No momento em que alguém mostrava o interior do gigantesco Grande Hotel da Beira agora transformado num decadente condomínio de mil e uma famílias que ocupam cada quarto como se fosse uma casa, lembrei-me de uma amiga me ter contado um episódio divertido que se passou com ela há algum tempo, noutra cidade deste mesmo continente.
Chegou a um hotel, também ele desmesuradamente grande, igualmente degradado e adaptado de forma criativa e versátil para acolher numerosas famílias de residentes mas, também, alguns turistas acidentais e percebendo que lhe tinham destinado um quarto no último andar, olhou à volta e perguntou:
- O elevador funciona?
- Sim, mas ao nível da estrutura! – respondeu o solícito funcionário.
Queria com aquilo dizer que o elevador há anos não saia da plataforma onde fora encaixado por se ter convertido, também ele, numa morada de uma família.