Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Crimes hediondos

 

É difícil pronunciar o nome do austríaco asqueroso que sequestrou e violou a sua própria filha ao longo de 24 anos. E é difícil não lhe aplicar os piores adjectivos.

 

A notícia de um pai que obriga a filha a vegetar numa cave escura e imunda, onde a viola constantemente e onde acabam por nascer sete filhos, três dos quais ainda viviam ali com a mãe, é uma notícia insuportável. Provoca náusea física e uma perplexidade que dói.

Ler os detalhes e acompanhar a evolução desta sinistra mas libertadora descoberta é um misto de revolta e alívio. E um murro no estômago que obriga a reagir.

 

Desde logo porque muitas crianças também viram e ouviram esta mesma história inquietante e fizeram perguntas em casa. Perguntas que não podem ficar sem resposta, claro.

 

"O que é uma cave?" ou "os pais podem fazer mal aos filhos?" são algumas das questões que as crianças verbalizam. Mas há outras dúvidas, igualmente perturbadoras, que nem sequer conseguem exprimir.

 

E é porque um um crime hediondo como este levanta uma suspeição geral sobre os adultos e em particular sobre os pais, que vale a pena explicar certas coisas às crianças que adormeceram ontem com a certeza de que um pai pode mesmo fazer muito mal aos seus próprios filhos.

 

É justamente para evitar conflitos interiores graves e para sossegar as crianças que esta questão merece ser ponderada e esclarecida. Apesar de ser fruto de uma tara e revelar  vícios compulsivos associados a 'uma mente muito perturbada', é uma história real, dos dias de hoje. Considerado o mais grave crime dos anais criminais austríacos, pode ser um ponto de partida para conversas mais delicadas, em casa ou na escola, sobre maneiras de lidar com abordagens estranhas dos adultos. Digo isto porque, como todos sabemos, o pior pedófilo é sempre 'o melhor amigo' das crianças e habitualmente está dentro ou muito próximo da família.

 

É importante perceber que o caso austríaco é um caso extremo mas o abuso sexual de crianças por pais, familiares ou amigos não é assim tão raro. Importa, por isso, estar atento e esclarecer sem dizer demais nem provocar ansiedade ou levantar a tal suspeição sobre os adultos em geral e os pais em particular. Ajuda dizer às crianças e jovens que devem falar com alguém sempre que sentem que foram alvo de uma abordagem estranha. E ajuda dizer-lhes que a voz da sua consciência nunca se cala e lhes dirá sempre o que é uma abordagem estranha. 

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publicado por Laurinda Alves às 13:26
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