausa, convoca a voz e canta admiravelmente sem nenhum acompanhamento musical.
Que bom e gratificante o surgimento de novos e verdadeiros valores no nosso fado, de raiz.
Tenho imensa pena de não poder assistir hoje ao momento de fado cantado pelo Francisco e pela Carmo Rebelo de Andrade, no Castelo. Mas devo confessar que gostava de poder rever a Teresa Siqueira, que era amiga do meu irmão. Muitas vezes a ouvi cantar em casa de amigos e recordo as noites que ouvimos fado, na Cesária, em Alcantara, com a irmã dela e um grupo de amigos.
Mas, ao ouvir a sua entrevista à Carmo, fiquei radiante por saber que, graças à existência da Casa da Música, oásis único, neste deserto árido e sequioso de cultura, vou poder então ouvi-los e, quem sabe, talvez venha também a Teresa..
Por falar na Casa da Música tive o privilégio de ser convidada para assistir, na Sala Suggia, no dia 25 de Junho, à tarde, a um espectáculo, segundo disseram inédito, onde participaram um quarteto constituído por dois guitarristas, o Mário Pacheco (que eu desconhecia mas é excepcional) e uma rapariga (não sei o nome), um viola e um contrabaixo. Cantou a Teresa Roseta, também um novo valor do nosso fado, com uma voz cristalina simultaneamente muito fadista, embora fosse muito nova. Paralelamente, actuou um corpo de baile, formado por quatro elementos, que efectuaram vários pas de deux, com coreogarfias modernas mas muito belas e bem entrusadas nas músicas. O número final foi apoteotico pois, dado que todo o espectáculo foi oferecido a uns congressistas e entidades nacionais, que estavam reunidas num Congresso sobre o tema hidrologia e biologia, todo o ballet foi executado com o envolvimento e a componente real de água, que se encontrava, desde o início do espectáculo, no interior de uns cubos translúcidos situados nas extremidades do palco. Nessa altura os bailarinos(as) retiraram as tampas dos cubos e foi um misto de dança, jogos de água, fantasia, semi-mergulhos, borrifos e repuxos de água. A criatividade e o génio do coreógrafo(a) estiveram lá bem patentes. No fim desse dia senti-me tão feliz por o ter vivido com tanta qualidade! Muito obrigada Rosário por me teres convidado. É tão bom termos verdadeiros amigas e amigos. Eles contribuem para apreciarmos a vida e o nosso dia a dia.