Segunda-feira, 12 de Abril de 2010
Voltou o sol a esta cidade cheia de sombras e memórias

 

A bicicleta é o meio de transporte omnipresente em todas as cidades do norte da Europa e Berlim não é excepção. Realmente apetece largar o carro e percorrer as avenidas de bicicleta. Especialmente quando há sol.

 

 

O tráfego de segunda-feira é um bocado mais intenso mas nada excessivo, felizmente. Podemos andar para trás e para a frente à vontade sem perder muito tempo no trânsito. Depois do caos de Paris e Londres, Berlim parece o céu!

 

 

Da minha janela vou tirando fotografias a pessoas e lugares. Este homem, nesta posição, visto da minha janela, fez-me lembrar um filme do Wim Wenders. Talvez na imagem não pareça, mas ao vivo era mesmo o personagem de um filme.

 

 

Hoje de manhã andámos pela cidade a filmar imagens mais ou menos avulsas porque só fomos gravar entrevistas à tarde. Estivemos por toda a parte e também no Holocaust Memorial, uma espécie de instalação com 2711 'túmulos' de pedra escura colocados no centro de Berlim em honra dos judeus europeus mortos na guerra.

 

 

Trata-se de um enorme espaço povoado de pedras de tamanhos diversos, alinhadas de forma geométrica, com corredores de luz e sombras que podemos percorrer a pé. Embora seja tudo muito recto, o monumento também cria uma ilusão de labirinto. Acima de tudo dá uma noção exacta do peso que estas mortes têm e tiveram, e não nos deixa esquecer as vítimas do Holocausto nazi.

 

 

O Memorial To The Murdered Jews of Europe foi desenhado por Peter Eisenman e inaugurado em Maio de 2005, sessenta anos depois do fim da II Grande Guerra. Este monumento ou esta imensa instalação (ou conjunto de esculturas ou como lhe quisermos chamar) nasceu de um apelo de uma jornalista judia, Lea Rosh, e levantou alguma polémica porque houve quem discutisse que devia ser em honra de todos os que foram mortos e não apenas dos judeus. O facto de estar numa praça enorme, muito ampla e muito central, colado aos prédios, faz com que este Memorial seja muito visitado e 'usado' como espaço público onde as pessoas se encontram e se sentam a conversar. É giro ver como tudo se integra de uma maneira tão natural e harmoniosa, afinal. O passado recente, as memória da guerra, as cicatrizes que ficaram e também a história de perdão do pós-guerra que permitiu iniciar a construção de um outro edifício muito mais colossal: a União Europeia.

 

publicado por Laurinda Alves às 22:02
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3 comentários:
De Moura Aveirense a 12 de Abril de 2010 às 22:43
Um sítio que já tinha colocado na minha lista dos "must-do", na minha viagem a Berlim.
De Laurinda Alves a 12 de Abril de 2010 às 23:23
Imperdível, de facto! Que pena não nos termos cruzado nesta cidade... Abraço enorme. Veja o P.S. que escrevi para si no último post que publiquei.
De Moura Aveirense a 13 de Abril de 2010 às 09:55
Já vi e já anotei, muito obrigada!

O tema do Holocausto toca-me muito e quero ver se consigo visitar não só o Memorial, mas também o Museu Judaico.

Um bom dia,

Moura Aveirense

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