Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
A enfermeira que não gosta de doentes
 
Outro episódio recente passado com outra amiga muito próxima e vivido na maternidade de um SAMS em Lisboa. A minha amiga, grávida de termo e à beira de ter o seu primeiro filho, foi internada na véspera do dia em que o parto deveria ser induzido. Ansiosa como é normal, com algumas dores e muito desconforto, foi fazendo perguntas, pedindo ajuda e esclarecimentos. Faz parte da função dos profissionais de saúde dar atenção ao todo da pessoa e não cuidar apenas dos tratamentos específicos. Ou seja, importa acalmar, dar respostas, estar disponível e, acima de tudo, perceber o estado de fragilidade dos pacientes. Qualquer bom enfermeiro ou médico sabe isto e cumpre as suas funções com profissionalismo e humanidade. O problema não são os bons porque esses, feliz ou infelizmente, não fazem história. O grave é que entre os enfermeiros e os médicos competentes há sempre um ou outro que não é daquele filme, que vive zangado, que trabalha contrariado e que se vinga nos doentes. Há pessoas assim em todas profissões, aliás, mas os estragos são maiores quando envolvem pessoas doentes, em dificuldades ou a viver um estado transitório de saúde mais debilitada. Uma mulher que está à beira de ter o primeiro filho é claramente uma pessoa frágil que precisa de ser acompanhada e tratada de forma adequada. Não é preciso ser muito inteligente nem ter grande formação para perceber isto, basta cumprir o que está estipulado para estes casos.
Abreviando a história que se passou com esta minha amiga e uma enfermeira que, soubemos mais tarde, todos conhecem por ‘a bruxa’ (alcunha extraordinária para a função, note-se), a dita enfermeira fez questão de a maltratar verbalmente, de não a ajudar quando ela pediu ajuda e pior, de ser desumana sempre que ela se sentiu mais vulnerável. Entre a perplexidade, as dores e as lágrimas a minha amiga perguntou várias vezes à enfermeira porque é que a tratava daquela maneira e o que é que tinha contra ela. A ‘bruxa’ nunca se comoveu e persistiu na atitude. Quando via que ela precisava de ser ajudada e quando percebia que ela precisava de ser informada era ainda mais dura.
Incrível o exemplo desta mulher. Inadmissível sob todos os pontos de vista e, especialmente, porque não está a lidar com criminosos em flagrante delito. Muito pelo contrário, cuida de mulheres que se preparam para a maravilha de serem mães, que precisam de se sentir seguras e protegidas. Que não merecem nem podem ser humilhadas pelo simples facto de se sentirem frágeis, de não saberem como lidar com a ansiedade e nem sempre suportarem as dores que antecedem um parto.
Não conheço esta bruxa nem quero conhecer mas deixo aqui a história na esperança de que os que a conhecem e, de forma especial, os que são hierarquicamente responsáveis pelo seu trabalho, tenham consciência dois estragos que uma só enfermeira pode fazer num serviço onde trabalham dezenas de pessoas com humanidade e zelo.   
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publicado por Laurinda Alves às 18:07
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