Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007
carta aberta à EMEL
 
Escrevo no cúmulo de nervos, raiva, frustração e súplica em que qualquer cidadão fica depois de vencer os invencíveis pilares de acesso ao Chiado, com entrada pela Rua Marechal Saldanha, imediatamente antes do Elevador da Bica.
Apesar da irritação vou tentar manter um discurso articulado e pouco adjectivado para ver se a coisa tem alguma eficácia e se a vida dos moradores desta zona melhora substancialmente.
Primeiro os factos: alguém decidiu condicionar o trânsito em algumas zonas históricas da cidade para, entre outras coisas, preservar os lugares e proteger os moradores. A decisão já é antiga, por assim dizer e, tanto quanto sei, nunca ninguém a contestou. Muito pelo contrário, parece a todos elementar que se tomem medidas para controlar o excesso de carros em certas zonas das grandes cidades. Nesta lógica, aquilo que os cidadãos esperavam era um sistema eficaz de pilares que subissem e descessem sem sobressaltos nem dúvidas de cada vez que alguém com direito de acesso se aproximasse dos ditos pilares. Ora a realidade quotidiana prova exactamente o contrário e não passa um único dia sem que haja choro e ranger de dentes nas entradas e saídas do Chiado. O sistema de pilares está permanentemente em falência e se num dia os cilindros de ferro não descem, no outro não sobem. E isto vice-versa, numa sucessão caricata de cenas que chegam a envolver 20 carros, quatro eléctricos parados em linha e dezenas de pessoas incrivelmente stressadas por se verem presas e impotentes naquela espécie de teia. Tudo porque o sistema não funciona convenientemente e, pior, porque os senhores da EMEL que controlam as entradas e saídas agem como se fossem donos do bairro.
O sistema em si já seria suficiente para dar com os moradores em doidos por causa das buzinadelas incessantes que provoca mas esta atitude que consiste em obrigar todos os dias as mesmas pessoas a dar as mesmas explicações, aos mesmos funcionários, é verdadeiramente perversa. Falo por mim mas também falo por muitos que, como eu, são obrigados a parar, a esperar e a responder a vozes quase sempre hostis, arrogantes ou suspeitosas que saem de um microfone instalado num pilar de ferro que nos observa e fala connosco como se fossemos todos ‘dealers’ que querem invadir o bairro.
Perante os factos e porque não encontro melhores argumentos a meu favor do que ter a via verde perfeitamente em ordem e impecavelmente compatibilizada com o sistema de acesso que é concedido aos moradores, só me resta escrever esta carta aberta (e suplicante, admito) à direcção da EMEL a pedir duas coisas: uma é que conserte o sistema de vez, pelo amor de Deus, e outra é que dê instruções àqueles funcionários que nós não podemos ver e recusam identificar-se mas que nos conhecem bem porque nos observam todos os dias, a toda a hora, através de câmaras de filmar, para que sejam mais despachados e abreviem o processo de fazer baixar e subir os pilares. Muito obrigada.
 
 
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publicado por Laurinda Alves às 18:00
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