Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Ana Rita e os dilemas morais do momento

Vemos nas notícias a greve de fome da Ana Rita Leonardo, mãe adolescente que quer recuperar o seu filho Martim, ouvimos aquilo que diz e tentamos perceber as suas razões, bem como as fonteiras dos argumentos de quem pondera agora voltar a entregar-lhe a criança que lhe foi retirada e já tem dois anos. É difícil assistir a tudo isto. Aflige sempre ver pais, mães e filhos em sofrimento e é extraordinariamente delicado compreender as circunstâncias adversas que envolvem este tipo de situações. Nestas alturas ponho-me sempre no papel de uns e outros para os tentar entender. Nem sempre consigo, claro, mas é um exercício que impede moralismos e outros excessos. Não sei se a greve de fome desta mãe é a melhor estratégia para recuperar o seu filho mas sei que alguma coisa tem que ser decidida de forma rápida, consistente e consequente. Espero sinceramente que as coisas se resolvam pelo melhor e que esta criança (ou melhor, estas crianças que são a mãe e o filho!) cresçam mais fortes e fiquem mais seguras a partir daqui. Com ajudas certas e, de preferência, longe dos focos mediáticos.

publicado por Laurinda Alves às 10:28
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18 comentários:
De isabel queiroz melo a 18 de Junho de 2009 às 10:52
Que bom senti-la de volta Laurinda ! Este seu canto é aconchegado e é também como uma janela em que todos olhamos outras realidades. Gosto ! :)

Não faço ideia se esta criança deve ser entregue à mae/familia mas perguntou-me se não tivessem recorrido a esta greve e apenas aos meios legais se a situação seria reavaliada da mesma forma... !!!
É imenso o esforço que hoje os tecnicos fazem nestas áreas mas estamos tão longe de que as crianças estejam seguras !
De Laurinda Alves a 18 de Junho de 2009 às 15:38
Isabel, o caminho a percorrer é justamente o que nos conduzir a soluções mais eficazes e seguras nos mecanismos de avaliação e acompanhamento de pais e filhos com dificuldades. Há atalhos mais fáceis, como os que alguns meios de comunicação exploram mas em minha opinião são os tais atalhos que só multiplicam trabalhos... Abraço!
De Tiago Casaleiro a 18 de Junho de 2009 às 11:38
Olá Laurinda!

A posição mais correcta e ponderada é tentar perceber os dois lados da questão. Contudo, quando o caso se torna mediático, e por isso, alvo de opiniões a favor ou contra, a balança fica, para sempre, desequilibrada! ...Esmeralda, Alexandra, Ana Rita...
A mediatização é, no meu ver, uma forma de maus-tratos e desrespeito pelos direitos da criança (ou como disse, das crianças).
Esperemos para ver!

Abraceijo
De Augusto Küttner de Magalhães a 18 de Junho de 2009 às 12:38
Caro Tiago

100% de acordo

Um abraço

Augusto
De Laurinda Alves a 18 de Junho de 2009 às 15:43
Concordo consigo, Tiago. Em matérias tão sensíveis como estas é preciso ter muita sensibilidade. Passe a redundância, tem que haver um esforço sério, de todos (individual, colectivo e institucional!) para procurar equilíbrios e gerir afectos. A mediatização excessiva potencia os desequilíbrios e, nesta lógica, acaba por ser uma forma de maus-tratos, sim. Abraço.
De Laurinda Alves a 18 de Junho de 2009 às 15:50
Tiago, vi agora que respondi ao seu comentário mas as linhas que escrevi foram parar ao Augusto KM. Sorry! O comentário era para si. Ao Augusto também escrevi mas no sítio certo.
De Augusto Küttner de Magalhães a 18 de Junho de 2009 às 12:38
Estes casos fazem-me sempre muita confusão, quando são transportados pelos médias na praça pública! Penso que para estes – médias - é mais um pretexto para aumentarem audiências, e muitos aproveitam-se escandalosamente da situação. Mal vai o país – e sabemos que não vai bem! – quando é sempre necessário trazer para a comunicação social a forma de resolver estas situações. Mal vai o país quando fica tão vidrado a dar palpites sobre a resolução destes temas. Cada cabeça a sua emoção, logo a sua sentença!
Não sei se a Laurinda vai publicar este comentário….
Mas assumindo que sim, dado que o que aqui estou a referir em nada a atinge, bem pelo contrário.
Penso que estas situações se forem – e devem ser - do foro intimo de cada um dos envolvidos, devem ser ou passar a ser tratadas de forma totalmente diversa! Evidentemente que estamos em democracia, e muitos destes problemas não devem ser escamoteados como quando estávamos em ditadura. Mas temos que aprender a viver em democracia, com democracia, o que também implica todos sabermos e pretendermos exercer os nossos direitos de cidadania, mas tudo em seu sitio, e muitos demitem-se disso e depois assumem como conversa de “café”, os 3 miúdos que morreram – desastrosamente - num incêndio, a rotunda a mais em Viseu, etc. Penso que não é por aí. Muito está por ser feito neste nosso país, muito tem que ainda ser feito. Por certo movimentos de cidadãos com boas ideias são cada vez mais necessários, mas ser tudo “conduzido” por alguns médias, me parece assustador…
De Laurinda Alves a 18 de Junho de 2009 às 15:47
Augusto, estamos de acordo neste campo. Embora não o conheça pessoalmente julgo que vou conhecendo a sua sensibilidade através dos comentários que faz nos blogues. No meu e nos outros que frequenta. Também as cartas que vão sendo publicadas no Público (mais as que publicámos na XIS) vão dizendo de si. Gosto especialmente dos seus comentários substantivos. Perdoe-me a franqueza mas prefiro estes aos mais triviais, do dia-a-dia, em que o Augusto pontua sistematicamente os posts que eu e outros bloguers vamos escrevendo. Gosto quando nos encontramos na substância da vida, seja para concordar ou discordar. Abraço.
De Augusto Küttner de Magalhães a 18 de Junho de 2009 às 16:24
Laurinda, agrada-me que comentem - positiva ou negativamente - o que escrevo, umas vezes até serve para repensar o que escrevo! Penso que este seu comentário vai mais "contra" - no bom sentido - o que eu comento sobre os"post" dos vários blogues, que visito, do que o que escrevo no Público, no Expresso e até com tanto gosto na Sua XIS! De tão boa memória! se é isso, deve ter razão! O que eu escrevo pate de mim- bom, menos bom ou mau! o que comento parte dos outros e dou a minha opinião, que não mais é que isso, e por vewzes eu sei que é subjectiva!!!!!! Quanto a sensibilidade, penso que a tenho, e sei que já perdi algumas oportunidades de ter subido mais, por ser sensivel..
De Laurinda Alves a 18 de Junho de 2009 às 19:44
Augusto, a minha avaliação vale o que vale e não era positiva nem negativa mas apenas factual. Como sabe valorizo as sensibilidades semelhantes e diferentes porque é com as semalhanças e as diferenças que cresço. Hoje em dia sinto que o Augusto comenta com alguma contenção e como sou das que acreditam que 'less is more', estava a sublinhar essa virtude. Mais um abraço!
De Augusto Küttner de Magalhães a 18 de Junho de 2009 às 23:49
Laurinda
Não tinha entendido o comentário ao meu comentário. Talvez tenha alguma razão, mas no que escrevo – se é escrita !!!! – tento dentro do que vou entendendo, focar situações reais, e dar um muito , muito pequeno contributo de possivel cidadania. Gosto de escrever, como sabe no Público e no Expresso, aparecem umas “coisas” minhas desde 1996...valem o que valem.

Para escrever sabe muito mehor que eu é necessário ir lendo, ir aprendendo, ir vivenciando, e ao chegar aos sessenta, é o que tento continuar a ir fazendo. Para além de conhecimentos de vida, que teve as suas “não facilidades” desde o nascimento, com a morte de m/ mãe no m/ parto, e mais umas traplhas, mas podia ter sido tudo muito, muito pior.
E Até sendo interventivo, em locais publicos ou privados, fazendo comentarios positivos – também é necessário e estimulante dizer-se bem, se é merecido! – ou menos positivos até negativos, quando é o caso. Alguns por vezes trazem “amargos de boca”!!!!!!!!!, mas tento, cada vez mais não atacar mensageiros, mas unicamente mensagens, sendo que pr vezes se misturam, e é dificl não atacar ou até defender ambos..Sou mais de escrever, do que de falar!!!
Sei que a Laurinda, faz grandes esforços de cidadania, com imenso valor. Emos algumas diferenças, no aspecto religioso, com algumas implicações em duas ou três “zonas”, mas vamos conseguindo, escrevermo-nos, sem nos conhecermos pessoalmente já há uns anos, desde a XIS. Agradeço os seus comentários, aos meus.
E desta já escrevi muito, demais, sobre mim proprio, o que por vezes é incorrecto, mas fi-lo face ao contexto!!!!!!!!!!

Um forte abraço do

Augusto
De António Graça Moura a 18 de Junho de 2009 às 21:04
Cara Laurinda Alves,
Só quem seja totalmente destituído de sentimentos pode ignorar esta situação.
Enquento jurista (devo dizer que pouco relacionado com questões de Direito da Família), acho extraordinária a luta desta miúda, que é aparentemente sincera. Infelizmente, os Tribunais tratam estes assuntos com alguma leviandade.
Em tempos em que se valoriza muito o direito ao aborto, etc., estou totalmente ao lado da Ana Rita. Pode ser nova (são outros problemas...), mas é uma mulher de coragem e que certamente gosta muito do Martim.
Se tiver oportunidade, transmita-lhe por favor o meu apoio. Talvez ela devesse criar mesmo uma página da internet - apoios não lhe iam faltar.
Cumprimentos,
António Graça Moura
De Filipa Jardim a 18 de Junho de 2009 às 23:00
Laurinda...
Esta coisa das mães adolescentes...
Quantas das nossas avós casavam aos quinze ou dezasseis anos e tinham os filhos em idades que agora fazem parte da adolescência. será que eram piores mães por isso?
A esperança de vida cresceu e as mulheres têm filhos mais tarde. Mas e as outras, as que crescem mais cedo não têm também direito à maternidade?
Mudam-se os tempos...não foi assim há tanto tempo que era normal ser-se mãe aos dezasseis e avó aos vinte e cinco.
A memória tende a ser curta e a vida cada vez mais padronizada.
Não vejo nenhum problema nesta mãe que agora parece reunir as condições para ter o seu filho, nomeadamente com o apoio da família, que o tenha.
A tal família alargada que também está em vias de extinção, infelizmente.




De Augusto Küttner de Magalhães a 19 de Junho de 2009 às 20:36
Posso discordar? em absoluto? os tempos mudaram e muito. Nos tempos que refere as mulheres estavam m casa, depeniam do "esposo", falavam francês e tocavam piano. Hoje as mulheres, conseguem ter mais habilitações que muitos homens, conseguem estar ao mesmo nivel dos homens. Logo temos que dar tempo a Toas as mulhers poderem ganhar habilitações, antes de serem mães!!! E uma adolescente tem tempo de ser mãe. Tem tempo de viver a sua adolescencia e epois ser mãe. Os tempos mudaram, a favor das mulhers e ainda bem.......e ter mais filhos é necessário, os tais 2,1 e não 1,3 como está acontecer. Mas tudo no seu tempo.
De Augusto Küttner de Magalhães a 18 de Junho de 2009 às 23:53
Laurinda
Não tinha entendido o comentário ao meu comentário. Talvez tenha alguma razão, mas no que escrevo – se é escrita !!!! – tento dentro do que vou entendendo, focar situações reais, e dar um muito , muito pequeno contributo de possivel cidadania. Gosto de escrever, como sabe no Público e no Expresso, aparecem umas “coisas” minhas desde 1996...valem o que valem.

Para escrever sabe muito mehor que eu é necessário ir lendo, ir aprendendo, ir vivenciando, e ao chegar aos sessenta, é o que tento continuar a ir fazendo. Para além de conhecimentos de vida, que teve as suas “não facilidades” desde o nascimento, com a morte de m/ mãe no m/ parto, e mais umas traplhadas, mas podia ter sido tudo muito, muito pior.
E Até sendo interventivo, em locais publicos ou privados, fazendo comentarios positivos – também é necessário e estimulante dizer-se bem, se é merecido! – ou menos positivos até negativos, quando é o caso. Alguns por vezes trazem “amargos de boca”!!!!!!!!!, mas tento, cada vez mais não atacar mensageiros, mas unicamente mensagens, sendo que por vezes se misturam, e é dificil não atacar ou até defender ambos..Sou mais de escrever, do que de falar!!! Com alguma precauçao...fica registado, para o bem e para o mal...
Sei que a Laurinda, faz grandes esforços de cidadania, com imenso valor. Emos algumas diferenças, no aspecto religioso, com algumas implicações em duas ou três “zonas”, mas vamos conseguindo, escrevermo-nos, sem nos conhecermos pessoalmente já há uns anos, desde a XIS. Agradeço os seus comentários, aos meus.
E desta já escrevi muito, demais, sobre mim proprio, o que por vezes é incorrecto, mas fi-lo face ao contexto!!!!!!!!!!

Um forte abraço do

Augusto
De Augusto Peres a 19 de Junho de 2009 às 15:27
Cascais: Família paterna de Martim confirma possibilidade de lutar judicialmente
pela guarda da criança

Cascais, 19 Jun (Lusa) - A tia paterna de uma criança de dois anos que
o Tribunal de Cascais decidiu dar para adopçäo confirmou a possibilidade
de abrir uma acçäo judicial pela guarda do Martim, admitindo que "por agora
o maior interesse é que ele volte".

Ana Matos, irmä de Paulo Matos (pai de Martim), disse hoje à Agência
Lusa que "a prioridade, neste momento, é lutar para que o Martim näo seja
adoptado e volte para a família", näo descartando, no entanto, a possibilidade
de, posteriormente, se opor à mäe da criança, Ana Rita Leonardo, para ter
a guarda do Martim.

"As pessoas competentes é que têm de decidir com quem é que ele deve
ficar, mas se decidirem que deve ficar com a mäe, näo sabemos se vamos abrir
uma acçäo judicial para que o Martim fique connosco", afirmou.

Confrontada com estas declaraçöes, Ana Rita Leonardo mostrou-se "revoltada"
e "indignada com o conflito que Ana Matos está a gerar entre as duas famílias".

"Isto revolta-me. Eu ando aqui a sacrificar-me pelo meu filho, para
que ele venha para a família, para o bem dele e ela ainda vem gerar mais
conflitos. Näo percebo a atitude dela", disse.

Ana Rita Leonardo, que há quatro dias pernoita à porta do Tribunal de
Cascais em forma de protesto à decisäo judicial de dar o filho para adopçäo,
garante näo temer nova "guerra" com a família paterna da criança e estar
"disposta a tudo pelo bem do Martim".

"Sou eu que ando a dormir à porta do Tribunal, fui eu que andei a fazer
greve de fome, sou eu que tenho dado a cara nesta luta para reaver o meu
filho. Onde é que eles têm andado?", questionou.

A jovem mäe, de 15 anos, disse ainda estar "tranquila", até porque tem
agora o apoio de Luís Villas-Boas, director do Refúgio Aboim Ascensäo -
instituiçäo onde se encontra o Martim - que há dois dias assumiu ter enviado
um relatório ao Tribunal de Cascais a defender a reavaliaçäo das condiçöes
de Ana Rita para cuidar do filho, Martim, de dois anos e meio.

Paulo Matos, de 20 anos, só perfilhou o filho aos seis meses e nunca
foi ouvido pelo tribunal.

No dia 26 de Fevereiro de 2007 as assistentes sociais de Cascais levaram
o Martim para a instituiçäo Refúgio Aboim Ascensäo, em Faro, no Algarve,
alegando que Ana Rita näo teria condiçöes para cuidar do filho.

Em Julho de 2007 foi tomada a primeira decisäo judicial de que o Martim
iria ser dado para adopçäo, na qual a família recorreu com sucesso, mas
a 20 de Dezembro de 2008, na última visita de Ana Rita, o Martim terá ficado
emocionalmente perturbado e as visitas foram canceladas.

Há seis meses que Ana Rita näo vê o filho e näo tem notícias dele. A
21 de Maio foi informada de que o filho seria dado para adopçäo.


MYDM

Lusa/Fim
191505 POR JUN 09
NNNN
De Artur Cosme Ramos a 20 de Junho de 2009 às 01:43
Existem tantas mães e pais que abandonam os seus filhos, esses sim, deveriam ser dados para adopção. Esta "criança" que quer o seu filho, deveria ser apoiada e acompanhada para poder crescer junto dele. Muitas vezes uma gravidez indesejada, depois do nascimento, resulta num grande amor de mãe. Os tribunais deveriam preocupar-se mais com as passoas (principalmente quando se trata do futuro de crianças) e menos com "leis" mal feitas, ou inadequadas. Tem de haver uma grande sensibilidade ao decidir nestes casos. Na minha modesta opinião esta decisão em tribunal, deveria ser feita por uma Juiza que fosse mãe. Uma mãe pensa de maneira diferente.
De Arlindo Andrade a 23 de Junho de 2009 às 00:58
Pois é. Não tenho filhos, mas acho que se os tivesse também lutaria por eles. Portanto, acho um acto de amor o que esta mãe está a fazer, mas, é preciso ponderar muito bem acerca das decisões pois o bem estar desta criança deve estar em primeiro lugar.

Obrigado Laurinda! Abraços

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