Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
E eu não tenho palavras para dizer o quanto hoje agradeço

 

Uma inscrição no tecto, uma parede branca e um pedaço de céu. Tudo isto à entrada de Serralves, onde está uma exposição sobre arte e protesto. Tirei esta fotografia durante o fim-de-semana, quando fui almoçar a Serralves. Uso-a hoje por ser um dia em que também eu não tenho palavras para agradecer duas vidas especiais na minha vida. Embora seja um dia que ficou dolorosamente marcado para sempre, não posso deixar de o viver com este sentimento de gratidão. Uma dessas vidas é da minha mãe, que há precisamente um ano foi internada entre a vida e a morte, mas está outra vez bem. A outra é a de alguém que faz muita, muita falta, mas deixou marcas indeléveis e, como diz Sto Agostinho, permanece vivo no coração dos que amou, e o amaram.

 

P.S.: Subverti radicalmente o sentido desta inscrição, que é de ódio e protesto, notem. Mas gosto da ideia de o poder fazer, até pelo pedaço de céu e pela pureza do branco da parede ao alto. Digamos que recriei o meu próprio graffiti convertendo o negativo em positivo.

publicado por Laurinda Alves às 12:13
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6 comentários:
De Fernanda Matias a 31 de Janeiro de 2011 às 14:28
Querida Laurinda

Roubando ass suas palavras eu também digo que não tenho palavras para agradecer aos que amo, aos que amei e amarei enquanto fõr viva e , agradecer-lhes pelo que sou. Tenho tantos defetos, como os comuns dos mortais, mas vivo para dar sentido á minha vida e de tantas outras, nas coisas quase insignificantes, imperceptiveis quase, mas que fazem toda a diferença.
Como a Laurinda, gosto de pessosas e depois..., de tantas outras coisas, como ter flores naturais numa jarra a olhar para mim. Já viu que essas flores ( gestos tão simples) também tornam mais alegres e felizes as pessoas que vivem ou vão ás nossas casas?
Temos que dar valor a tudo o que nos rodeia e escolher, oferecer e oferecermo-nos o que vale a pena. E, o que vale a pena para uns não o é para outros. É a vida, não é?

Um grande abraço

Fernanda Matias
De sweet-moments a 31 de Janeiro de 2011 às 22:15
Uma bela recriação do dito graffiti. A intersecção do tecto com a parede branca e o céu, resultou numa composição muito bem conseguida e original. Parabéns !
Quanto à mensagem, é algo que todos devemos fazer diariamente, agradecer o que temos, mesmo que aparentemente posso parecer tão pouco. Eu tento fazer.
Obrigada por continuar a partilhar.
Boa semana.
De João Nuno a 1 de Fevereiro de 2011 às 01:09
Querida Laurinda,
se me permite...isto é o que mais gosto em si: a capacidade de ver o lado bom de tudo e de, com isso, nos fazer ir mais além. Com os sonhos nas palmas das mãos.
Obrigado e boa semana.
Beijinhos
João Nuno
De João Nuno a 1 de Fevereiro de 2011 às 01:16
Dão que pensar...as palavras de Miguel Esteves Cardoso no Expresso - "Elogio ao Amor"

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.

Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.

Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
De Maria do Carmo Almeida a 1 de Fevereiro de 2011 às 14:01
Ao ler este texto do MEC, que gostei e que destabiliza, lembrei-me imediatamente do Poema de Camões. O mesmo sentimento, esta força descrita por outras palavras, se é que há palavras suficientes que o descrevam.

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos

MCA
De viguilherme a 1 de Fevereiro de 2011 às 10:21
Foi com muita pena mas não seria o momento para isso acontecer que não pude estar em Bonjóia para o encontro aí realizado e que foi um sucesso pelo que refere no seu blogg ......há sempre mais marés que marinheiros ....outros encontros virão ......

É com grande apreço que se sente e vê a preservação do nosso património em todas as suas vertentes como uma necessidade de reafirmar a nossa identidade em preservar um legado ....o movimento para a manutenção e preservação do parque do Infante Dom Pedro em Aveiro é mais um sinal extraordinário dessa necessidade .....espaço de rara beleza e de um sistema a manter seu equilibrío ecológico na bio-diversidade que apresenta .....

Parece haver uma certa sincronicidade entre as viagens de seu filho e as suas na criação e descoberta de pilares da Terra ......Parabéns e novos projectos de pilares da Terra ......

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