Terça-feira, 31 de Agosto de 2010
Monumentos de força e coragem

 

Um post dedicado a todos os pais e mães com filhos hospitalizados que vivem à sua cabeceira. Tenho dois casais de amigos que conhecem bem esta realidade. Uns viveram este calvário ao longo de muitos meses sem conseguir que o filho voltasse para casa; outros estão quase a levar o seu bebé querido com eles mas todos têm sido monumentos de coragem, força e alegria. Impressiona sempre ver alguém fazer das suas fraquezas, forças. Quando estamos próximos do coração destas pessoas e conhecemos os contornos da sua realidade, ficamos não só impressionados como também gratos pela inspiração e capacidade de transformação. Deles e nossa, quero dizer. É impossível não nos sentirmos interpelados e é impossível não passarmos a relativizar muitas coisas no nosso quotidiano. Para além de dedicar este post às famílias e amigos, quero deixar umas palavras de reconhecimento e gratidão aos profissionais de saúde que também estão à cabeceira, com uma dedicação e um amor igualmente transformador. Há pessoas incríveis!

publicado por Laurinda Alves às 19:38
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21 comentários:
De Marcolino a 31 de Agosto de 2010 às 21:36
Querida Laurinda,
Olhando bem dentro de cada um de nós, que por aqui passa, pelo seu Blogue de Afectos, uns deixando o seu sentir, de viva escrita, outros apenas olhando, lendo na diagonal, ou ainda lendo e relendo, com e sem reticencias, para melhor interiorizar o seu Mar de Afectos, todos, em uníssono, já por certas passagens agrestes, do quotidiano, passaram também, mas com aquela dose de pêso, e de pesar, que Deus nos deu, à nascença, a que chamamos del CRUZ.
A CRUZ do meu Companheiro de Jornada poderá, a meus olhos, ser mais vistosa, quiçá mais leve que a minha, mas magoa-me demais o ombro, porque já, à minha CRUZ, há muito se adaptou.
A CRUZ que nos descreve, neste seu belissimo texto, é uma realidade perante a qual me curvo, solenemente, e que densamente respeito, para a qual jamais encontraria a palavra certa, e acertada, para incentivar quem tal CRUZ acarreta, pensando que se afundará, para sempre, sob o seu peso, ao avançar o outro pé, para o passo seguinte.
Os seus textos são de uma nobreza impar...!
Abraço
Marcolino
De conceicção santos a 1 de Setembro de 2010 às 08:51
Fiquei sem palavras ao ler o texto da Laurinda e o comentario, ambos são de uma profundidade , de uma densidade, de uma riqueza que não dá para explicar.
Começo o dia de alma lavada .
Parabens aos dois ,de facto transmitir por palavras da forma como fizeram o que vos vai na alma é privilégio e dom de alguns
Obirgado por isso. Um bom dia para todos
De Laurinda Alves a 1 de Setembro de 2010 às 09:27
Muito querido, Marcolino. E muito generoso, como sempre. Obrigada.
De inês a 31 de Agosto de 2010 às 22:47
Sim, sei do que fala - porque já estive/estou dos dois lados. Mas há dias muitíssimo mais duros e desertos do que o que se pode imaginar (sobretudo do lado mãe). A força, quando existe, ajuda-nos a superar o dia a dia, uma hora de cada vez (às vezes menos que isso). Ser mãe de um filho gravemente doente ajudou-me a ser mais humana como profissional de saúde - mas também menos capaz de entender aqueles que sempre nos criticam negativamente sem entender o nosso "outro lado". Há dias em que ir atender pessoas consumidoras de serviços de saúde (tantas, Laurinda!) deixando um filho a convalescer de uma situação grave em casa nos pode fazer parecer frios e distantes, pouco simpáticos, merecedores de reclamação em livro próprio ou coisas afins. O outro lado de médicos e enfermeiros também são pessoas com sentimentos à flor da pele - muitas vezes impossíveis de calar.
De Laurinda Alves a 1 de Setembro de 2010 às 09:28
Querida Inês, tem toda a razão. Obrigada pela partilha e pelo 'murro no estômago' que representa mais um despertar de consciência para esta realidade. Um abraço enorme.
De Lúcia a 31 de Agosto de 2010 às 23:29
Infelizmente conheço tão bem essa situação, conheço tão bem aquelas batas verdes.
Foi uma experiência de vida que me marcou tanto. Por si só e pelo desfecho que não foi o melhor. E também me deparei com pessoas incríveis. Permita-me homenagear também estes bébés, que são verdadeiros heróis, guerreiros. No meu caso o meu herói foi o António!
Um abraço
De Laurinda Alves a 1 de Setembro de 2010 às 09:29
Querida Lúcia, em primeiro lugar um abraço pelo António. Em segundo lugar, um abraço a si, por si. Obrigada de todo o coração pela partilha e pela profundidade destas pequenas-grandes linhas que aqui deixou.
De Margarida a 1 de Setembro de 2010 às 00:01
Olá Laurinda,
Pegando nas suas últimas palavras, há de facto pessoas incríveis, profissionais de saúde fantásticos que nos ajudam nos momentos difíceis. Quando via foto que ilustra este seu post, senti um frio na barriga. Quase que me vi na sua foto. Estive quase dois meses ao lado da incubadora da minha filha que nasceu com apenas 875 gramas. A minha história já tem 8 anos mas parece que foi ontem. Foi com a ajuda de muitas "pessoas incríveis" que consegui ultrapassar esses dias e finalmente chegar a casa com a minha princesa.
Um beijinho

De Laurinda Alves a 1 de Setembro de 2010 às 09:31
Querida Margarida, percebo esse frio no estômago e imagino que tudo lhe pareça tão próximo durante anos e anos. Quem sabe se essa memória e essa sensação de 'ter sido ontem' não a acompanhará ao longo de toda a sua vida... Nós, mães e pais, sabemos bem que é assim que as coisas se passam. Um abraço para si e outro para a sua princesa querida.
De isabel a 1 de Setembro de 2010 às 09:24
Bom dia Laurinda e bom dia a todos
Tenho vindo aqui diariamente, no entanto, para mim estes também são dias que desacomodam... há um ano, por estas semanas, dormia num coma profundo e a minha família vivia suspensa, à espera... no nosso caso eram os meus filhos que esperavam por mim... toda estas reflexões, a morte do meu pai e um encontro muito especial que acontece já no sábado têm sido o motivo do meu silêncio. No entanto, hoje tenho que deixar registada o minha profunda admiração e respeito por todos os que acompanham crianças doentes, familiares e profissionais de saúde. Para eles vai a minha oração diária e o meu sorriso porque sei que são pessoas grandes, muito grandes que nos inspiram e guiam com o seu exemplo. Não sei o que é ter um filho nestas circunstâncias , mas partilho da sensação que todos temos quando um filho está doente e dávamos tudo para trocar de lugar com ele, ficar com as suas dores... quando ouço o tema "Anjo da Guarda" do Tim e do Rui Veloso fica emocionada e rezo por todos os super-heróis, que se têm que usar, diariamente, muitas máscaras e muitos tubos para vencer o mal. E não tenho a menor dúvida que são pessoas imensamente mais intensas, guias marcantes da nossa humanidade, que as pessoas, que por um motivo ou por outro, se tornaram consumidores dos cuidados de saúde. Termino, deixando um grande abraço a todos, com a minha esperança, a minha oração e a minha fé nos super-heróis que só são mais pequenos que nós em altura, de resto são sempre, sempre muito maiores que qualquer adulto. Um grande abraço a todos os pais.
Desejo ainda que o teu primo esteja melhor. Bom regresso a casa, a Setembro, às rotinas e à vida, com o que ela tem de difícil, de lindo e de oprtunidade de crescimento. Beijinhos Laurinda, até breve!
Isabel
De Laurinda Alves a 1 de Setembro de 2010 às 09:35
Minha querida Isabel, nem sabes tu a força que nos tens dado a todos ao longo deste ano com as tuas partilhas sempre alegres, profundas e, por vezes, divertidas. A tua doença, a tua recuperação, os teus filhos e o teu marido e, agora, o teu pai quando ficou ausente, todos têm sido muito especiais para nós. Obrigada por estares tão próxima e tão presente. Este sábado acabo por não estar em Lisboa mas vou com pena de não te poder ir dar, pelo menos, um abraço apertado e demorado. Que corra tudo muito bem. Depois dá-me notícias! O meu primo melhorou e a minha mãe também, apesar dos altos e baixos. Temos estado mais juntas, eu e ela, mas também toda a família e isso ajuda sempre em qualquer recuperação, como tu sabes! :)
De conceicao santos a 1 de Setembro de 2010 às 14:33
Isabel
Quando escreveu aqui o seu ultimo post antes deste percebemos que se avizinhavam para si e para os seus momentos difíceis , na altura como hoje o que retive foi a sua serenidade de aceitar os revezes da vida, a partida , a dor.
E fiquei á espera que voltasse , e hoje tive essa surpresa boa quando abri o blog.
Não a conheço mas permita-me que lhe de os parabéns pela paz , pela serenidade , que transmite nas suas palavras tão sábias de alguém que não desiste facilmente e que consegue olhar para a vida de uma forma sempre positiva.
Bem Haja
De Fernanda Matias a 1 de Setembro de 2010 às 14:13
Querida Laurinda

Faz-nos sempre pensar mais, como já lhe disse.
Esta imagem e o seu texto, levam-nos a abraçar os Profissionais, os Pais e os herois bébes.
Mas depois, há um outro lado, quase sempre escuro em que estão outras vidas que no simbólico da consciência de quase todos, já não representam a vida. Estou a lembrar-me dos idosos cujas famílias abandonam nos Hospitais ou dos que não tendo família vão lá parar igualmente. Sei que há muito bons profissionais e, ainda ontem estive com uma médica que me veio visitar no meu local de trabalho, só para desabafar. Ela é especialista em cuidados paliatios e sozinha, porque não há outo especialista na área, faz muitos quilómetros diáriamentem para aliviar as dores e dar mais conforto a quem está no domicilio. Comentáva ela e eu: e então aqueles a quem é dada altla dos Hospitais pela madrugada fora, ficam em casa sózinhos e não são referenciados ás equipas cuidadoras do Centros de Saúde?
Esses idosos ou pessoas dependentes, seguirão um calvário de idas e vindas aos Serviços de urgência até morrerem,sem ser em Paz.

Um abraço

Fernando Matias
De inês a 1 de Setembro de 2010 às 23:03
Cara Fernanda, quais equipas cuidadoras dos centros de saúde?! As que existem de verdade ou as dos discursos políticos? E a responsabilidade dos familiares? E as soluções sociais? Talvez os Hospitais sejam o último reduto que na nossa sociedade persiste em funcionar pelo menos razoavelmente. Altas de madrugada para idosos sozinhos nunca vi, mas familiares negligentes vejo frequentemente. É preciso começar a ordenar melhor as ideias dos portugueses...
De Fernanda Matias a 2 de Setembro de 2010 às 10:39
Cara Inês

Não quero que seja levada a pensar, que tenho algo contra os Serviços de Saúde, que são essencias para a nossa saúde e as vidas de todos nós e ,onde há muitos profissioniais de excelência, técnica e humana, como em tantas outra áreas.
O facto de me ter referido aos idosos no meu comentário, tem a ver com casos mutos recentes e frequentes que me têm chegado ás mãos enquanto profissional e que me fazem pensar, que esta população tão frágil, está carente de respostas / políticas socias e de saúde que os proteja e lhes proporcione uma velhiçe com digidade, que muitos familiares não podem ou não querem proporcionar.
As equipas de Cuidados Continuados Inegrados a que me refiro, e que prestam cuidados de apoio socia e de saúde existem mesmo, só que não cobrem o Pais e as necessidades, infelizmente. Por isso não me referia ás do dscurso politico, óbviamente, mas ás reais, sendo que integrei uma durante alguns anos.

Um grande abraço e não fique aborrecida com o meu comentário.

Fernanda Matias
De inês a 2 de Setembro de 2010 às 18:27
Nem por sombras, pelos vistos o nosso combate é o mesmo: procurar respostas que não há para pessoas frágeis e doentes. Mas cada vez me custa mais aceitar comentários negativos ao que se faz nos hospitais, é muito desgastante.
Nas minhas mãos tenho demasiadas vezes pessoas sem necessidade de internamento que voltam aos hospitais porque os cuidados continuados são completamente insuficientes e os paliativos não chegam para nada. E por isso recorrem às urgências repetidamente sem necessidade urgente de hospital, apenas porque não têm onde estar condignamente.

Abraço :)

De Maria João a 1 de Setembro de 2010 às 23:12

Ao ver esta foto voltaram à minha memórias, todos os sons, todos os cheiros, todas as dores, todas as vitorias e todas as tristezas da luta que tivemos pela vida da minha filha. Esteve os seus primeiros 20 dias de vida nos cuidados intensivos. Hoje dorme feliz e doce na sua cama e eu não me canso de agradecer o milagre dela estar viva e bem.
Penso que nunca na vida vou conseguir agradecer a todos os que nos ajudaram em cada conquista ou em cada tristeza.

Maria João
De isabel a 2 de Setembro de 2010 às 07:25
Querida Conceição
Através de si agradeço a todos os que por aqui se cruzam o cuidado, a oração e a atenção que me dedicam, ainda que não conheçam esta casa que habito, feita de 1,60 de altura, um peso mais ou menos equilibrado e cabelo muito curto (é uma das vantagens de fazer uma cirurgia à cabeça... ninguém critica o nosso corte de cabelo... se queremos assim, nem se atravem a comentar o que antes não acontecia... ah ah ah e cá aproveito ao máximo já não me chatearem com os cabelos brancos que tinha de pintar e bla bla bla. Bom a verdade é que me acarinham pelo que sou e não pelo que mostro e dai o meu profundo obrigada). Hoje apanhei uma frase num mail que diz "O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de presente." É assim que vivo os meus dias e acreditem nem de longe sou digna do vosso elogio pois há pessoas muito, muito mais corajosas e com problemas muito mais graves que o meu. Como costumo dizer, sou apenas um caso raro de neurologia, com a sorte de ser tão "fora" que tenho todas as atenções dos médicos. Um grande beijinho a todos e uma vez mais obrigada por estarem ai. Isabel
De vera a 5 de Setembro de 2010 às 11:59
Quem me dera que a vida me tivesse proporcionado toda essa dor, angustia, espera, aqui descrita por algumas pessoas, porque?
Porque a mim isso foi negado............há 1,5 ano perdi um filho, unico filho, com 31 anos, morte subita, coração!
Tornei-me (se calhar)muito dura e crua, ao ler, ou saber destes casos, para mim isso não é nada porque lutaram, sofreram, angustiaram-se mas os filhos, outros familiares, amigos,etc.,aí estão.Magoa-me e até me revolta.Há futuro para todos.A mim e sobretudo a ELEl foi negado.
De Fernanda Matias a 6 de Setembro de 2010 às 11:33
Cara Vera

De facto, depois de se ler o seu testemunho, ficamos sem palavras, perante o sofrimento, indizivel.
Acredito que teria preferido todas as dores , para ter o seu filho consigo.

Um enorme abraço

Fernanda Matias
De vera a 19 de Setembro de 2010 às 21:37
Olá Fernanda,
Obrigada por me entender.
Outro abraço para si.

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