Faltava-me falar aqui das horas que passámos com o Jorge Colombo a deambular pelas ruas de NY com a luz da tarde e, depois, as mil luzes da noite. Não sou nada imparcial quando se trata de falar de pessoas de quem gosto há muitos anos e cuja arte admiro profundamente. É o caso do Jorge. Somos amigos há quase 30 anos, trabalhámos juntos no Indy (O Independente) e já vivemos muitos momentos marcantes juntos. Nesta lógica, assumo a minha parcialidade total no que diz respeito à sua pessoa, mas assumo também a minha imparcialidade radical relativamente à sua obra e talentos.
Encontrámo-nos na 7ª Avenida ao fim da tarde, a uma hora em que a luz estava linda, e caminhámos longas horas pela cidade. Começámos por procurar o melhor lugar para gravar a primeira parte da entrevista e encontramos a esquina perfeita, mesmo ao lado do bairro onde o Jorge e a Amy moraram quando mudaram de Chicago para Nova Iorque. Curiosamente na esquina imediatamente a seguir é o The Local 269, o bar onde tinhamos combinado encontrar-nos com a Sara Serpa e o André Matos, os músicos de jazz de que já falei nos posts anteriores.
O Jorge Colombo é um artista prodigioso, muito performativo e com múltiplos talentos. Escreve bem, desenha bem, ilustra bem, filma bem e fotografa bem. É impressionante toda a sua arte (vejam o seu site, que vale a pena e é muito eloquente de tudo o que acabo de escrever: www.jorgecolombo.com) e a naturalidade com que tudo lhe sai. Profundamente culto (cultura clássica e contemporânea, note-se), é um homem cheio de interesses e muito interessante. A entrevista correu maravilhosamente bem, claro.
Pela primeira vez nesta sucessão de viagens e filmagens houve protagonistas que se cruzaram no plateau. Ou seja, que entraram em campo ao mesmo tempo, mesmo sem se conhecerem. Enquanto filmávamos o concerto de jazz da Sara e do André, o Jorge sentou-se no bar e foi desenhando no seu iPhone. Lembro que o Jorge Colombo é o artista que ultimamente fez 5 capas da lendária revista New Yorker com os seus desenhos e ilustrações feitos no iPhone.
É fabuloso vê-lo desenhar no pequeno ecran do telemóvel e é incrível o detalhe e a precisão das suas ilustrações. Só vendo se percebe como é possível desenhar o pormenor mais ínfimo da realidade como se a estivesse a fotografar e não a desenhar. O Jorge Colombo nunca altera a realidade que observa e essa característica é fascinante e revela a profundidade do seu olhar e a qualidade do seu traço.
Na fotografia abaixo tento mostrar a realidade real de uma esquina no bairro onde o Jorge e a Amy moraram (foi o primeiro desenho no iPhone que o Jorge fez) e o desenho no ecran do telemóvel. O brilho do ecran faz com que se perca a definição na fotografia e é pena porque visto a olho nu é impressionante: a esquina real e a esquina desenhada são iguais.
A vida do Jorge é andar pelas ruas num exercício de observação compulsiva e apaixonada, e depois parar e desenhar, desenhar, desenhar.
Nesta rua ele desenhou o edifício da frente e no fim 'inventou' três personagens mais ou menos errantes a arrastar duas mochilas com rodas pela rua. Adorámos fazer parte do seu desenho e confesso que esta pequena-grande ilustração me comoveu pela maneira simples e atenta como o Jorge nos retratou, sabendo (ou não) que estava a fazer a síntese destes três meses de viagens em que andámos para cá e para lá com estas mochilas atrás.
Os últimos são os primeiros e fecho com o Jorge Colombo este ciclo de imagens dos bastidores das filmagens desta primeira série de programas. No fim de 10 cidades em 8 países e mais de 40 entrevistas gravadas, confesso que estou de alma cheia a transbordar de gratidão e alegria. Não podia ter corrido melhor! Grande pinta. Obrigada a todos e a cada um dos entrevistados e, também, à Garage, à Íngreme, à RTP e a todos aqueles que permitem que os nossos sonhos se realizem. Fazer estes programas era, para mim, um sonho antigo.
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