Segunda-feira, 19 de Julho de 2010
Lisboa à noite e o sentido da vida

Leio com alguma frequência partes de alguns dos muitos livros que Boris Cyrulnik, neurologista, psiquiatra e psicanalista francês de referência, publicou ao longo dos anos e não me canso de apreciar a precisão com que este homem identifica, aponta e multiplica os sinais de resiliência humana. Ele próprio é um grande resiliente pois conseguiu fugir de um campo de concentração quando tinha seis anos e continuou a ultrapassar enormes dificuldades até se tornar um médico conceituado e uma das grandes autoridades mundiais em questões ligadas à resiliência. Deixo aqui uma espécie de fábula que muitos conhecem e ele cita, a propósito do sentido da vida de cada um. Ou melhor, do sentido que cada um dá à sua vida e da capacidade que cada um de nós tem de pôr as coisas em perspectiva e agir sobre os seus próprios pensamentos.
Um homem vai pela estrada e vê outro homem na berma a partir pedras com um grande malho. Tem a infelicidade estampada no rosto e a raiva nos gestos. O homem pára e pergunta: "O que está a fazer, senhor?" "Não está a ver - responde o homem - que só consegui este trabalho estúpido e doloroso." Um pouco mais longe vê outro homem também a partir pedras, mas o seu rosto está calmo e os seus gestos são harmoniosos. "O que está a fazer, senhor?", pergunta. "Ora bem, ganho a vida graças a este trabalho cansativo, mas com a vantagem de ser ao ar livre", responde-lhe o homem. Mais longe ainda, um terceiro pedreiro irradia alegria. Sorri ao bater com o malho e observa com prazer os bocados de pedra. "O que está a fazer, senhor?" pergunta o homem. "Eu - responde o pedreiro - estou a construir uma catedral!"
Nestes últimos tempos sinto-me como o primeiro homem... há alturas assim... e há tempos que se prolongam por um tempo que nunca mais acaba... espero por outros tempos (os de rir)... porque às vezes nada parece dar fruto. Mt bom este texto para ajudar a perspectivar.
boa noite,
bjinhos abraçadinhos
Piquenina
Sim, tudo depende do ponto de vista. Mas é preciso aprender a encarar as coisas com optimismo, não basta querer. Não se pode cair no erro de ignorar as nossas angústias e os nossos problemas, porque isso significa atirar para baixo do tapete, recalcar. Também os aspectos menos bons devem ser vividos e analisados, para que melhor se possam superar. E aí sim, a vida começa a sorrir-nos :)
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 20 de Julho de 2010 às 09:48
Apesar de ir contra a minha alegria congénita e forma de ser, também eu me identifiquei, nos tempos que correm, com o primeiro homem. E muito me desiludo com esse facto.
Tento contrariar essa "teimosia" e tenho esperança que a teimosia contrária do querer ser feliz vai vencer.
Com a ajuda de uma pausa para umas merecidas férias, vou tornar-me no homem optimista número 2 ou até no 3.
É tudo uma questão de prespectiva e a felicidade vem de dentro de nós e não do exterior.
Por isso devemos procurá-la no nosso interior.
De Fernanda Matias a 20 de Julho de 2010 às 11:00
Olá Pequenina
Apeteçe-me dizer-lhe que há muitos dias, também, em cada um de nós é capaz de constuir grandes catedrais
Um abraço
Fernanda Matias
De isabel mota a 20 de Julho de 2010 às 13:40
Talvez haja muitos dias em que o primeiro homem se apodera dás nossas acções, manda nos nossos medos e tenta impôr-se ao nosso ânimo. No entanto, se estivermos atentos a pequenos pormenores podemos sentir sempre dentro de nós o construtor de catedrais porque ele, ele faz parte da nossa essência de ser humanos e ele está sempre dentro de cada um. Talvez seja difícil explicar a alegria de reconhecer um lugar onde já estivemos (mesmo que não saibamos quando nem porquê o reconhecemos...) e também há momentos em que as forças às vezes nos façam sentar um pouco, mas acreditem que é, brutalmente, gratificante continua a caminhar, a esculpir, a ter a oportunidade de estar atentos... a vida é demasiado generosa para olharmos mais para os obstáculos. Não deixa de haver dias... assim. Mas confiem que são mil vezes melhores que aqueles que não vivermos. No que me toca não perderei nenhuma oportunidadde de encontrar pessoas, de fazer amigos novos, de partilhar dias assim e dias muito melhores que os dias assim. Quando estiveremos mesmo tristes podemos sempre virar-nos para os sonhos, há sempre por lá imensas cadetrais à nossa espera... Um grande beijinho para os que se sentem mais tristes, mais desanimados. Confiar, acreditar e esculpir os obstáculos para passarmos através deles é um dom mais que valioso! Beijinhos a todos!
Isabel Mota
De Francisco B. a 20 de Julho de 2010 às 18:46
Por falar em sentido da vida recomendo este vídeo de uma apresentação do Manuel Forjaz (que foi juri no Acredita Portugal) sobre o tema:
http://www.youtube.com/watch?v=3QhdXTVq1mI
Acho que vale a pena partilhar isto :)
Querida Laurinda,
Pois, cá para mim, a capacidade de se poder ser Resilente, é deveras transcendente, porque não deixa quaisquer marcas, ao passo que, um Ser Resistente, ficará com marcas eternamente, por mais leves que estas sejam.
Abraço
Marcolino
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