Terça-feira, 27 de Maio de 2008
Visita guiada antes da chegada...

Chegar ao destino, depois de dez horas de viagem é sempre uma boa notícia. Especialmente quando a viagem correu bem, o avião não veio completamente cheio nem houve grande turbulência no ar. Foi o caso.
Em São Paulo está calor e não chove há dez dias apesar de ser Outono.
A poluição vê-se no ar ao entardecer e é quase tão impressionante como o trânsito às horas de ponta...
No avião a conversa foi particularmente animada a partir da 8ª hora de voo porque neste mesmo avião também viajou parte da comitiva técnica de Siza Vieira que vem celebrar com ele a inauguração da Fundação Iberé Camargo, em Porto Alegre, já na próxima sexta.
Siza Vieira chegou ontem ao Brasil e passou hoje o dia com Oscar Niemeyer no Rio de Janeiro. Diz quem esteve com Siza na véspera de sair do Porto que o arquitecto estava particularmente comovido com este encontro. Percebo-o. E percebe-se o fascínio mútuo pois Niemeyer também é um admirador confesso da obra e personalidade de Siza Vieira.
Voltando ao avião, Fernando Aires e Alexandre Martins são os dois engenheiros electrotécnicos que fizeram toda a instalação de redes (eléctrica, de segurança, monitorização geral, etc) da Fundação Iberé Camargo, arquitectada por Siza Vieira, mas também foram os engenheiros dele em Serralves e estão nesta fase a montar toda a parte eléctrica do Museu de Foz Coa com os arquitectos Camilo Rebelo e Tiago Pimentel.
Ou seja, cada um destes dois engenheiros tem um curriculum extraordinário.
A conversa evoluiu entre cabelagem, salas com centrais de comando geral que têm que ser enterradas para não ficarem à vista dos visitantes de Museus e Fundações e, ainda, detalhes mais ou menos cómicos sobre as vésperas de inaugurações das grandes obras de referência de arquitectura contemporânea, que lhes dão muitas dores de cabeça mas também se revelam desafios complexos mas muito criativos.
Ao fim do dia a ala central do avião era uma espécie de sala de convívio onde se juntaram dois comissários de bordo sob a supervisão atenta mas complacente do supervisor, e durante quase uma hora a conversa gravitou à volta da nova Fundação feita por Siza Vieira. Os engenheiros tinham no computador excelentes fotografias tiradas de todos os ângulos e foi fascinante percorrer com eles as salas, corredores e mangas de betão de mais uma bela obra de arquitectura moderna.
Apesar de eu e o Camilo Rebelo (que estava ao meu lado no avião mas não aparece na fotografia porque foi ele que a tirou) termos sido convidados para a inauguração na sexta, foi um verdadeiro privilégio começar por esta visita guiada antes da chegada.

De zilda cardoso a 28 de Maio de 2008 às 06:54
Além do arquitecto que todos conhecem, Álvaro Siza é uma personalidade extraordinária. Tenho o privilégio de o conhecer bastante bem, há muitos anos, e sei que para ele todas as obras são importantes, desde as modestíssimas casas que recuperou para nós em Moledo do Minho até aos museus, casas de cultura, fundações... que tem criado um pouco por todo o mundo. Para nosso regalo.ZC
De Augusto Küttner de Magalhães a 28 de Maio de 2008 às 10:08
A forma como a Laurinda sabe e quer contar todos estes pequenos/grandes detalhes faz-nos sentir como se os estivésssemos a vivê-los = excelente!!
Queremos mais....obrigado.
De Augusto Küttner de Magalhães a 28 de Maio de 2008 às 10:18
Assumo, e quem sou eu para o não fazer, que Siza Vieira TEM OBRA FEITA!
Sendo que alguns pequenos detalhes me fazem confusão, quando são belos, mas pouco práticos, ou seja quando são para contemplar, mas não para usar.
Dou como exemplo Fundação de Serralves de que muito gosto: a biblioteca não é funcional, se alguem andar com sapatos que não de borracha faz um barulho que incomoda toda a gente, a chefe da mesma tem um gabinete que está aberto sem vidro para a Biblioteca sem qualquer privacidade, no Auditório para descermos os degraus que são disfarçados, temos que ter muito cuidado para não cair.
A obra é bela, mas tem- também - que ser idealizada para ter lá dentro Pessoas.
E a av. dos Aliados, sem arvores num momento em que todos as defendemos? E a marginal de Vila de Conde tão bonita, mas onde se confunde a zona para peões e a para veiculos...
Siza Vieira é excelente, mas as suas obras são essencialmente de/ e para contemplação.
Fico sempre com uma ideia diferente das duas primeiras obras que de Siza conheci: Boa Nova e Piscina de Leça, espectaculares em todos os sentidos...quem sou eu para fazer estes míseroa comentários!!!!!!!!!!Mas................
De zilda cardoso a 28 de Maio de 2008 às 20:54
Quando as obras são belas (como a de Serralves), as pessoas para quem foram desenhadas adaptam-se gostosamente a elas. Não demorei muito a adaptar-me à casa de férias de Moledo, acho que valeu a pena. Passaram muitos anos e ainda me sinto feliz naquela casa, tal como foi concebida e arranjada pelo arq., pessoa sensível e culta. O que não quer dizer que aprecie a av. dos Aliados. Não aprecio porque não compreendo.
Ocorre-me no entanto que ouvi Alvaro Siza dizer um dia, que o projecto foi posto em discussão pública, onde esteve muito tempo, e ninguém disse sobre ele uma palavra. Que direito temos de criticar a obra feita? A culpa foi de todos nós que não usamos o n/ direito... Se todos tivéssemos dado opinião, talvez tivéssemos chegado a um consenso e, quem sabe, a avenida estaria pelo menos ao gosto da maioria.ZC
De zilda cardoso a 30 de Maio de 2008 às 08:17
Ainda Siza Vieira e outros arquitectos
Sobre a av. dos Aliados está entendido que a maioria da população (em que me incluo) não apreciou o actual arranjo. Não sei se algum dia nos vamos habituar a ele. Mas as novas gerações, sobretudo os que não conheceram a velha avenida, vão provavelmente gostar.
Podiam ter deixado a antiga com melhoramentos e fazerem aquela (parece que indispensável) noutro local. Ou podem agora reproduzir a velha num belo lugar, limpo, onde não destrua nada, nem as n/ recordações! Não seria interessante?
Quanto aos defeitos de alg. obras, elas são de humanos não de deuses. Os defeitos poderão corrigir-se se os seus criadores forem alertados para eles e não houver a ideia de que são intocáveis.ZC
Foi um prazer te-la a bordo e fico contente que tenha gostado deste voo até Sao Paulo. Adorei conhece-la assim como ao Camilo com a sua sensibilidade fotografica e aos engs que nos mostraram fotos fabulosas da ultima obra de Alvaro Siza em terras brasileiras. Muito obrigado pela simpatia e simplicidade, estes momentos fazem os nossos dias e por eles gostamos de andar a voar todas as semanas. Sao por estes encontros casuais que a vida de tripulante é interessante, obrigado Camilo pelas fotos estamos todos optimos! Vou acompanhamdo a vosa viagem pelo blog, que está fantastico - parabens. Boas entrevistas, boas cronicas e boas viagens. Miguel Cunha
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