Podemos começar ou acabar de frente para a Camponesa de Fontainebleau, figura luminosa e delicada que Columbano pintou quando viveu em Paris. O quadro, belo e poético, revela a transformação na arte do pintor. Gosto particularmente deste quadro, que apetece contemplar demoradamente até que o silêncio da figura se transforme numa conversa de adivinhação muda sobre as derivas artísticas de Columbano. Errante e descontente numa cidade que ele dizia que “cheirava a pó de arroz e a óleo”, o pintor passou dias a fio no Museu do Louvre onde se inspirou e mudou definitivamente de paleta. Os especialistas dizem que passou a pintar fundos mais escuros e que as suas variações cromáticas passaram a uma gama mais contida de ocres distribuídos com maior fluidez da tinta. Acredito. Não sou especialista mas gosto do claro-escuro de Columbano, da obscuridade e da intimidade da sua penumbra mas, também, da sua claridade. Gosto dos contrastes e da familiaridade de algumas cenas e retratos. Nos quadros de Columbano Bordalo Pinheiro expostos no
Museu do Chiado há silêncio e há pose mas também há naturalidade e cumplicidade. Vale a pena ir ver a maravilha com que este pintor se entregou à modernidade.