Quinta-feira, 22 de Maio de 2008
Friends

 

No mesmo canto de uma mesma casa sentam-se muitas pessoas diferentes ao longo de um serão. Sempre achei graça a esta coisa de observar os lugares e quem passa por eles.

 

Faço isso instintivamente no aeroporto, onde o filme constante das chegadas e partidas me distrai e, por vezes, me comove pela intensidade dos abraços dados. Faço isso nos restaurantes quando uns se levantam de uma mesa e logo a seguir outros se sentam exactamente no mesmo lugar, completamente alheios aos que estiveram antes.

 

Faço isso nos museus, nos espaços e transportes públicos, porque me fascina a vida das pessoas, os laços que criam, as histórias que contam, o que dizem e o que calam. Adoro decifrar silêncios (indecifráveis por natureza, note-se), adivinhar sonhos e expectativas, dar um sentido aos gestos e um alcance aos olhares. Não faço por devassa, faço por uma razão qualquer que desconheço mas está em mim desde que me lembro.

 

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publicado por Laurinda Alves às 20:15
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3 comentários:
De Moura Aveirense a 22 de Maio de 2008 às 22:42
Também me acontece isso nos aeroportos! Acho aquele ambiente de partidas / chegadas / esperas / mistura de raças e culturas absolutamente fascinante.

Continuação de bom feriado, Moura Aveirense
De joseph a 22 de Maio de 2008 às 23:56
a Laurinda escreve sobre as coisas da vida de uma forma muito agradável.

não a conheço pessoalmente, apenas da escrita e no entanto ficasse com uma vontade enorme de dialogar consigo, trocar ideias, ...falar sobre a vida.

penso que tem a ver com a facto de transparecer em si uma consciência clara e aparentemente assertiva do que é o saber estar e o saber viver.

quando cometemos erros, essa vontade de dialogar é mais visível. agora, por exemplo, estou com sentimentos de culpa e a razão tem a ver com o título do post e com os laços de que fala.

uma grande amiga da faculdade, que não vejo há cerca de seis anos, mandou-me uma sms a dizer:"aqui vai: 1 sorriso para te descontrair...e uma mensagem para te lembrar que não me esqueço de ti".

como é possível eu nestes 6 anos nunca lhe ter dito nada?? posso falar das distâncias, do stress do trabalho, das complicações da vida....mas mesmo assim, os remorsos não passam

p.s. na sequência dos posts das músicas, quando estou triste gosto desta:
http://www.youtube.com/watch?v=Jzu3Ihyq50c
De Existente Instante a 23 de Maio de 2008 às 17:50
Espaços, silêncios, luz-sombra,silhuetas, objectos-reflexões, posição das coisas no pulsar delas, talvez música de fundo, talvez...fez-me lembrar "Setembro" de Woody Allen, o seu simples e belo post.
Difícil o que Laurinda escreve, mas talvez possível:
acolher no nosso silêncio, a adivinhação dos silêncio, dos silêncios dos outros e das coisas, para as tornar decifráveis no seu insondável mistério .
Estará em si, desde que se lembra, como estará em todos os silenciosos arqueólogos do silêncio.

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