Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011
Viagem de eléctrico

 

Voltou o sol e esta cidade fica infinitamente mais luminosa e apetecível. Para quem, como eu, anda de eléctrico todos os dias o filme que se vê das janelas, mais os episódios que acontecem dentro de portas, são muito inspiradores.

 

 

Gosto de todos os detalhes, de toda a geometria e arquitectura dos eléctricos. Não há um único pormenor feio ou que destoe, e é neste ambiente de ferros e madeiras com a patine do tempo, entre as ripas do chão e os envernizados dos tectos, que me deixo embalar e ir pela cidade fora.

 

 

Raramente entro num eléctrico vazio. Só no princípio da linha, ali para os Prazeres, por exemplo. Tem a sua graça ir sozinha e apanhar no ar fragmentos das conversas entre aqueles que tomam sempre posição entre a janela e o condutor (especialmente se é uma mulher nova e bonita, como era o caso) e abstrair, tentando prestar atenção ao deslizar metálico feito de arranques e paragens súbitas quase sempre seguidos daquele toque prolongado que distingue os eléctricos e avisa os condutores ou peões que se atravessam no caminho.

 

 

Também gosto de ir vendo como são as pessoas que entram e saiem. Como eram as que ainda agora estavam sentadas naquele mesmo lugar, e como são as que acabam de entrar e nem se chegam a olhar. Sempre me fascinou observar este desfile de multidões, este movimento perpétuo de gente que vai e que volta, e se cruza no mesmo espaço sem se ver nem conhecer. Se não fosse jornalista, gostava de ser realizadora de cinema, é o que é.

P.S.: as fotografias estão tremidas, mas nesta calçada portuguesa e nestas ruas de Lisboa é impossível tirá-las em movimento com uma máquina tão simples como a minha e esperar que elas fiquem completamente bem...

publicado por Laurinda Alves às 11:33
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8 comentários:
De Maria Suzana Ferreira a 7 de Janeiro de 2011 às 14:06
Laurinda, concordo consigo... como os dias de sol são tão diferentes dos outros. Renasce em nós a luz e a luz é vida. Também gosto muito de viajar de electrico. Principalmente daquela carreira que vai ladeando o rio Tejo.
E a cada minuto que passa, neste dia, repito comigo isto: Jo10, 10. Reconhece? Olhe que não se trata de uma matrícula de carro!
Achei perfeito.
Um beijinho
Suzana
De Tiago Casaleiro a 7 de Janeiro de 2011 às 14:18
É bom ouvir histórias do quotidiano alfacinha. Tenho saudades desses pequenos momentos. O meu trajecto preferido continua a ser o 28 até à Graça! Cada vez que vou acontece algo diferente ou reparo em algo novo. Nada iguala as conversas possíveis entre o condutor e a senhora que está à janela, quando o semáforo caminha rapidamente para o verde.
As fotos podem estar tremidas mas acho que o bom do eléctrico é que nos acorda e nos faz estar despertos para o que nos rodeia :)
Abraceijo,
Tiago
De Helena a 7 de Janeiro de 2011 às 16:18
No tempo que vivi em Lisboa o eléctrico era o meu transporte preferido. Levantava-me mais cedo só para de manhã poder ir calmamente para o meu local de trabalho sem pressas, primeiro de eléctrico desde o Beato até ao Arco Cego, e depois a pé até ao meu local de trabalho que eram 15 a 20 minutos, podia ir de autocarro mas gostava de apanhar a frescura da manhã e apreciar o corre corre citadino! Mas como a vida é feita de mudanças agora vivo num sitio muito mais calmo onde não preciso de apanhar qualquer tipo de transporte público para me deslocar para trabalhar. Uma das muitas coisas positivas de viver em meios mais pequenos no meu caso a sul do país.
Bom fim de semana!
De Anónimo a 7 de Janeiro de 2011 às 18:46
Laurinda,

muito sinceramente, não acho nada, que apesar de tiradas no eléctrico, as fotos estejam tremidas. Penso mesmo, que dos varios talentos, que lhe reconheço, a fotografia é um dos GRANDES!
Pois, desde a chuva a bater-lhe no pára-brisas, às poças de água com reflexos de casas, ás árvores vestidas ou despidas, ao mar com ou sem sol, ás sombras, ás flores deslumbrantes, é um sem fim de motivos que só uma sensibilidade maior é portadora.
Abraço para si. Veramaria .
De Marcolino a 7 de Janeiro de 2011 às 19:59
Querida Laurinda,
Este seu texto está lindo, com a sua poesia descritiva, daquilo que sente, desde que entra num eléctrico até dele sair, aumentando-nos o prazer de, um dia destes, nesses animais raros, quase de estimação, diria, viajar por puro prazer.
Quanto às fotos ilustrativas considero-as, tal como alguém a meu lado, obras primas do interior deste belissimo e bem conservado electrico lisboeta, olhado por quem sabe olhar tudo à sua volta, aproveitando certos angulos bem sugestivos!
Parabéns Laurinda!
Abraço
Marcolino
De sandra margarida oliveira a 8 de Janeiro de 2011 às 01:48
Olá laurinda! ~Gosto muito dos teus eléctricos, das tuas fotos e dos comentários....beijinho,
sandra
De João Nuno a 8 de Janeiro de 2011 às 14:55
Querida Laurinda, adore esta sequência de fotos. Gosto do caminho vigorante dos eléctricos e da suavidade ágil de como tudo se processa. E sei que me entende. Gosto daquelas curvas mais tremidas que o condutor percorre com perícia. Adoro Lisboa, essa é a realidade,
Um beijinho
João Nuno
De Maria Araújo a 8 de Janeiro de 2011 às 22:33
Adorei ler.
Quando vou a Lisboa e se tenho oportunidade que andar de electrico, fico fascinada com o que vejo.
Em Agosto passado fui ao Castelo de São Jorge, de eléctrico. Os meus sobrinhos adoraram.
Lamento que nas cidades mais pequenas tivéssem desaparecido.
As fotos estão muito bem.


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