Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010
A expressão das emoções, ou a arte japonesa BUTOH

 

Espanto. Surpresa agradável. Emoção pura.

 

 

Desconfiança. Aborrecimento. Uma certa zanga. Emoção mista.

 

 

Medo. Emoção pura.

 

 

Desdém. Condescendência. Afectação. Distância. Emoção mista.

 

 

Maldade. Perversidade. Emoção pura.

 

 

Ternura. Emoção pura.

 

 

Lamento. Amargura. Vitimização. Auto-comiseração. Emoção mista.

 

 

Hipocrisia. Emoção pura.

 

 

Autoritário. Moralista. Mandão. Julgador. Castigador. Emoção mista.

 

 

Contentamento. Emoção pura.

 

Eis aqui a expressão de algumas das nossas emoções. João Teixeira da Motta aprendeu a arte BUTOH no Japão e em Berlim com Kazuo Ohno, mestre nesta arte de vanguarda que combina o teatro com a dança e a performance. Reencontrei o João depois de anos a fio sem nos vermos. Diplomata de carreira durante 17 anos, trabalhou nas Nações Unidas, foi Cônsul Geral na Holanda e viveu em Paris, onde representou Portugal junto da UNESCO. Em 89 desistiu da carreira e apostou noutros talentos: escreveu um livro, tornou-se artista plástico e performativo. Continuou a viajar e vive há anos na Florida, EUA. A BUTOH é uma arte ainda desconhecida no Ocidente, meio esquisita, que não é dança nem teatro, e nasceu no Japão no pós-guerra, quando muitas pessoas sofriam na pele os efeitos da explosão da bomba atómica. Expressar as emoções ajuda a lidar com elas. Se tivessemos espelhos sempre que nos zangamos, muita coisa mudaria em nós. Se nos pudéssemos observar em real time perceberíamos como a nossa expressão muda radicalmente, e ficaríamos a saber como nos podemos tornar velhos, desagradáveis e feios com as emoções negativas. Se tivéssemos sempre connosco esse espelho das emoções, passaríamos a sorrir mais, a ser mais ternos, menos moralistas, menos autoritários e a andar mais satisfeitos. Ou não?

publicado por Laurinda Alves às 01:16
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3 comentários:
De Marcolino a 24 de Novembro de 2010 às 08:48
Bom dia, Laurinda!
Belissima sequencia de imagens, de um rosto simpático, dramatizando estados d'alma!
Parabéns...!!!
Abraço
Marcolino
De Fernanda Matias a 24 de Novembro de 2010 às 16:24
Pois é Laurinda

Se fizessemos caras mais bonitas, eramos mais agradáveis e não envelheciamos tanto.
No entanto " todos dizem que os rios são violentos, mas ninguém diz das margens que os comprimem".
Brecht

Um abraço
Fernanda Matias
De Teresa Lopes a 24 de Novembro de 2010 às 19:25
Amei este post, Laurinda.
Quem vem aqui diariamente já espera ser surpreendido por emoções novas. Ou renovadas...
Mas para mim, esta sequência de imagens tem um valor incalculável, pois são um instrumento didáctico extraordinário para quem lida diariamente com pessoas que têm dificuldade em exprimir emoções e em lê-las nos rostos alheios. Só por isso, já valeu a pena ter feito a visitinha de hoje :)
Beijinhos
Teresa

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