Margarida Castro, 24 anos, arquitecta, acaba de passar um ano no Rio de Janeiro onde trabalhou em projectos de requalificação das favelas. Margarida fala 'à Porto' com um ligeiro sotaque carioca, mistura que dá ainda mais graça à sua alegria e beleza naturais.
Falámos durante horas sobre a sua experiência, sobre o desafio que é entrar nas favelas onde moram os pobres dos mais pobres e sobre o impacto "indigerível" que tudo isso teve nela. Margarida está a começar agora a sua carreira e é muito interessante ouvir falar dos seus projectos e sonhos. Fiquei com a certeza de que o nome dela é um nome a fixar na área da arquitectura. Seja como arquitecta, como curadora de museus ou como criativa nos bastidores das exposições, com critério para definir o espaço e equilíbrio das obras de arte.
Aqui fica o registo da nossa conversa sobre o trabalho nas favelas, sobre o'degredo', sobre as pilhas de lixo, a falta de espaço, as ruas que não existem, 'ashortas verticais' e as crianças que moram e brincam em casas onde nada existe ou tudo foi devastado pelo fogo.
Curiosamente é pela segunda vez, neste ano, que escuto alguém dar o seu testemunho de uma estadia numa favela do Rio de Janeiro . O outro depoimento era o de uma jovem que foi como voluntária por um mês . Aquilo que mais a impressionou foi a carência afectiva dos miúdos com vidas familiares inexistentes e o pouco valor que para alguns residentes , tem a vida humana . O que me interpelou, na altura nesse testemunho , foi ela querer voltar , mesmo se cá tinha a sua vida profissional completamente resolvida . Por isto e muito mais , quando alguém na minha presença se queixa dos jovens eu defendo-os sempre , porque acho que da parte deles há uma grande preocupação e capacidade de agir quando em cima da mesa estão causas humanitárias. Concha
como comentei no outro dia, estas pequenas entrevistas no stop são óptimas... é como se estivesse estado 3 minutos a falar com a pessoa, a margarida neste caso.