Sábado, 20 de Novembro de 2010
À volta de uma mesa 8 anos depois...

 

Agora já posso contar a história que queria contar, mas não podia  por ser a surpresa do dia para uma das pessoas envolvidas. Ontem fui ao Porto com uma pessoa que vive em NY e veio a Portugal, entre outras coisas, para apanhar comigo o comboio da hora do almoço e voltar no comboio da tarde. A missão desta viagem-relâmpago era promover um encontro-surpresa entre esta pessoa e um grande amigo meu, o Bento Amaral. Há mais ou menos 10 anos o Bento leu no Expresso uma grande entrevista de Domitília dos Santos, financeira portuguesa que vive e trabalha em NY (na altura julgo que ainda em Wall Street), e ficou cheio de admiração pelo seu percurso profissional e pelo seu empenho pessoal em causas e campanhas solidárias. Na altura comentou com a Rita Olazabal, sua grande amiga, que um dia gostava de a conhecer pessoalmente a Domitília e ela nunca mais se esqueceu deste desejo. Acontece que nessa altura o Bento terá dito que também gostava de me conhecer a mim e a Rita achando mais fácil promover esse encontro, apresentou-nos passado pouco tempo. Graças a este gesto querido da Rita, eu e o Bento somos amigos há 8 anos. Na altura também foi um encontro-surpresa e aquilo que era para ser apenas um lanche, acabou por ser uma conversa demorada pela tarde dentro, que continua e continuará pela vida fora.

 

 

Passados estes oito anos, nem eu nem a Rita nos esquecemos nunca de que a Domitília era uma pessoa que o Bento admirava e gostaria de conhecer, mas como nenhuma de nós a conhecia, as coisas foram andando assim. Até que em Fevereiro deste ano, altura em que comecei a fazer contactos com portugueses de sucesso que vivem e trabalham fora de Portugal para gravar a série Portugueses Sem Fronteiras, dei comigo a falar com a Domitília por mail. Nessa altura expliquei-lhe que mesmo sem ela saber tínhamos em comum um amigo que há anos tinha manifestado o desejo de a conhecer. Em Junho estive em NY, conheci a Domitília e o Bento veio naturalmente à conversa. Nessa altura ela declarou que quando viesse a Lisboa com uma tarde livre apanhava um comboio comigo e íamos ao Porto fazer-lhe a surpresa. Esse dia foi ontem.

 

 

Alheio às combinações, segredos e segredinhos trocados entre mim, a Rita, a Carmo e a Clô (mulher e irmã do Bento), o próprio Bento não fazia a menor ideia do que o esperava. À noite confessou-me inclusivamente que tinha vindo ao blog e tinha ficado em picos para saber de que é que eu estava a falar. Disse que não se ia deitar sem voltar ao blog para satisfazer a curiosidade (que divertido, só de pensar que ele estava tão, tão a leste de tudo, como se costuma dizer) e nunca na vida lhe passou pela cabeça a surpresa que preparávamos para ele. Abreviando uma história alegre com final feliz, o encontro mais que improvável do Bento com a Domitília em casa da sua própria mãe foi um momento marcante. Ele não só não estava à espera, como não a reconheceu imediatamente e isso acabou por criar uma situação meio cómica ao início. As fotografias de cima estão difusas porque foram tiradas pelos sobrinhos do Bento, mas acho graça à falta de nitidez porque de certa forma funcionam como memória do meu próprio primeiro encontro com o Bento.

 

 

A Rita e o Bento, amigos há anos sem fim, foram os dois protagonistas do meu encontro-surpresa no Porto há oito anos. Esse dia marcou a minha vida e mudou a minha história. Sei que um e outro sabem disso, mas não é demais repeti-lo. Ganhei um círculo alargado de amigos no Porto que é o deles, mas que também passou a ser meu. Todas e cada uma das pessoas que conheci através da Rita, do Bento, das suas famílias e amigos, são pessoas que fazem a diferença na minha vida. De muitas maneiras e por muitas razões. Sei que sabem isto e que ao escrever estas linhas estou apenas sublinhar uma evidência.

 

 

Eis aqui a 'fotografia de família' tirada pela Clô, sem o Afonso, sem a Susana, sem a mãe do Bento e sem os 3 sobrinhos que andaram à volta da mesa em brincadeiras alegres durante todo o lanche. Foi uma tarde muito bem passada e um encontro memorável. Mais um.

publicado por Laurinda Alves às 11:19
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8 comentários:
De viguilherme a 20 de Novembro de 2010 às 13:37
Deliciosa e a saborear pois é uma história longa ,demorada ,cozinhada com o tempo mas semtempo ......a surpresa e o espanto são poe vezes condimentos importantes no encontrar da vida ......as fotos são mágicas pois levam á descoberta do não explicito á outra margem ....a foto primira parecia dois peregrinos com seus bordões a avistarem-se por traz e por cima ......as outras são do chá da Alice com o chapeleiro e a lebre de março ........momenos unicos e magicos .....
De Reflexos a 20 de Novembro de 2010 às 16:43
E este acontecimento ilustra na perfeição o mote deste blogue 'A substância da Vida'. PErfeito Laurinda!
Infelizmente muitas pessoas ainda não o realizaram, mas a herança que a vida nos dá é exactamente isto: amigos e momentos bons... os maus servem para enaltecer os bons.

O seu amigo Bento deve estar 'nas nuvens' de tão feliz. Há pessoas que eu gostaria de (ter conhecido) conhecer, que se me fossem apresentadas eu acho que teria um colapso cardiaco. No topo da lista está uma que já é impossível a Fada Sophia (Oriana).
Bono Vox, Júlio Isidro...
Bjinhos
De MER a 20 de Novembro de 2010 às 17:57
Amiga Laurinda,
Faz-nos recordar como ainda há amizades sadias e que nos fazem enriquecer como pessoa.
É lindo uma partilha assim, trabalhar-se para fazer alguém sentir-se feliz.
Bem-haja a todos os intervenientes.
As fotos estão uma delícia...o estar desfocado, até parece de propósito. Parabéns aos " pequenos" fotógrafos...têm futuro...
Abraço com desejos da maior serenidade.
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Amiga Laurinda, <BR>Faz-nos recordar como ainda há amizades sadias e que nos fazem enriquecer como pessoa. <BR>É lindo uma partilha assim, trabalhar-se para fazer alguém sentir-se feliz. <BR>Bem-haja a todos os intervenientes. <BR>As fotos estão uma delícia...o estar desfocado, até parece de propósito. Parabéns aos " pequenos" fotógrafos...têm futuro... <BR>Abraço com desejos da maior serenidade. <BR class=incorrect <a name="incorrect">Mer</A> </A>
De Goncalo a 21 de Novembro de 2010 às 00:28
Parabens laurinda, li como se nao conhece ninguem,e enterneceu-me, é bom ter estas provas de amizade...continua. bjs.

ja comentaram, e eu sublinho, as fotos, ficam muito bem tremidas,adapata-se bem nesta linda historia, (nem de preposito.)
De Laurinda Alves a 21 de Novembro de 2010 às 17:25
Querido Gonçalo, só percebi mais tarde e pela Rita que foste tu que escreveste estas linhas :) Percebo agora ainda melhor o que dizes. Muito querido. É por estas e por outras que a Ritinha é uma miúda apaixonante :) Bjs x 4 com abraços e saudades sempre!
De Teresa Lopes a 21 de Novembro de 2010 às 00:46
Que história linda!
A amizade é um dom que quando alimentado, bem cuidado... dá frutos maravilhosos. E esta é uma história de amizade cuidada, acarinhada.
Quando na vida temos a sorte de nos cruzar com pessoas com um coração grandioso como o seu, só podemos dar graças a Deus.
Beijinho grande e obrigada por partilhar.
Teresa
De Marcolino a 21 de Novembro de 2010 às 09:16
Querida Laurinda!
G O S T E I...!!!!!!!!!!!!!!!!!
Abraço
Marcolino
De Zilda Cardoso a 23 de Novembro de 2010 às 08:02
É uma história enternecedora muito de acordo com os sentimentos e as atitudes do grupo. Era bom que houvesse muitos grupos assim. Precisamos que todos sejam assim. De certeza que as coisas correriam melhor...
Tenho uma enorme admiração por todos vós!

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