Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
A coragem de ter coragem
 
Existem mil e uma formas de coragem, desde a mais espectacular à mais discreta. Há a coragem do momento e a coragem de uma vida inteira, a coragem de ousar e a coragem de renunciar, a coragem de falar e a de calar e por aí adiante. Seja como for ou tenha a forma que tiver, a coragem é sempre a força de alma que se revela (e nos revela) na adversidade.
Todos os testemunhos de coragem impressionam justamente por mostrarem que não se trata de uma ausência de medo mas de uma capacidade de agir perante as dificuldades. Quem é mais corajoso? O que escala sozinho o Everest, o que se atira de um avião em queda livre ou aquele que fala verdade? A coragem autêntica pressupõe sempre a superação de medos e uma vontade enorme de vencer obstáculos. Aliás quem descarta os medos não é corajoso, é inconsciente.
Há muita coragem em quem aposta em ser consequente e viver uma vida coerente, assim como é corajoso o que fisicamente se transcende ou aquele que, no dia-a-dia, segue em frente apesar das tentações de desânimo.
Esta semana a questão ficou muito evidente numa sucessão de conversas que agora não vêm ao caso e, especialmente, depois de mais uma entrevista corajosa de Bento Amaral, tetraplégico e campeão do mundo de vela adaptada em fase de treino e qualificação para os jogos Paralímpicos de 2008.
Coube-me a mim e a Daniel Serrão, médico patologista e especialista em Bioética, comentar esta entrevista televisiva. Daniel Serrão foi muito eloquente como sempre. Mais tarde falámos da coragem de que ele precisou a vida inteira para responder aos seus doentes sempre que o diagnóstico era pesado e lhe faziam a pergunta mais difícil de todas.
- Quanto tempo me resta para viver?
Daniel Serrão partilhou comigo algumas histórias reais e uma especial de Maria C., muito nova e muito bonita que sonhava ser bailarina mas a quem era preciso amputar uma perna. Maria C. recusou-se a fazê-lo e as coisas foram-se complicando. Em vésperas de morrer Maria C. fez a pergunta sacramental e o médico deu-lhe a resposta mais certa e, porventura, mais corajosa.
- Falta o tempo que tens para viver. A todos e não apenas a ti, o tempo que nos falta para morrer é o tempo que temos para nele viver sem desperdiçar um segundo. Desse tempo do relógio, da sucessão dos dias e das noites, quanto te falta não sei. Mas sei que te falta, como a todos nós, usar o tempo de viver que é criação nossa e tem, por isso, uma dimensão infinita.
 
 
publicado por Laurinda Alves às 19:05
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