Noutro lado da cidade mora um casal com dois filhos numa casa luminosa, de corredores compridos. São uma família que apetece ter para sempre na nossa vida. A filha mais velha é ainda uma criança pequena mas, ao mesmo tempo, crescida. Alta e magra, é muito elegante e muito bonita. Não vê nem nunca viu. Caminha mais devagar do que as outras crianças da sua idade mas dá passos confiantes. Sempre que alguém toca à porta ela aproxima-se devagarinho, num silêncio de quem ouve e observa, e vem pelo corredor fora com uma mão ao correr da parede. Quando sente que está próxima de quem acabou de entrar, estende a mão e fica de mãos dadas. E nisto, como em tantas outras coisas, ela é maravilhosamente diferente das outras crianças, que por nos verem, desaparecem no corredor ou escondem-se de nós quando chegamos.