Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
As cores do Metro, um laboratório social fascinante

 

A estação de Metro do Marquês de Pombal tem as cores de um laboratório de ensaios e, na minha perspectiva, a coisa tem uma certa graça porque vejo o Metro como um imenso laboratório social. É fascinante olhar para as multidões que desfilam diariamente por aqui. Seja a hora mortas ou em horas de ponta, é impossível ficar indiferente perante os sucessivos quadros da Humanidade.

 

 

Neste momento havia poucas pessoas na plataforma mas mesmo assim posso ficar horas distraída a olhar para os tipos físicos, para as atitudes corporais, para as raças e cores, para as roupas e estilos, para os que sorriem e para os que permanecem de cara fechada, para os que lêm (e os livros que estão a ler) e para os que vão de olhos fechados ou à conversa... enfim para as pessoas que gravitam à volta e entram no meu campo de visão.

 

 

Também gosto dos detalhes dos espaços, das cores e texturas. Acho giro imaginar o trabalho dos que arquitectaram as obras e tentar adivinhar os obstáculos que foram obrigados a contornar. Escavar o subsolo para construir uma rede de comboios rápidos que circulam apinhados de gente, nesta espécie de vida subterrânea, é obra. Estamos habituados e parece fácil, mas deve ter tirado o sono a muitos.

 

 

Gosto destes momentos em que o chão treme e o Metro avança pela linha até parar. Fica tudo mais fluído e de contornos menos distintos mas faz parte. Não há despedidas nos cais do Metro mas confesso que por vezes me fica a apetecer dizer adeus a certas pessoas que viajaram ao meu lado ou partem num comboio diferente do meu.

publicado por Laurinda Alves às 00:05
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31 comentários:
De Anónimo a 15 de Julho de 2010 às 00:51
Querida Laurinda!
Também gosto de observar as pessoas no Metro e por vezes fico a imaginar como serão as suas vidas .Que objectivos as farão mover-se ,que dificuldades terão , que coisas as farão ficar alegres ou não .Por vezes trocam-se olhares e nessa troca há empatia suficiente para permitir um comentário , um sorriso .Este rapaz que aparece de costas na foto ,despertaria de certeza a minha atenção pela sua expressão corporal .
Abraço com amizade
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 14:41
Este rapaz era um homem bastante mais velho do que a sua atitude corporal denunciava e também estas surpresas são engraçadas... Um abraço e obrigada pela partilha.
De Cristina Curto a 15 de Julho de 2010 às 10:12
Querida Laurinda ,
Muito interessante o tema "Metro". A minha estação de metro preferido é a nova estação do Saldanha, decorada com azulejos repletos de citações de Almada Negreiros (embora nunca ali figure o nome dele, o que é uma pena e uma ocasião perdida). Eleva-me o espírito e alegra-me pensar que alguém se deu ao trabalho de puxar por nós, fazer-nos pensar, mesmo num ambiente de correria e de passagem. Recomendo.
Bj
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 14:41
Percebo-a e de certa forma o seu comentário inspirou-me a publicar o post sobre a Central Station em NY. Abraço e obrigada.
De isabel mota a 15 de Julho de 2010 às 10:26
Querida Laurinda,
Também adoro entrar no universo do metro... do electrico. Numa das crónicas que li de Lobo Antunes ele falava acerca da solidão observou numa carruagem do metro... e sempre que escrevem sobre este universo penso na quantidade de emoções de momentos decisivos, de opções que se fazem nestes bancos. Já houve momentos em que não consegui embarcar e fui ficando para ficar mais tempo perto de algum bebé... de alguém com quem nunca falaria mas que me apetecia acompanhar. A vida é um infinito e constante desafio a estar atento e ao sentir! E sabe mesmo bem quando temos a oportunidade de estar despertos!
p.s. quando nos encontramos numa estação de metro? ah ah ah ah! Beijinhos grandes, bom fim de smena a todos. Isabel
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 14:43
Já nos encontrámos em lugares públicos e bem frequentados e, por isso, não seria nada estranho cruzarmo-nos no Metro... :) Beijinhos e bom fim de semana! Parabéns pelo blog da Mariana e pelo apoio que lhe dás.
De Marcolino a 15 de Julho de 2010 às 10:41
Querida Laurinda,
Belissimo texto, Poesia, da mais pura...!!!
Abraço
Marcolino
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 14:44
Muito querido, Marcolino. E muito generoso, como sempre. Obrigada. Abraço.
De Tiago Casaleiro a 15 de Julho de 2010 às 11:48
Olá a todos! Olá Laurinda!
Regressei esta semana a Lisboa e voltei a sentir o pulsar de Lisboa, e gosto!
Estava em Braga quando ouvi os Deolinda cantar esta linda música: "Passou por mim e sorriu": http://www.youtube.com/watch?v=8MKF_GlvmJM&feature=related
Fez-me lembrar que o metro é o sítio de sorrisos mais discretos de vidas escondidas que se percebem num olhar. Nunca tinha pensado no metro como laboratório social mas é, realmente, o que é e eu gosto muito de simplesmente tentar perceber a vida das pessoas apenas pelo seu semblante!
Abraceijos,
Tiago Casaleiro
De Piquenina a 15 de Julho de 2010 às 23:25
Olá Tiago,

li o seu comentário e não resisti a vir aqui dizer que tb estive nesse mesmo concerto, em Braga.
:) achei engraçada a coincidência

Piquenina
De Tiago Casaleiro a 16 de Julho de 2010 às 15:01
E que grande concerto foi !!!
Estas coincidências são engraçadas :D

Tiago
De Piquenina a 16 de Julho de 2010 às 18:33
isso: e que concerto!!!
mas eles são SEMPRE assim, no no anterior tinha-os visto duas vezes em palco e são "PODEROSOS".

o mundo é cada vez mais piquenino.

bom fim-de-semana
Piquenina
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 14:45
Olá Tiago, já estava a fazer falta aqui, com a sua animação e os seus abraceijos... Acabou as férias?
De Tiago Casaleiro a 16 de Julho de 2010 às 15:02
Ah Ah!
Laurinda, curiosamente comecei férias esta semana!
O último mês de exames foi extenuante e só agora abro espaço a pequenas grandes coisas!

Abraceijos,

Tiago Casaleiro
De Isabel Maia Jácome a 15 de Julho de 2010 às 13:16
Querida Laurinda
A vida é mesmo feita deste cruzamento e intercepção de tanta coisa... a multiplicidade do que vemos, o que podemos imaginar para além do que é visível e tanto que fica ainda por saber, descobrir e continuar a procurar...
Conforta-me pensar que pessoas como a Laurinda, com o quotidiano preenchido de mil afazeres, se preocupa não só com tudo o que a rodeia, como ainda em transmiti-lo... mexendo dessa forma com cada um de nós... de uma forma tão simples.
É bonito.
E talvez por isso mesmo, por essa atenção e partilha, por essa dedicação tão espiritual e visceral, os mil afazeres sem tréguas que compõem a sua vida.(?)
Vale a pena o ponto de interrogação?
Um beijinho, cheio de ternura e muito, muito amigo
Isabel (e Pedro)
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 14:46
Muito querida, Isabel. Vocês enchem-me de mimos e eu nem sei como agradecer este plus de alegria e confiança que me dão em cada dia. Obrigada! Abraço onde caibam o Pedro, a Filipa e o namorado dela.
De Isabel Maia Jácome a 16 de Julho de 2010 às 20:48
Minha querida Laurinda
Espectacular... e que giro que associe a Filipa e o namorado ao que considero antes um mimo seu! E que bem que sabe! Memória invejável também a sua e que me faz lembrar, pelo que senti, o velho ditado: "quem meu filho beija minha boca adoça"!... lembrar os nossos filhos, sabe bem!
Fica a faltar uma qualquer outra coincidência, em que possa também conhecer o nosso rebento mais novo... rebento... porque, quase com 20 anos, sendo o mais novo será sempre o "caçula" da família... pronto... ,um Gonçalo a acrescentar ao role da família!... e ainda sem namorada (pelo menos oficialmente, claro!) Boa família que tenho, graças a Deus! Quem sabe se, com tantas agradáveis coincidências o possa vir a conhecer também um dia! Espero que por uma boa causa!
Beijinho muito amigo com uma boa e grande gargalhada!
Bom fim-de-semana!
Sempre,
Isabel e Pedro

De Fernanda Matias a 15 de Julho de 2010 às 14:54
Cara Laurinda
Interessante o tema de hoje. E também interessante porque ,ontem, fui cedo a Lisboa e comentei com a pessoa que me acompanhava ,do meu hábito em olhar e ver: as pessoas, as janelas com luzes ainda acesas, as flores nas varandas, as senhoras de salto muito alto que mal conseguem andar, as Senhoras de sapatos sem saltos, que vão muito apressadas para vidas,eventualmente , pesadas, as caras coloridas de alegria e outras de olhos tristes.Tantas coisas que vejo e muitas que imagino...Tenho este fascínio pelo Mundo das pessoas.

Um abraço
Obrigada por nos proporcionar tantas imagens e motivar a pensar mais.

fernanda Matias
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 14:48
Querida Fernanda, obrigada eu! Nunca será demais repetir aqui que os vossos comentários me enchem de ideias e de alegria e, ao mesmo tempo, dão muito mais sentido a tudo o que publico aqui. Um abraço.
De Fernanda Matias a 16 de Julho de 2010 às 16:55
Olá Laurinda ( agora sem formalidade)

Acompanho-a desde há muitos anos. Desde Reporter de exterior, com o seu cabelo a voar, da Revista Pais e Filhos( houve uma, que a minha Mãe guardou para sempre, dedicada aos Avós, com uma fotografia lindíssima da sua Mãe ao pé das flores vermelhas), os seus livros, que estão na minha mesa de cabeçeira, que mandei fazer diferente, exactamente, para caberem os livros que me acompanham e aos quais volto sempre que quero e necessito, de plestras suas com o Dr. Daniel Sampaio a que assisti e onde aprendi mais ou, alterei a minha percepção de muitas coisas, da introdução feita por si aos livros de outras pessos que compramos logo, pois já têm o seu selo que nos diz que vale a pena.
Mais uma vez, muito obrigada por existir nas nossas vidas, que sendo diferentes, se misturam em tantas coisas!!!

Um abraço, grande

Fernanda Matias
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 17:20
Que gira a vida e a maneira como nos influenciamos uns aos outros, Fernanda. Agora que me falou da revista Avós & Netos e dessa fotografia da minha mãe, aproveito para lhe dizer que perdi essa fotografia e adorava recuperá-la. Acha que dava para fazer uma digitalização e mandar-me por mail. Sem pressas, claro. Ou então emprestar-me a revista (eu já não tenho nenhuma) para eu fazer o scanning da fotografia. Se não for abusar da sua paciência e do seu tempo, adorava! Obrigada pela proximidade e pela maneira querida como fala destes anos em que afinal estivémos tão perto. Um abraço e espero que não fique aflita com o meu pedido :)
De Marta M a 15 de Julho de 2010 às 19:14
Laurinda:
Como diz o Marcolino, oseu olhar de "poeta" é um gosto de acompanhar.
Também eu observo, olho e tento "perceber" os outros e intuir as suas circunstãncias...
Um verdadeiro jogo de detectives... ;)
Abraço
Marta M
De Laurinda Alves a 16 de Julho de 2010 às 14:48
:)
De isabel mota a 15 de Julho de 2010 às 19:29
Laurinda,
aproveito para te enviar o link do novo projecto da minha filha. Dei a ajuda que conseguia tudo o resto é parte dela... bom, erros ortográficos não consigo deixar de os corrigir. Beijinhos. Passa por lá...
http://mundosehistoriasdamariana.blogspot.com
beijos, isabel
De Laurinda Alves a 15 de Julho de 2010 às 19:39
Querida Isabel, já lá fui e já deixei um comentário (laurie, o meu nome para os amigos). Grande pinta! Beijinhos para ti e para a Mariana
De Piquenina a 15 de Julho de 2010 às 23:30
aaaaaaaaaaaaah a estação do Marquês, certo???
bom, para mim o "meu laboratório social" é o comboio, onde passo muitas horas. acontece inclusivé de se criarem laços entre gente que se cruza num comboio, num mesmo horário, quase como se de um ritual se tratasse. há um senhor com quem passei a conversar bastante somente porque apartir de determindad altura vínhamos sempre no mesmo comboio. e quando alguém dos "habituais" falta alguns dias seguidos chega a existir alguma preocupação de que algo de menos bom tenha acontecido.

adorei este post!
bjinhos abraçadinhos
Piquenina

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