Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
Com o Jorge Colombo pelas ruas à luz da tarde e da noite

 

Faltava-me falar aqui das horas que passámos com o Jorge Colombo a deambular pelas ruas de NY com a luz da tarde e, depois, as mil luzes da noite. Não sou nada imparcial quando se trata de falar de pessoas de quem gosto há muitos anos e cuja arte admiro profundamente. É o caso do Jorge. Somos amigos há quase 30 anos, trabalhámos juntos no Indy (O Independente) e já vivemos muitos momentos marcantes juntos. Nesta lógica, assumo a minha parcialidade total no que diz respeito à sua pessoa, mas assumo também a minha imparcialidade radical relativamente à sua obra e talentos.

 

 

Encontrámo-nos na 7ª Avenida ao fim da tarde, a uma hora em que a luz estava linda, e caminhámos longas horas pela cidade. Começámos por procurar o melhor lugar para gravar a primeira parte da entrevista e encontramos a esquina perfeita, mesmo ao lado do bairro onde o Jorge e a Amy moraram quando mudaram de Chicago para Nova Iorque. Curiosamente na esquina imediatamente a seguir é o The Local 269, o bar onde tinhamos combinado encontrar-nos com a Sara Serpa e o André Matos, os músicos de jazz de que já falei nos posts anteriores. 

 

 

O Jorge Colombo é um artista prodigioso, muito performativo e com múltiplos talentos. Escreve bem, desenha bem, ilustra bem, filma bem e fotografa bem. É impressionante toda a sua arte (vejam o seu site, que vale a pena e é muito eloquente de tudo o que acabo de escrever: www.jorgecolombo.com) e a naturalidade com que tudo lhe sai. Profundamente culto (cultura clássica e contemporânea, note-se), é um homem cheio de interesses e muito interessante. A entrevista correu maravilhosamente bem, claro.

 

 

Pela primeira vez nesta sucessão de viagens e filmagens houve protagonistas que se cruzaram no plateau. Ou seja, que entraram em campo ao mesmo tempo, mesmo sem se conhecerem. Enquanto filmávamos o concerto de jazz da Sara e do André, o Jorge sentou-se no bar e foi desenhando no seu iPhone. Lembro que o Jorge Colombo é o artista que ultimamente fez 5 capas da lendária revista New Yorker com os seus desenhos e ilustrações feitos no iPhone.

 

 

É fabuloso vê-lo desenhar no pequeno ecran do telemóvel e é incrível o detalhe e a precisão das suas ilustrações. Só vendo se percebe como é possível desenhar o pormenor mais ínfimo da realidade como se a estivesse a fotografar e não a desenhar. O Jorge Colombo nunca altera a realidade que observa e essa característica é fascinante e revela a profundidade do seu olhar e a qualidade do seu traço.

 

 

Na fotografia abaixo tento mostrar a realidade real de uma esquina no bairro onde o Jorge e a Amy moraram (foi o primeiro desenho no iPhone que o Jorge fez) e o desenho no ecran do telemóvel. O brilho do ecran faz com que se perca a definição na fotografia e é pena porque visto a olho nu é impressionante: a esquina real e a esquina desenhada são iguais.

 

 

A vida do Jorge é andar pelas ruas num exercício de observação compulsiva e apaixonada, e depois parar e desenhar, desenhar, desenhar.

 

 

Nesta rua ele desenhou o edifício da frente e no fim 'inventou' três personagens mais ou menos errantes a arrastar duas mochilas com rodas pela rua. Adorámos fazer parte do seu desenho e confesso que esta pequena-grande ilustração me comoveu pela maneira simples e atenta como o Jorge nos retratou, sabendo (ou não) que estava a fazer a síntese destes três meses de viagens em que andámos para cá e para lá com estas mochilas atrás. 

 

 

Os últimos são os primeiros e fecho com o Jorge Colombo este ciclo de imagens dos bastidores das filmagens desta primeira série de programas. No fim de 10 cidades em 8 países e mais de 40 entrevistas gravadas, confesso que estou de alma cheia a transbordar de gratidão e alegria. Não podia ter corrido melhor! Grande pinta. Obrigada a todos e a cada um dos entrevistados e, também, à Garage, à Íngreme, à RTP e a todos aqueles que permitem que os nossos sonhos se realizem. Fazer estes programas era, para mim, um sonho antigo. 

publicado por Laurinda Alves às 23:57
link do post | favorito
De viguilherme a 29 de Maio de 2010 às 16:55
Percorre-se em contraluz e em "bas-fond"de penumbra os sons de swing do jazz de Billie Holiday,Mille Davis ,Charlie PArker ,Stan Getz e.....e... outros que Sara e André conhecem e convivem ......As fotos entre desfocadas e sombreadas em luzes abafadas e coadas são um adivinhar de cumplicidades entre o clã ...e a foto /janela do vagabundear de um trio aventureiro em rota de descobertas é uma especie de Magritte onde o real eo sonho /fantasia se cruzam ,se fazem e desfazem e perduram na viagem......
Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



.pesquisar
 
.tags

. todas as tags

.posts recentes

. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...

. CURSOS DE COMUNICAÇÃO NO ...

. Curso de Comunicação adia...

. Se tiver quorum ainda dou...

. O BENTO E A CARMO HOJE EM...

. HOJE NO PORTO: SOBREVIVER...

. MÃES QUE NÃO CHEGAM A VER...

. Esta miúda vai longe!

. Alegria!

. Ladrões e cavalheiros

.arquivos
.mais sobre mim
.subscrever feeds