Li há pouco tempo na revista Única uma breve entrevista do Pedro Cabrita Reis, a propósito da sua exposição de pintura na Galeria Fernando Santos, no Porto. Cinco ou seis parágrafos sobre coisas mais ou menos avulsas de que gosta, que colecciona ou que o inspiram na sua arte. Declarou que o vinho é um dos seus grandes prazeres. Gostei particularmente da maneira expressiva e muito plástica como lembrou o essencial: “Há uma coisa muito bonita no vinho. Por muito evoluídas que sejam hoje as tecnologias relacionadas com a produção, aquilo resume-se a apanhar uma coisa da terra, espremê-la e pô-la dentro de uma garrafa. É de uma beleza extraordinária podermos beber algo que é uma mistura de terra e de sol. Para mim, tem o seu quê de mágico e de ritual. É como se uma vez mais verificássemos e confirmássemos uma humanidade que não acaba nunca”.