É impossível não falar do casal Sarkozy-Bruni, é impossível não ver as imagens na televisão ou ler os artigos do jornal e é impossível evitar as perguntas quando falamos com amigos franceses e portugueses que vivem em Paris.
O desenrolar fulminante desta paixão é apaixonante e a sucessão dos acontecimentos é fascinante.
Entre a perplexidade e a dúvida, os franceses seguem diariamente os passos de Sarkozy e Bruni e interrogam-se sobre as verdadeiras afinidades entre um e outro. Sabem, como sabemos todos, que o poder é afrodisíaco e percebem a origem da sedução.
Sarkozy tem, ainda por cima, muito charme, muita ambição, grande capacidade de comunicação, uma inteligência viva e uma pose descontraída que chega a ser divertida.
Embora muitos franceses não gostem do seu estilo ‘bling bling’ e a generalidade dos que votaram nele não lhe perdoe estar a hipotecar a imagem de França com atitudes de adolescente inconsciente (as últimas sondagens do Libération revelam que a maioria dos franceses está pela primeira vez descontente com o desempenho político de Sarkozy, desde que foi eleito em Maio de 2007) na realidade ainda há muitos que admiram a suposta sinceridade de sentimentos e atitudes do presidente. E que acham legítima a sua busca de estabilidade emocional.
Quanto a Carla Bruni, amada por uns e apelidada de “dévoreuse d’hommes” por outros, é muito apreciada como mulher, tem sido idolatrada como ícone de beleza e foi, também, muito elogiada como cantora. Embora o seu último disco (No Promises, cantado em inglês) tenha sido um flop, os franceses adoraram o seu primeiro disco lançado em 2002 (Quelq’un m’a dit). O sucesso foi tal que até a esquerda intelectual se rendeu aos dotes vocais de Bruni, à sua inspiração e ao encanto de ver uma top model revelar tantos talentos fora das passerelles. Les Inrockuptibles, uma das grandes referências desta mesma esquerda artística, dedicou vários artigos e algumas capas a Carla Bruni reconhecendo o seu estilo musical, a sua veia de compositora e uma profundidade intelectual insuspeita.
Até aí Bruni era conhecida pela riqueza e pela beleza, pelas amigas nos desfiles (Cláudia Schiffer, Naomi Campbel e Kate Moss, entre outras da sua geração) e…pelos namorados. Ex de Mick Jagger, de Eric Clapton e de Donald Trump, também foi namorada de cineastas, actores, advogados, escritores e filósofos, todos com razoável exposição pública. O pai do seu único filho é Raphael Entoven, filósofo conhecido que trocou a namorada Justine Levy - filha do filósofo Bernard Henri Levy - por Carla Bruni que, por sua vez, tinha tido um romance com o próprio pai do namorado. Ou seja com aquele que agora é o avô do seu filho. Complicado? Talvez mas, ao mesmo tempo muito eloquente de uma vida vivida com intensidade e paixão.
Em matéria de políticos Sarkozy é a sua segunda conquista, depois de Laurent Fabius.
Todo este enunciado para quê? Para voltar à questão da perplexidade dos franceses (diria mesmo à perplexidade universal, dada a escala planetária da mediatização do romance do momento) e à dúvida de quase todos, quando olhamos para o calendário e recordamos as datas que marcaram a agenda presidencial francesa dos últimos meses. Em Outubro o Eliseu anunciou o divórcio entre Nicolas e Cécilia Sarkozy (assumidamente o amor da vida do presidente); em Novembro a notícia foi o “coup de foudre” entre Sarkozy e Bruni, que se conheceram num jantar de intelectuais e artistas promovido por Jacques Séguela (onde Carla foi acompanhada pelo namorado Denis Olivennes, patrão da FNAC, que há um ano deixou a mulher e os filhos por ela); em Dezembro o presidente declarou que a relação era “um caso sério” e, num gesto terno mas também ostensivo, abraçou Carla pela cintura, pôs o filho dela aos ombros e levou-os oficialmente pelas ruas de Petra, na Jordânia; em Janeiro o enigma é confirmar se já casaram ou não.
Casados ou por casar e olhando para o histórico afectivo de um e outro, a dúvida permanece: será amor?