Terça-feira, 13 de Abril de 2010
A importância de Fassbinder na vida e obra de Filipa César

 

Acabámos o ciclo de entrevistas em Berlim com a Filipa César, artista performativa, realizadora e fotógrafa que nasceu no Porto, mas vive e trabalha aqui. E também no Porto, às vezes. Subimos ao último andar do prédio onde tem o seu atelier, ao lado de muitos outros artistas, e ela mostrou-nos umas escadas vertiginosas que levam ao telhado mais alto, sobre os outros telhados da cidade. 

 

 

Não resistimos àquele cenário e subimos todos, primeiro os rapazes com as câmaras, depois ela, e a seguir eu. As vistas lá de cima são de cortar a respiração e ainda bem que nenhum de nós teve vertigens porque era caso para isso. Estava vento e frio mas não foram suficientes para impedir a conversa nem as gravações.

 

 

A panorâmica desta espécie de terraço é enorme e vê-se grande parte da cidade de Berlim, em especial algumas zonas industriais. A Filipa César está habituada a fotografar e a realizar filmes e, por isso, sabe escolher enquadramentos.

 

 

Toda a conversa foi muito interessante, até porque a área artística da Filipa não está padronizada e ela própria é, de certa forma, incatalogável. Os seus filmes têm sempre um valor documental e uma expressão artística muito marcantes e, nesta lógica, todo o seu trabalho escapa a uma definição ou rótulos, mas nem por isso é menos reconhecido. Muito pelo contrário. 

 

 

Não podendo nem querendo revelar aqui o conteúdo do que gravámos para um programa que há-de passar na RTP e na RTP Internacional a partir de Setembro, gostava de sublinhar a profundidade existencial e intelectual da Filipa César, e dizer que embora a conversa tenha sido longa, ficou muito mais por dizer do que aquilo que conseguimos gravar. Falámos naturalmente dos seus filmes e documentários, do facto de ser uma 'workaholic' e de adorar morar em Berlim.

 

 

A Filipa César sente-se em casa nesta cidade, onde tudo acontece e onde a sua expressão artística é reconhecida entre pares, mas também por um público exigente e informado. Berlim é uma terra de oportunidades e, por isso, é aqui que quer permanecer nos próximos anos.

 

 

Falámos dos seus próximos projectos e das suas últimas obras e acabámos por nos deter no seu filme/instalação Le Passeur, patrocinado pela Ellipse Foundation, onde foi exibido no Verão de 2008. Trata-se da história de quatro amigos minhotos sem filiação partidária que se dedicaram a passar clandestinamente refugiados políticos e desertores da guerra colonial entre os anos de 1971 e 75. Até à Revolução, portanto. A motivação destes amigos era fazer oposição à ditadura e embora não tivessem nenhuma orientação partidária acabaram por servir vários partidos e ideologias que eram contra o regime.

 

 

Rainer Werner Fassbinder, o lendário actor e realizador alemão mais emblemático da Geração do Novo Cinema Alemão, tem uma importância muito forte e transformadora na vida e obra da Filipa, que assume esta mesma influência com paixão. Fassbinder morreu muito novo, aos 37 anos, e viveu uma vida de excessos, sem limites, mas a sua energia criativa, a sua sensibilidade às questões sociais, o seu pensamento cinematográfico, o seu sentido estético e a sua intensidade dramática fizeram escola e deixaram muitos seguidores. Percebo-os. 

  

publicado por Laurinda Alves às 19:40
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2 comentários:
De Ana Cristina Barbosa a 13 de Abril de 2010 às 22:37
Que pena ainda faltar tanto tempo para Setembro! estou cheia de vontade de ver estes teus programas. Os portugueses são mesmo o máximo!!!
De isabel mota a 14 de Abril de 2010 às 00:49
Olá Laurinda
Partilho plenamente das palavras anteriores "ainda falta tanto para Setembro!!!!" Mas... ficamos à espera. Não tenho andado pela net (e sabe bem perceber, também, que não dependo dela ao ponto de me incomodar... se bem que, claro, a vida é muito mais fácil tendo net em casa!)
Passei por aqui à pressa. Ando numa viagem alucinante a preparar tudo porque para a semana devo ser operada (espero que seja desta, já me adiaram quatro vezes!!!) Mas estou tranquila, pois confio as minhas ansiedades a Deus e peço a Ele que as transforme para mim. Bom, tenho que ir. Muita alegria e luz para todas as próximas viagens. E espero que a partir da semana depois da que vai entrar... que já tenha mais tempo para estar aqui. Agora, agora tenho que fazer milhões de coisas para depois da operação ninguém ter nada para fazer a não ser encher-me de mimos!!! as mães merecem estas coisas! e a restante família também!
Boas Viagens, Beijinhos a todos e beijinhos para ti.
Isabel

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