Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010
Natasha Marjanovic

Eis a última imagem de Natasha Marjanovic em palco, ontem à noite, no fim da sua peça Vento Leste. Tenho pena que seja uma imagem tão estática, depois de uma peça tão vibrante e profunda, mas como todos sabemos não é permitido filmar nem fotografar durante os espectáculos. Fui ver esta peça depois de um ano a tentar vê-la (e a tentar entrevistar a Natasha) e adorei. Natasha escreveu e representa uma peça autobiográfica sobre a sua vida de imigrante em Portugal. "Aprender Portugal" poderia ser outro título desta peça. aliás Natasha abre um livro com esse título a meio da performance. Esta mulher nasceu na antiga Jugoslávia e foi obrigada a emigrar da sua terra por causa da guerra. Chegou a Portugal com as duas filhas gémeas ainda pequenas em 1999, uma altura em que tudo era extraordinariamente difícil (e burocrático) para os imigrantes. Natasha conta toda esta história com um humor e uma graça incríveis, mas ao mesmo tempo com uma intensidade e um dramatismo muito realistas. Ontem esta representação revertia para uma causa (angariação de fundos para a construção do novo edifício do Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos), mas a Natasha faz temporadas com este e outros teatros. Deixo aqui os contactos de uma grande mulher, com talentos admiráveis e múltiplos. Sei que ela tem outros projectos extraordinários de teatro para crianças com dificuldades escolares e também dá cursos de cozinha a adolescentes. Vale a pena conhecer esta grande mulher e, por isso, aqui ficam os contactos: www.palcodechocolate.pt e 964379701.
De micaelavieira a 29 de Setembro de 2010 às 16:25
é claro, que temos que admirar, e respeitar sempre todas as formas de luta, seja ela qual for.Não quero desprezar ou diminuir a sRª D. Natacha.que não conheço. mas...
nós somos um povo mt especial mesmo, e os outros (estrangeiros) aproveitam-se um pouco disso, e até arranjam formas de vida á custa disso. e depois? é imigrante, teve dificuldades?,e nós portugueses tb temos essa benesse quando estamos lá fora?! ou muitas vezes nem reconhecem que portugal está no mapa? o seu programa deve ter-lhe dito alguma coisa sobre esssa experiência de certeza.
Micaela é impressionante a nossa falta de sintonia: eu escrevo a propósito de uma grande mulher, que passou o que Deus sabe com a guerra, que perdeu tudo o que tinha, deixou a família e os amigos (sobreviventes) para trás, que aprendeu a falar outra língua (e todos sabemos que o português não é uma língua fácil), que recomeçou a partir do zero e que não teve grandes ajudas, mas nem por isso baixou os braços ou ... deixou de ajudar os outros. Tal como escrevo no post a Natasha fez ontem uma representação gratuita a favor de uma causa (de portugueses, note!) e trabalha com crianças portuguesas e jovens portugueses que têm dificuldades escolares ou de aprendizagem. Ou seja o trabalho que ela faz é transformador, tem impacto social e desperta a consciência e pergunto como é que apesar de tudo isto a Micaela consegue escrever um comentário em que fala dos "estrangeiros que se aproveitam" de nós. Sinceramente não sei onde é que a Natasha encaixa mas não é seguramente na categoria de pessoas que refere. Em todo o caso aqui fica a sua opinião e a minha. Completamente divergentes, neste caso. Abraço!
De micaela a 30 de Setembro de 2010 às 01:14
não estamos sintonizadas, porque eu não estou a por em causa sequer as dificuldades da sra. e mt menos o trabalho gratuito com crianças e adolescentes.tem o valor que tem, e ninguem lho tira,mas é indiscutivel que nós portugueses temos a mania de ser bonzinhos...e achar espectacular(abusamos imenso desta palavra) tudo o que o estrangeiro(todos que estao ca) faz . A Natacha tem valor mas não tem que ser espectacular por vir contar a sua historia, entende? haverá mais historias por ouvir,e ninguem quer ouvir porque simplesmente falam portugues. ok respeito o seu gosto a sua sensibilidade, mas como jornalista, e viajante que é , esta demasiado "presa" á sua terra. um abraço, continuo a gostar mt de si e do seu blog.
Comentar: