Domingo, 11 de Abril de 2010
No atelier e na Galeria do Rui Calçada Bastos, em Berlim

 

O caminho para o atelier do Rui Calçada Bastos é muito cinematográfico, e aproveitámos os pequenos túneis e pátios para filmar o Rui a chegar ao espaço onde trabalha, fotografa e trabalha as suas instalações e vídeos.

 

 

Em breve o Rui terá que deixar este atelier e é uma pena porque todo o edifício está ocupado por artistas plásticos, mais ou menos conhecidos, mais ou menos amigos, e ele vai sentir naturalmente a falta deste espaço fabuloso de experiências e trocas diárias.

 

 

Dado o segredo profissional de uma série de televisão que só vai para o ar a partir de Setembro, nunca posso revelar aqui muito do que se passou ali, mas sempre vou dando as minhas impressões sobre cada um dos entrevistados e, nesta lógica, quero dizer que gostei muito da atitude do Rui. Já gostava muito da sua arte e agora passei a gostar também da pessoa.  

 

 

Achei graça à maneira como falou da sua expressão artística e da sua incapacidade de se catalogar ou definir. E gostei do cúmulo de fotografias e objectos que guarda no seu atelier, mais as fotografias da série "ALL I HAD", onde 'arruma' tudo o que lhe pertence antes de cada mudança de cidade ou de país. Muito original e muito criativo. E profundo, também. 

 

 

A boina do Rui Calçada Bastos tem uma história que vale a pena contar: o avô ofereceu-lha poucos dias antes de morrer, aos 99 anos, e a partir do dia da sua morte o Rui passou a usar a boina e nunca mais a largou. Faz parte da sua personalidade, moldou-se completamente à sua cabeça ( e à sua vida) e espera nunca a perder. Percebo-o.

 

 

A Invaliden1, a galeria de arte do Rui CB e de mais cinco artistas plásticos, é um espaço muito bonito e luminoso onde expõem peças e quadros mas onde também se fazem instalações e performances artísticas. Ter uma galeria com esta qualidade, esta abertura (e esta montra!) num dos centros de Berlim é um luxo a que só se podem dar alguns artistas. Os que já têm um percurso e um reconhecimento expressivo, quero dizer. A entrevista correu muito bem e como gravo sempre em forma de conversa, posso dizer que a conversa não podia ter sido mais interessante, alegre e variada. E profunda, insisto. 

 

 

Conhecer a intenção ou a motivação dos artistas performativos ajuda a perceber a sua performance e a substância da sua arte. Neste emaranhado desenhado na parede da esquerda podemos ler o que quisermos mas também perceber que se trata de um testemunho de superação do próprio artista, que ultrapassou graves obstáculos na sua vida à custa de muita insistência. É essa insistência que ficou plasmada na parede da Invaliden1. Muito bom. Deixo aqui os dois links do Rui CB, para quem quiser explorar a sua arte e ficar a conhecer melhor a sua identidade artística: http://www.ruicalcadabastos.com/ e http://www.invaliden1.com/ e ainda www.veracortes.com 

 

 

publicado por Laurinda Alves às 18:10
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1 comentário:
De Paula HF a 11 de Abril de 2010 às 19:17
Obrigada Laurinda por esta partilha diária. Mal posso esperar pelo seu programa...

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