Quarta-feira, 14 de Março de 2007
Perdoo mas não esqueço...
 Tolentino de Mendonça, poeta e padre não sei se por esta ordem ou pela ordem inversa, deu uma conferência na semana passada sobre o perdão. Inspirado e inspirador, como sempre, falou sobre a experiência de perda e de procura. Com palavras simples e luminosas traduziu uma realidade íntima, densa e intensa. Disse que o perdão é um tema decisivo na nossa vida porque é também ele que revela quem somos e como somos.
Falou da capacidade transformadora do perdão e sublinhou que a linguagem religiosa é redutora sempre que nos converte em aliviadores e não em buscadores.
Tolentino de Mendonça traduziu as suas próprias metáforas e explicou que buscar é procurar fora de si e criar relações. Neste sentido Tolentino disse que o verdadeiro perdão só acontece quando existe proximidade. E estar próximo dos outros, criar relações com os outros, é aceitar correr os riscos dessas relações.
- É um risco, claro, mas sem proximidade não existe perdão. O perdão só acontece entre próximos, com quem estabelecemos um verdadeiro encontro.
Dá que pensar.
 
Perdoo, mas não esqueço!
 
Ainda a propósito de conversas, palestras, perdoar e ser perdoado, vale a pena transcrever aqui dois breves diálogos com Tolentino de Mendonça, a partir de duas perguntas feitas da plateia.
- Diz que não devemos julgar mas como é que se perdoa sem julgar?
- Muitas vezes me pergunto o mesmo. E muitas vezes, ao rezar o Pai-Nosso, me abismo perante aquela construção sintáctica: peço ao Senhor que me perdoe 500 quando eu só consigo perdoar 0,5 mas, na verdade, quem estabeleceu o jogo sintáctico e esta desmedida foi Jesus. Se eu soubesse responder a esta pergunta era certamente uma pessoa muito desinteressante.
………….
- E quando dizemos: perdoo mas não esqueço?
- O perdão não é instantâneo nem é um acto mágico. Precisamos de tempo para pensar no que aconteceu, precisamos de perceber as implicações, de sentir arrependimento, de ver que era possível fazer de outro modo, de lamentar o sucedido, enfim são tantas as variáveis! Nunca saberemos os caminhos do perdão no coração dos homens mas tem que haver um momento em que as variáveis não contam. Chegamos ao perdão sem dúvidas, num momento de graça.
 
 
 
 
publicado por Laurinda Alves às 19:54
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