Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
Arquitectura humana

Ainda a propósito de 'laboratórios sociais' e multidões, deixo aqui uma fotografia do pátio central da Grand Central Station, em NY. Tirei esta fotografia há pouco mais de um mês, quando lá estive, depois de já ter gravado em Londres uma entrevista com a arquitecta Guida Marques Pinto em que ela sublinhou alguns detalhes humanos e humanizantes na arquitectura deste espaço único. Achei graça ao facto de a Guida, que faz arquitectura de causas e com impacto social, ter contado que os arquitectos da Central Station tiveram o cuidado de criar linhas invisíveis extraordinariamente eficazes que funcionam como corredores que orientam as multidões, permitindo a cada pessoa circular sem estar permanentemente sujeita a encontrões. Estas linhas praticamente invisíveis, mas arquitectonicamente bem definidas, tornam este imenso espaço mais humano na medida em que potencia o conforto de multidões e multidões que desfilam diariamente pelos corredores e naves da Central Station. Há mais detalhes felizes para além da estética e da arte que são, em si mesmas, um consolo permanente. Estes detalhes passam, por exemplo, por uma ligeira inclinação do solo à saída dos túneis e chegada ao patamar amplo e central (em cujo tecto abobadado foi pintada a esfera celeste, cheia de constelações e referências astronómicas) que faz com que as pessoas naturalmente olhem para cima, abram o plexo solar e respirem melhor. Ou seja, não se trata apenas da possibilidade de contemplar a arte do pintor francês Paul César Helleu, mas de descomprimir das viagens e trânsito subterrâneo. Gosto da ideia de emergir das profundezas da terra, onde viajamos em carruagens de ferro e aço, cheias de néons, para um espaço luminoso, trespassado de luz natural, onde ainda por cima alguém pensou em nós e na nossa necessidade de circular, respirar e admirar arte. Muito bom.
De
Zé Maria a 16 de Julho de 2010 às 12:46
Aproveito para lhe enviar uma foto do mesmo local que fiz quando lá estive:
http://ipt.olhares.com/data/big/320/3209988.jpg
Pode vê-la no contexto em:
http://arrumario.blogspot.com/2009/11/grand-central-station-nyc.html
É de facto um edifício magnífico ao qual ninguém fica indiferente.
ZM
Zé Maria, obrigada pelas suas fotos e comentário. Nada como uma boa máquina e um bom fotógrafo... eu sou completamente amadora e fotografo com uma máquina muito limitada. Um abraço de Lisboa a Angra do Heroísmo!
De
Nucha a 16 de Julho de 2010 às 12:47
Laurinda,
Só venho deixar um beijo. Vou para férias...
Até já!
Nucha
Querida Nucha boas férias!!!! Abraço enorme
De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 13:09
Obrigada, Laurinda, por nos proporcionar umas imagens tão bonitas e tão bem comentadas...
Todos os dias a visito e das suas palavras tiro sempre algum ilação.
Continue! Queremos mais fotos e referências a boas leituras .
Bom fim de emana,
Anabela
Anabela, obrigada, eu! Podemos começar todos a indicar leituras una aos outros. Vou pensar no assunto. Entretanto vou dando algumas pistas. Ontem comecei a ler o livro de um escritor húngaro mas ainda é cedo para dizer se o livro é o que se espera. Gosto muito do Sándor Márái, mas este viveu muitos anos antes dele e tem um nome complicado que não sei escrever de cor (o livro ficou em casa e estou na Garage, na pausa de almoço). Um abraço e deixe-se andar por aqui :)
De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 18:38
Ob , Laurinda, pela sua rápida resposta!
Vou de fim de semana, mas vou andar por aqui!
É um momento mto agradável entrar no seu blog e sentir que aprendemos alguma coisa.
Força, mais uma vez!
Anabela
De Luísa Miguel a 23 de Julho de 2010 às 19:26
Querida Laurinda,
Quero agradecer-lhe as bonitas imagens e textos que criou para o último post publicado. Sabe muito bem ao espírito, recolher pensamentos tão inspiradores dentro duma imensa energia positiva que se desprende deste blog sempre que o visitamos.
Ao mesmo tempo, tenho que lhe agradecer o grande conselho que me deu há uns meses atrás, quanto á utilização do livro da Mafalda Ribeiro (Mafaldisses) para uma apresentação de uma aula, no curso que estou a frequentar sobre Comunicação Alternativa e Tecnologias de Apoio. Só agora lhe pude dar um retorno mas tenho de dizer-lhe que o Docente e os colegas: gostaram muito do tema escolhido (Rodas Pra que vos Quero?) e ficaram muito sensibilizados com a coragem e determinação da Mafalda Ribeiro em lutar pela quebra de barreiras sociais em relação ás pessoas portadoras de deficiência motora congénita. De certeza que todos os meus colegas ficaram tanto ou mais enriquecidos como eu, depois da leitura do texto da Mafalda Ribeiro. Volto a reiterar o meu profundo agradecimento pela sua sugestão. Só assim, pude ter a oportunidade de tomar contacto com o livro Mafaldisses - que mudou muito a minha percepção acerca do que consiste em viver com deficiência motora.
Um grande abraço,
Luísa Miguel
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