Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010
Mais uma passagem de um livro de sabedoria

Volto a publicar esta fotografia, de que gosto particularmente, por duas razões: primeiro, porque esta semana de férias está, já à partida, marcada por acontecimentos importantes e felizes, mas também dúvidas inquietantes que me fazem ficar radicalmente ausente do blog (e até do país); segundo porque li esta leitura na sequência do breve mas intenso diálogo com a Cristina Martins a propósito da morte do seu pai, e gosto particularmente desta passagem do Livro do Eclesiastes. Aqui fica. Volto na próxima semana e espero voltar com boas notícias. Por enquanto fico mais um par de dias por aqui.
(...)
Que proveito pode tirar o homem de todo o esforço que faz debaixo do Sol?
Uma geração passa, outra vem; e a terra permanece sempre.
O Sol nasce e o Sol põe-se e visa o ponto donde volta a despontar.
O vento vai em direcção ao sul, depois ruma ao norte;
e gira, torna a girar e passa,
e recomeça as suas idas e vindas.
Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche.
Para onde sempre correram, continuam os rios a correr.
Todas as palavras estão gastas, o homem não consegue já dizê-las.
A vista não se sacia com o que vê, nem o ouvido se contenta com o que ouve.
Aquilo que foi é aquilo que será;
aquilo que foi feito, há-de voltar a fazer-se:
e nada há de novo debaixo do Sol!
Se de alguma coisa alguém diz: «Eis aí algo de novo!»,
ela já existia nas eras que nos precederam.
(...)
P.S.: Este post fica com um abraço especial para a Cristina Martins por umas razões, e para o Marcolino por outras.
De vitoscano a 16 de Agosto de 2010 às 17:47
Retirado do Blog Arrastão http://www.youtube.com/watch?v=GUoanho82H4
De Cristina Martins a 17 de Agosto de 2010 às 00:12
"O que Te peço Senhor,é a graça de Ser.
Não Te peço sapatos, peço-te caminhos.
O gosto dos caminhos recomeçados, com as suas surpresas,as suas mudanças, a sua beleza.
Não te peço coisas para segurar, mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção
da vida.
Não Te peço que pares o tempo na minha imagem predilecta, mas que ensines os meus olhos a encarar cada tempo como uma nova oportunidade.
Afasta de mim as palavras que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.
Que eu não pense saber já tudo acerca de mim e dos outros. Mesmo quando eu não posso ou não tenho, sei que consigo Ser, Ser simplesmente.
É isso que Te peço, Senhor.
A graça de ser novo."
P. Tolentino de Mendonça
(Publicado pela "Foste Visitar-me - Associação de Visitadores de reclusos")
Laurinda um abraço muito fraterno e talvez um dia de viva voz lhe possa dizer apenas: Obrigada.
De Cristina Martins a 17 de Agosto de 2010 às 00:16
"O que Te peço Senhor,
é a graça de Ser.
Não Te peço sapatos,
peço-te caminhos.
O gosto dos caminhos recomeçados, com as suas surpresas,
as suas mudanças, a sua beleza.
Não te peço coisas para segurar,
mas que as minhas mãos vazias
se entusiasmem na construção
da vida.
Não Te peço que pares o tempo na minha imagem predilecta,
mas que ensines os meus olhos a encarar cada tempo como uma nova oportunidade.
Afasta de mim as palavras que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.
Que eu não pense saber já tudo acerca de mim e dos outros.
Mesmo quando eu não posso ou não tenho, sei que consigo Ser,
Ser simplesmente.
É isso que Te peço, Senhor.
A graça de ser novo."
P. Tolentino de Mendonça
Talvez um dia lhe possa dar um abraço e dizer de viva voz: Obrigada!
( Uma vez estive consigo na biblioteca municipal de Estarreja andava de muletas e pedi-lhe um autografo para o meu sobrinho Tomás) :))
Imagino, querida Laurinda, que se avizinhe aí um período de boas notícias.
Creio que as palavras que lhe vou deixar fazem sentido, nesta altura.
Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exactamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, não faltará ao mesmo tempo quem negue a existência daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que está feito, feito está, o que tem se ser tem muita força e por aí fora. Por outras palavras, quer queiramos quer não, a nossa existência resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o «tudo» que ficou para trás e o «nada» que temos pela frente. Decididamente, neste mundo não há lugar para as coincidências nem para as probabilidades.
Na verdade, porém, não se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferença. O que se passa - como, de resto, em qualquer confronto de opiniões - é o mesmo que sucede com certos pratos culinários: são conhecidos por nomes diferentes mas, na prática, o resultado não varia.
Haruki Murakami, in 'Em Busca do Carneiro Selvagem'
JOÃO NUNO
Querida Laurinda,
Aproveite para meditar, desligada deste mundo trepidante, para poder fazer as suas opções segurissima!
Note que nada é eterno...!
Abraço
Marcolino
De Romina Barreto a 17 de Agosto de 2010 às 16:59
Tão simples e tão profundo... lembro-me de muitas muitas vezes uma das pessoas mais inteligentes e sensíveis que conheci até hoje me dizer "Uma geração passa, outra vem; e a terra permanece sempre." Dizia-me isto incessantemente, eu era pequena e nada percebia mas hoje, tanto tanto tempo depois recordo-me com uma nitidez impressionante de ouvir a minha avó dizer-nos isto, quase que consigo ouvir a sua voz e quase que vejo os seus gestos… e de facto ela soube-nos passar esse apego quase intransigente à terra e ao valor da família e da continuidade das coisas e hoje vejo que isto é verdade e que giro ter lido isto e ter associado logo à minha avó… acho que ela ia gostar de ler isto se estivesse aqui nesta casa comigo neste belo dia de Verão… vou copiar o texto e guardar no computador. Obrigada Laurie querida. Beijos.
"Eu só quero que o mundo me veja como um dançarino que não pára de dançar por uma vida conquistada pelos momentos, cheia de sede por ocasiões e nunca farta de beber os novos acontecimentos... " Rui Fernandes
Há muito, muito tempo, na altura em que os gregos adoravam Atena , construíam enormes e esbeltos edifícios, deixavam relatos, pensamentos e descobertas ao futuro... existiu um menino, um menino com cabelos de cetim, olhos de mar, pele de areia, lábios de ternura... gosto de sal, e toque de açúcar...
Esse menino nasceu numa pequena ilha onde os sabores, cheiros, tradições... se misturavam com os ares das outras 1400 ilhas que pertenciam ao pequeno grande império grego, e que fazia da Grécia um país unido em saber, mas desconhecido em aromas perdidos em ilhotas, ilhas, mar... [
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"Eu só quero que o mundo me veja como um dançarino que não pára de dançar por uma vida conquistada pelos momentos, cheia de sede por ocasiões e nunca farta de beber os novos acontecimentos... " Rui Fernandes <BR><BR><BR>Há muito, muito tempo, na altura em que os gregos adoravam Atena , construíam enormes e esbeltos edifícios, deixavam relatos, pensamentos e descobertas ao futuro... existiu um menino, um menino com cabelos de cetim, olhos de mar, pele de areia, lábios de ternura... gosto de sal, e toque de açúcar... <BR>Esse menino nasceu numa pequena ilha onde os sabores, cheiros, tradições... se misturavam com os ares das outras 1400 ilhas que pertenciam ao pequeno grande império grego, e que fazia da Grécia um país unido em saber, mas desconhecido em aromas perdidos em ilhotas, ilhas, mar... <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Astipaléia</A> , fora onde este menino especial nasceu. Guerreiro por natureza, sábio pelo conhecimento e doce pela magia das suas palavras, gestos e sobretudo , pelo contraste de sal e açúcar que este jovem demonstrava . <BR>Um dia, este menino que mais tarde se tornou num jovem cidadão, frequentador da Ágora e do Senado, ostracizado por ser tão conhecido pelas suas boas acções na sua cidade, saiu de sua casa, entrou clandestinamente num pequeno barco, cheio de viagens mitológicas, e rumou para a cidade-estado de Atenas, o centro do mundo grego. <BR>Até chegar ao seu destino, o rapazinho, escondido pelas cordas de suporte do barco, aninhado na proa, encontrou uma fenda, e ao longo de uma centena de quilómetros foi-se deliciando pela fauna e flora existente, os olhos viam, mas o seu paladar de conhecimento saciava a sua sede! <BR>Chegado ao porto de Atenas, o rapaz desembarcou. Perdido e só, numa cidade que contrastava os privilegiados e os não privilegiados ... homens de um lado... mulheres, escravos, crianças... de um outro lado desumano, cruel, e injusto... da democracia! <BR>Enquanto andava perdido, vagueando pelas ruas, como um louco que anda a espalhar uma mensagem, apareceu-lhe um homem extremamente bem constituído, com longas barbas, veste simples e branca... e que o saudou com uma voz melodiosa e sábia... <BR>- Sê bem-vindo a Atenas, meu caro fugitivo! <BR>- Eu não sou fugitivo, apenas decidi embarcar em busca de saber... em busca de conhecimento... em busca de mim próprio! - Respondeu o menino, algo constrangido! <BR>- Em qualquer parte que Zeus mandou construir , existe saber... a procura pode ser mais difícil, mas os persistentes são aqueles que se distinguem dos outros, pela procura incessante! <BR>- Quem sois vós? Perguntou o menino <BR>- Quem sou eu? Quem achais que sou eu? <BR>Os filósofos distinguiam-se da maioria da população pelas perguntas e pelas suas ideias defendidas, desconhecidas aos olhos de uns e perdida na ignorância de outros. <BR>- Sois... alguém em que as palavras se transformam como em caminhos de sabedoria que nos levam ao alcance de descobertas perdidas dentro de cada um de nós como se fossemos... <BR>- filósofos... - concluiu o filósofo. - E tu? Quem sois vós? <BR>- Quem achais quem sou eu? - Ripostou da mesma maneira o menino! <BR>- Sois um rapaz, onde a busca por conhecimento nunca é suficiente para cessar a tua sede de procura... sois alguém que as estrelas se juntam e formam um elo com Zeus e que transferem uma certa dose de fragmentos divinos que fazem de ti, alguém que adora... <BR>- açúcar e sal... <BR>Os dois olharam-se, como que os seus olhos transmitissem a história de centenas de anos, do mestre para o aluno... do sábio para o sabedor! <BR><BR>(FIM... Pode ser confuso, e até pode haver quem não compreenda a história... mas em síntese, o que eu quis dizer neste pequeno relato, é que o conhecimento está dentro de cada um de nós, precisamos de o descobrir e ter empenho em descobri-lo. A ignorância pode ser o trunfo mais valioso que podemos ter... E quem é este rapaz? Este rapaz pode ser cada um de nós... basta acreditar no nosso interior... e mostrar o que somos para o exterior... esta é a essência da vida... sermos nós próprios, seres humanos, em busca de um sonho... de uma felicidade ) <BR><BR>Beijinho <BR>Rui Fernandes
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