Segunda-feira, 19 de Julho de 2010
Tempo com tempo

Passei a correr por uma rua onde o tempo parecia ter outro tempo, ampliado pelo silêncio dos homens concentrados nas peças e movimentos de tabuleiro, e abrandei imediatamente o passo. Fiquei ali a vê-los pensar, pensar, hesitar, e depois arriscar jogar. Sempre calados, todos exclusivamente focados nas enormes peças de xadrez colocadas num tabuleiro de grandes dimensões, desenhado no chão.

Do lado de lá, a claque silenciosa do jogador de fato cinzento, que disputava a partida ao de casaco verde, sentado do lado de cá. Ninguém disse uma única palavra nem fez o mais vago gesto para não distrair os jogadores. Acompanhei-os durante alguns minutos e tirei fotografias mas nem uns nem outro pareceram dar pela minha presença. Saí discretamente pela esquerda baixa e deixei-os na sua cisma olímpica.

Estes homens e este jogo moram no centro de Amsterdam. Pelo que percebi cada partida de xadrez pode demorar eternidades e, tal como os grandes encontros dos grandes jogadores, arrastar-se durante dias. Acho graça às vidas dos outros...
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 19 de Julho de 2010 às 16:27
A vida destes senhores tem uma dinâmica diferente da maior parte dos comuns mortais! Melhor dizendo, do comum das pessoas que trabalha dia-a-dia e que lida, inevitavelmente, com o stress.
Ora, estes jogadores de xadrez de rua, na minha opinião, se continuarem com este ritmo, têm boas chances de durar até aos 150 anos... E sem Alzheimer!
Belo exemplo de qualidade de vida e de como "velhos são os trapos"!
De isabel mota a 19 de Julho de 2010 às 17:47
Olá Laurie,
Que linda esta pausa... esta partilha. Boa!
Beijinhos e boa semana para todos.
Isabel Mota
Querida Laurinda,
salvo o erro, em 1975 ou 1976, em Santo António dos Cavaleiros, fizemos um jogo de xadrez ao vivo. Ou seja todas as peças usuais deste jogo foram recriadas por seres humanos, mulheres e homens. Fizemos assim porque desejavamos divulgar este apetecivel e reconfortante jogo, pela juventude da época.
O nosso pequeno grupo inicial, expandiu-se por todo o Concelho de Loures.
Quanto à Alzeimer, e ou, Parkinson, por favor sejam um pouco mais contidos, pois são dois males que quando nos batem à porta não há volta a dar-lhes.
Tomara, aos cientistas, e à classe médica, que estes males já tivessem cura e não apenas medicamentos paleativos.
Jamais saberemos quando, e se, nos tocarão...!
Um óptima semana!
Abraço
Marcolino
De Carlos Manuel Lopes da Silva a 20 de Julho de 2010 às 09:39
Caro Marcolino,
Não era minha intenção desprezar ou gozar com um assunto tão sério como a doença de Alzheimer. Foi um mal entendido de sua parte.
Dizem os médicos e entendidos que a prática e treino cerebrais podem prevenir a doença. Daí o meu comentário e é também por essa razão que incito os que me rodeiam a "dar trabalho" ao cérebro. Ler, ir ao cinema, teclar no pc, fazer Sudoku... Usem e abusem!
Cumprimentos
Querida laurinda, na Jamaica existe um jogo assim...exactamente igual. No meio da rua, ao sabor dos gostos e das iniciativas das pessoas.
Felizes estas coincidências. Questão para dizer...igual em certos cantos do mundo:)
Beijinhos
João Nuno
http://joaonunomb.spaceblog.com.br
De tarsília a 20 de Julho de 2010 às 23:02
Tenho uma foto quase igual que tirei num parque em Estocolmo.
Não sei jogar xadrez apesar de ter tido durante anos, em casa, conhecedores das técnicas, mas no dia em que tirei a tal foto fiquei sentada durante muito tempo a apreciar a calma dos jogadores e a paz que transmitiam.
Foi bom de ver.
T.
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