Sábado, 26 de Setembro de 2009
Eduardo Souto de Moura no seu atelier

 

Sempre gostei de observar as mãos e os gestos dos artistas e criadores de cujas mãos sai a obra. Fascinam-me as mãos dos escritores, dos escultores, dos pintores e dos arquitectos, mas não só. Também admiro as dos que trabalham a terra e as dos que fazem nacer crianças ou cuidam de novos e velhos. Enfim, gosto de mãos e detenho-me quase sempre nelas. Acho-as bonitas, só por isso.

 

 

Gravei uma entrevista com o arquitecto Eduardo Souto de Moura, no seu atelier, para publicar no jornal i e confesso que adorei a conversa. Eduardo é um contador de histórias e um homem muito profundo. Fala de maneira simples e directa e o que diz interpela e faz pensar. Estava em vésperas de partir para uma grande viagem mas, mesmo assim, falou como se tivesse todo o tempo do mundo.

 

 

Eduardo Souto de Moura é o homem de quem se fala no momento. Por causa do recém-inaugurado Museu Paula Rego (a artista prefere chamar-lhe Casa das Histórias) está outra vez na ribalta. Mas, na verdade, o arquitecto é um homem de quem se fala sempre. Pela solidez e coerência da sua obra e pela novidade e qualidade dos seus projectos. É, como agora se diz, um homem 'muito à frente'.

  

publicado por Laurinda Alves às 13:10
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9 comentários:
De Romina Barreto a 26 de Setembro de 2009 às 17:44
Que boa notícia Laurinda, quando a entrevista saír no i eu compro o jornal. Gostei tanto das do mês de Agosto... nem imagina. A casa das histórias tem uma arquitectura e um conceito muito peculiares de que eu gosto muito. Vê-se mesmo que aquilo foi desenhado por umas mãos assim. Percebo bem o que quer dizer com isso das mãos dos artistas, mas eu sou mais de observar e querer ver a letra dos artistas. Aproveito a deixa para dizer que as mãos mais bonitas que eu alguma vez vi foram as de uma escritora, uma poeta, foram as de Sophia. Há aliás uma foto que a Laurinda já publicou aqui em que aparece a mão de Sophia, o seu cigarro, a mesa onde Ela escrevia e o caderno. Aí vê-se bem a essência da poesia de Sophia como também a sua elegância depurada, os seus dedos longos, as suas mãos delicadas. A imagem é tão forte porque quase que mostra a alma da poesia e da pessoa de Sophia. Essa imagem fascina-me porque está tudo tão claro, tão transparente, está tudo a nu. Sei que a Laurinda percebe do que falo.
Abraço.

Romina
De lusibero a 26 de Setembro de 2009 às 19:33
LAURINDA: ADMIRO-A; COMO MULHER E COMO JORNALISTA: ACREDITE QUE NÃO É" LUSTRO"...
As mãos são, na realidade, um cartão de apresentação, intimista e denunciador, Com as mãos se dá a vida! E, por vezes, é também com elas que se faz o mal...tanto mal!
ABRAÇO AMIGO DE LUSIBERO
De Augusto Küttner de Magalhães a 27 de Setembro de 2009 às 01:49
Em temps com m/ mulher – num sábado – fomos almoçar ao Restaurante Ribeiro – no topo da Rua Passos Manuel ( não me lembro do nome da Praça). Restaurante que acabou, não sei o motivo. Estava lá o Souto Moura- ainda se fumava em locais publicos, ainda bem que já não acontece! – que, já havia almoçado e bebia um whisky e fumava um cigarro, e tinha uma molhada de jornais: Expresso, Público, JN, DN, e todos em cima da mesa, parecendo devorar noticias umas atrás das outras. Sem se mostrar importante, como é muitas vezes usual em “figuras públicas em lugares públicos”.
Torna.se agradavel ver quando isto acontece.
Note-se que de forma alguma é o únco, bem pelo contrário.
Não sei se é um bom costume do Porto, mas ainda há élites, que não se acham famosas sendo-o: Sobrinho Simões, Artur Santos Silva, Rui Mota Cardoso, Luís Portela, Rui Moreira e muitos mais, ainda bem. Facilmente os vemos publicamente, como se não fossem figuras públicas e ainda bem. Não necessitam de se mostrar dado já o seem
De Marcolino Duarte Osorio a 27 de Setembro de 2009 às 04:55
Querida Laurinda,
Esta sua preferência pelas mãos dos Seres Humanos, foi a chave de si, que eu procurava!
Já agora pergunto:
Quando teremos nós um Arquitecto que faça um projecto igual ao que Niemayer fez pelo seu pais, uma grande cidade bem delineada.
Mas, nessa altura, se eu fôr ainda vivo, quero ver quais os adjectivos para o elogiar. Será que terão que ser inventados...?
Bom domingo!
Marcolino
De Isabel Mota a 27 de Setembro de 2009 às 11:20
Olá Laurinda

Estou muito curiosa com a entrevista. Também gosto imenso do trabalho do arquitecto Souto Moura e de como os edifícios se encaixam nas vidas e se aconchegam na paisagem.
Também tenho um fascínio por mãos, no meu caso por todas. Reparo sempre nas mãos das pessoas e às vezes lembro-me mais das mãos que de outros pormenores, como o cabelo por exemplo... E adoro as mãos que falam, que se soltam com as palavras que a boca diz. Enfim, mais uma vez levou-me a viajar por algo que eu adoro; mãos!
Desejo-lhe um excelente Domingo, cheio desta luz linda do dol que brilha lá fora.
Muitos beijinhos, Isabel
De Isabel P a 27 de Setembro de 2009 às 23:49
Eduardo Souto Mora é dos arquitectos que mais admiro .Pelo respeito pelo lugar, por a plasticidade dos seus edifícios , pela subtileza dos pormenores. Admiro tb a sua simplicidade e a genuinidade com que se fala. Era eu estudante de arquitectura interpelei-o acerca de uma sua obra recente . trocámos ideias como se fosse um colega e no fim disse-me: "toca à campainha para veres o apartamento por dentro e diz que fui eu que te disse para lá ires "
Mostra bem o seu carácter
De viguilherme a 28 de Setembro de 2009 às 16:58
....."ler por dentro"....saber o sentir do quê e do porquê ....... sentir os silêncios /escutados do olhar ,os riscos /desenhados dos dedos no falar ,das linhas defenidas /imprecisas do deambular ,e ......descobrir o pousar do lugar onde por veze se descobre /surpreende-se /cria Vida .....foi o que me surgiu das fotos do arq.Souto Moura .....o arq .Camilo l e sua foto da descoberta das profundezas donde .....sai "pasmado " "iluminado ".......conheci-o há uns anos aquando uma conferencia organizada pelo club Unesco do Porto sobre o museu a projectar no Vale do Côa ,seu desenho ,seu enquadramento na paisagem ,seus horizontes e sua universalidade .......
De João Pereira a 3 de Outubro de 2009 às 17:53
O homem não possui a capacidade de criar algo a partir do nada mas apenas de transformar e aplicar a matéria-prima já existente! É natural que ele se intitule de criador porque foi feito a imagem e semelhança de Jeová deus! O acto de criação é a partir da inexistência de qualquer coisa, algo impossível ao homem!
De Jose Ramon Perez a 19 de Novembro de 2009 às 06:02
felicidades laurinda! espero que se entienda bien mi comentario en español. no sé si lo prefieres en inglés... escribo desde méxico, con mucho gusto por lo que leí y con ganas de saber más. debe ser difícil entrevistar a un gran arquitecto, pero la plática entre eduardo y tu parece tan fluída, y es tan amena. disfruté mucho los comentarios sobre herzog y zumthor, y también sobre cometer errores y fallar. también me gustó mucho cómo mencionas las manos de quienes trabajan. estoy escribiendo sobre portugal para una tesis de maestría, y si fuera posible me gustaría mandarte unas ideas y pedirte una opinión. si puedes y quieres, por favor escríbeme a jrperez@prodigy.net.mx para que te mande por e-mail algo de mi investigación. te lo agradezco mucho de antemano, y te mando un saludo afectuoso desde el otro lado del oceano! jose ramon perez

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