
Passados vinte e cinco anos voltei a uma casa que foi a retaguarda de uma outra casa radicalmente importante na minha vida. Falo no sentido literal e metafórico pois esta casa ficava atrás da outra, num pátio de casas recuperadas pela mesma família. Agora que lá voltei e a senhora Maria me abriu a porta, com este imenso molho de chaves, senti uma nostalgia profunda de um tempo muito feliz e muito bem vivido. Ainda bem que a memória não é uma paisagem assim tão distante.

O casão, como é conhecida esta espécie de sótão onde cabe um mundo de coisas mais ou menos avulsas mas todas cheias de histórias, permanece intacto como se os anos não tivessem passado. Esta sensação de tempo suspenso, parado (ou apenas demorado), parece um sonho. Notei diferenças nas janelas do tecto, que não existiam, e na escala do casão. Não sei se me pareceu maior ou menor, só sei que o achei diferente. Gostei da luz de cima e do cheiro das madeiras enceradas.

Gostei particularmente de ver que os livros continuam suspensos, como o tempo, amparados uns nos outros. Como todos nós, ao longo dos tempos. Que seríamos uns sem os outros? Tive saudades da Helena, da sua voz alegre e da sua presença forte. Nada disto teria a mesma beleza se ela não tivesse existido nesta casa.
De
Nucha a 21 de Julho de 2009 às 00:07
Laurinda,
As casas são sempre muito importantes na nossa construcção...
Tenho casas que fazem parte de mim para sempre.
Abraço e boa semana!
Nucha
De Mendo Bernardes a 21 de Julho de 2009 às 00:11
Quem era a Helena?
Era a Helena Vaz da Silva. Perguntou e eu respondo. Se não tivesse feito a pergunta eu mantinha tal e qual porque não gosto de devassar a intimidade dos outros. Neste caso a homenagem a uma grande mulher sobrepõe-se a qualquer possibilidade de devassa. Era uma pessoa admirável e tinha uma sensibilidade rara. Tinha, também, uma estética própria, muito marcada e marcante que ainda hoje se vê nas casas que habitou. Abraço, Mendo!
De Mendo Bernardes a 22 de Julho de 2009 às 17:53
Obrigado pela resposta à reles e simples curiosidade. Sabe? quando se pergunta, só se pode ouvir, ou a resposta à pergunta, ou um pedido (justo) de não intromissão. Neste contexto, eu pergunto sempre. Isto, porque não me importo nada de obter a 2ª. hipótese, uma vez que sei que faço um esforço por não levar a curiosidade ao limite da inconveniência. Assim, uma "não resposta" é justa, mas é pacifica. Pelo outro lado, quando obtenho uma resposta, fico mais rico. Sei mais coisas do que se não tivesse perguntado!
Sim. Sei que a Helena Vaz da Silva era uma mulher especial. Uma vida bonita mas, dura. A vida quando é mesmo vida, nunca é fácil. No entanto, parece que a dureza ainda a torna mais interessante de ser vivida. Faz-nos grandes.
Um abraço também para si, Laurinda, e para o filho Mendo da sua amiga. Ele que visite Portugal conhecendo a "nossa" terra, Castelo Mendo. Não se arrependerá!
De viguilherme a 21 de Julho de 2009 às 00:42
Revisitar o reencontrado é como retornar a enamorar o que parecia esquecido ....é a luz,é as palavras ditas e não ditas ,é os olhares que permaneceram ,é o movimento dos passos e dos gestos é um mundo de sensações que retornam e coabitaram neste caminhar da vida .......são por vezes preciso chaves/como palavras mágicas para a elas retornar----- como um livro que se desfolha uma nova vez .......o código da vida é feito de moléculas afectivas não materializaveis ..... é o mistério do espanto ,do amor da aventura .......
A sua praia com esses barcos de remos em bancos de areia e o infinito azul é de miragem ........os motar estridentes lembram adolescentes ou os barbaros gauleses com seu sentido de tribo ........
A Rita e o arquitecto em duas poses uma para o exterior e outra intimista as duas faces da mesma moeda .......bem desenhada as fotografias.........
De Augusto Küttner de Magalhães a 21 de Julho de 2009 às 06:11
Revisitar o Passado! Depende sempre de que partes desse passado! Neste caso da Laurnga – aqui e agora - é evidente que dá gosto voltar a passar pelo “passado”, sendo que por vezes, em determinadas situaçoes é necessário esquecer o passado se teve momentos, “mal vividos”, esse não se apaga, aprende-se, mas tenta-se lá não regressar, pelo menos voluntariamente, ou então vai-se de “carapaça”, para só algumas “coisas” regressarem.........
Querida Laurinda,
também gostei dessa prateleira. suspenso mas, ao mesmo tempo, pelo ar como que num estado de fluidez que permite ir e ficar, simultaneamente.
não sei, mas às vezes se temos tempo para ver (e não somente olhar) há "banalidades" que se tornam metáforas da vida.
gostei!
bjinhos abraçadinhos
Piquenina
De anatem a 21 de Julho de 2009 às 12:46
A casa é muito acolhedora e bonita, compreendo o seu fascínio.
De
Reflexos a 21 de Julho de 2009 às 13:06
É sempre bom voltar...
De Cristina Pinto Coelho a 22 de Julho de 2009 às 20:40
Laurie, girl
Gosto de casas antigas sólidas de tectos de pedra branca com vigas de madeira, de lareiras a anteverem noites de inverno em que nos aconchegamos com mantas macias e ficamos a ouvir a madeira crepitar, de um recanto com flores do campo.
E de livro suspensos ou não para te embalarem onde queiras ir.
Ainda bem que contaste quem era a Helena, aí está um rosto que associei sempre a doçura e suavidade.
Andava precisamente no Google a ver quem é o Alberto Vaz da Silva e afinal tudo se liga. Não aguento esperar por essa entrevista que vou ler com redobrada atenção, já estou fascinada por este senhor. Sei que ia gostar imediatamente dele se o ouvisse falar.
Continuo a saborear a tua casa branca aqui no portátil. Se conseguisse entrar dentro da imagem a ias-me ver colada à estante a bisbilhotar todos os teus livros...Shame on me, mas dizem-nos tanto de quem os tem.
Espero que continues tão "peaceuful" como pareces.
Montes de SMACKS + Xi -Corações para todos!!
Cristina
PS - E pensem lá nisto:
"Question: What is happiness?
Answer: If you're happy, you're happy.
If you're not happy, you're not happy.
Question: What should I do ?
Answer: Be happy."
Tony Samara
De bibabalula a 23 de Julho de 2009 às 01:33
Todos nós temos os "nossos" sótãos nas nossas vidas quer seja no sentido literal da palavra quer nas nossas memórias e é sempre tão bom termos este espaço nas nossas vidas...
Como eu a compreendo...
Todas nós temos as nossas memórias, povoadas de casas, sensações e emoções associadas... sabemos disso e no entanto conseguimos sempre ser surpreendidas quando a nostalgia é despertada ao revisitar um certo local... que nos lembra uma era de nós mesmas, uma infância feliz, ou um amor residual...
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