Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Serralves à hora do almoço
 
Há muitas coisas boas nestas minhas idas semanais ao Porto. Há os amigos que passaram a estar ainda mais próximos, há os passeios com e sem destino que damos juntos, há as conversas que entram pela noite dentro e há Serralves à hora do almoço.
Almoçar em Serralves é um prazer enorme, sobretudo nestes dias de sol de Outono. Subir para almoçar depois de ver tranquilamente a exposição do americano Robert Rauschenberg, para dar o exemplo mais actual, é um privilégio. Durante a semana a Fundação está mais deserta e o prazer de andar por ali a vaguear entre as salas de exposição, os jardins, as alamedas de árvores antigas e o roseiral perfumado é intraduzível por palavras. Apenas pelos sentimentos e emoções que se vivem e partilham no momento.
Na semana passada ainda fazia sol e, por isso, havia pessoas no terraço a almoçar ou simplesmente a tomar café. De casacos vestidos e cachecóis postos, porque os dias já estão frios, deixavam-se ficar com tempo. Vistas de dentro, através dos grandes vidros que se abrem sobre as árvores grandes do jardim maior, estas pessoas também pareciam personagens de filme. De outros filmes, não daquela espécie de filme indiano de que falo no texto sobre as viagens de comboio.
Havia um casal muito novo, de certeza ainda sem filhos, que estava à mesa com duas crianças. Duas raparigas pequenas, muito bonitas, de roupas elegantes e cabelos dourados que a toda a hora riam e faziam rir o casal. Deviam sem tios e sobrinhas e através dos vidros percebia-se a infinita paciência dos dois com as duas. Se fossem pais e filhas também podiam ter aqueles gestos e aquela alegria cúmplice mas normalmente os pais ficam mais ansiosos com a agitação dos filhos em lugares públicos e tentam contê-los. Estes não. Entregavam-se às brincadeiras delas, davam gargalhadas com elas e via-se que se divertiam com as suas perguntas. Elas eram de tal maneira bonitas e estavam de tal maneira divertidas que era impossível não reparar nelas. Ficaram os quatro no terraço até quase não haver mais ninguém lá fora e depois, quando a tarde começou a ficar verdadeiramente fria, deram todos as mãos e entraram. Vinham a rir e a dizer coisas queridas. Não sei do que falavam nem nunca vou saber mas sei que a imagem de felicidade e cumplicidade entre aqueles quatro fez diferença no meu dia. 
 
publicado por Laurinda Alves às 18:52
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