Terça-feira, 31 de Agosto de 2010
Monumentos de força e coragem

Um post dedicado a todos os pais e mães com filhos hospitalizados que vivem à sua cabeceira. Tenho dois casais de amigos que conhecem bem esta realidade. Uns viveram este calvário ao longo de muitos meses sem conseguir que o filho voltasse para casa; outros estão quase a levar o seu bebé querido com eles mas todos têm sido monumentos de coragem, força e alegria. Impressiona sempre ver alguém fazer das suas fraquezas, forças. Quando estamos próximos do coração destas pessoas e conhecemos os contornos da sua realidade, ficamos não só impressionados como também gratos pela inspiração e capacidade de transformação. Deles e nossa, quero dizer. É impossível não nos sentirmos interpelados e é impossível não passarmos a relativizar muitas coisas no nosso quotidiano. Para além de dedicar este post às famílias e amigos, quero deixar umas palavras de reconhecimento e gratidão aos profissionais de saúde que também estão à cabeceira, com uma dedicação e um amor igualmente transformador. Há pessoas incríveis!
De Fernanda Matias a 1 de Setembro de 2010 às 14:13
Querida Laurinda
Faz-nos sempre pensar mais, como já lhe disse.
Esta imagem e o seu texto, levam-nos a abraçar os Profissionais, os Pais e os herois bébes.
Mas depois, há um outro lado, quase sempre escuro em que estão outras vidas que no simbólico da consciência de quase todos, já não representam a vida. Estou a lembrar-me dos idosos cujas famílias abandonam nos Hospitais ou dos que não tendo família vão lá parar igualmente. Sei que há muito bons profissionais e, ainda ontem estive com uma médica que me veio visitar no meu local de trabalho, só para desabafar. Ela é especialista em cuidados paliatios e sozinha, porque não há outo especialista na área, faz muitos quilómetros diáriamentem para aliviar as dores e dar mais conforto a quem está no domicilio. Comentáva ela e eu: e então aqueles a quem é dada altla dos Hospitais pela madrugada fora, ficam em casa sózinhos e não são referenciados ás equipas cuidadoras do Centros de Saúde?
Esses idosos ou pessoas dependentes, seguirão um calvário de idas e vindas aos Serviços de urgência até morrerem,sem ser em Paz.
Um abraço
Fernando Matias
De inês a 1 de Setembro de 2010 às 23:03
Cara Fernanda, quais equipas cuidadoras dos centros de saúde?! As que existem de verdade ou as dos discursos políticos? E a responsabilidade dos familiares? E as soluções sociais? Talvez os Hospitais sejam o último reduto que na nossa sociedade persiste em funcionar pelo menos razoavelmente. Altas de madrugada para idosos sozinhos nunca vi, mas familiares negligentes vejo frequentemente. É preciso começar a ordenar melhor as ideias dos portugueses...
De Fernanda Matias a 2 de Setembro de 2010 às 10:39
Cara Inês
Não quero que seja levada a pensar, que tenho algo contra os Serviços de Saúde, que são essencias para a nossa saúde e as vidas de todos nós e ,onde há muitos profissioniais de excelência, técnica e humana, como em tantas outra áreas.
O facto de me ter referido aos idosos no meu comentário, tem a ver com casos mutos recentes e frequentes que me têm chegado ás mãos enquanto profissional e que me fazem pensar, que esta população tão frágil, está carente de respostas / políticas socias e de saúde que os proteja e lhes proporcione uma velhiçe com digidade, que muitos familiares não podem ou não querem proporcionar.
As equipas de Cuidados Continuados Inegrados a que me refiro, e que prestam cuidados de apoio socia e de saúde existem mesmo, só que não cobrem o Pais e as necessidades, infelizmente. Por isso não me referia ás do dscurso politico, óbviamente, mas ás reais, sendo que integrei uma durante alguns anos.
Um grande abraço e não fique aborrecida com o meu comentário.
Fernanda Matias
De inês a 2 de Setembro de 2010 às 18:27
Nem por sombras, pelos vistos o nosso combate é o mesmo: procurar respostas que não há para pessoas frágeis e doentes. Mas cada vez me custa mais aceitar comentários negativos ao que se faz nos hospitais, é muito desgastante.
Nas minhas mãos tenho demasiadas vezes pessoas sem necessidade de internamento que voltam aos hospitais porque os cuidados continuados são completamente insuficientes e os paliativos não chegam para nada. E por isso recorrem às urgências repetidamente sem necessidade urgente de hospital, apenas porque não têm onde estar condignamente.
Abraço :)
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