Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Os pássaros de Hitchcock e...da vida real

 

 

Dois ovos de gaivota postos no alto de uma varanda, em plena cidade, a horas em que ninguém se distrai com a vida sobre os telhados. Uma gaivota descobriu recentemente um vaso de pedra vazio no cimo do prédio e aninhou ali. Durante um par de semanas manteve-se no ninho e cuidou dos seus ovos. Atenta ao que se passava à sua volta, retorcia o olhar e ameaçava com o bico tudo o que mexesse. Um dia o meu filho atirou-lhe miolo de pão e a gaivota gritou e convocou milhares de gaivotas no céu que gritavam ao mesmo tempo. Uma cena assustadora que lembrou Os Pássaros de Hitchcock e fez os vizinhos a virem às janelas.

 

 

A chuva de anteontem encheu o vaso de água e fez transbordar o ninho. Os ovos da gaivota ficaram a boiar, rejeitados pelo pássaro que levantou um voo triste e desapareceu no horizonte. A Mena atreveu-se a caminhar sobre as telhas para retirar os ovos com mil cuidados. Olhámos para eles sem saber o que fazer e, depois, resolvemos voltar a pô-los no lugar. A gaivota mãe pairou sobre o ninho mas não voltou a pousar.

 

publicado por Laurinda Alves às 10:59
link do post | comentar | favorito
14 comentários:
De Ana a 17 de Junho de 2009 às 11:33


Laurinda

Ontem foi o aniversário da estreia de um filme de Hitchcock - não Passáros mas Psyco!!!

Boa sorte com a "criação"
Ana

De Dulce a 17 de Junho de 2009 às 13:05
A mim fez-me logo lembrar, não Hitchcock, mas a História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar"... ainda vejo o Zorbas (o Gato) muitas vezes...
De Ana Pena a 17 de Junho de 2009 às 13:09
Nem vai voltar. Não se deve mexer nunca num ninho nem nos seus ovos, pois os pais rejeitam-nos. Mas porque não tapam o vaso, para não se encher de água, caso algum outro volte a deixar lá ovos? E porque não chocar os ovos com luz e panos bem quentes? Ou então pode sempre ligar para a Associação de Protecção às Aves (não me lembro do nome correcto agora).
Em Carnaxide, uma águia fez ninho na varanda de uma funcionária do BES. E esta?

Vivam os animais :)
De Joana Freudenthal a 17 de Junho de 2009 às 16:28
Se taparem o vaso, como podem ir lá pôr mais ovos as gaivotas???
De Ana Pena a 17 de Junho de 2009 às 22:07
A probabilidade de lá voltarem as mesmas gaivotas é quase nula, mas a ideia é encher apenas o suficiente de forma a não suceder a mesma "inundação"
De Piquenina a 17 de Junho de 2009 às 13:19
Querida Laurinda,

Gosto muito de gaivotas, mas reconheço que podem tornar-se assustadoras :)

São óptimas companhias em passeios de final de tarde na praia.

Espero que os ovos "vinguem"!

Bjinhos
Piquenina

PS Gosto de a ter de volta ((leia-se, uma presença mais regular aqui no blogue com "coisas" da vida)
De Karolina a 17 de Junho de 2009 às 14:23
Olá!
Esse caso faz-me lembrar o livro "A gaivota e o gato que a ensinou a voar" de Luís Sepúlveda que adorei ler.
Falta-lhe um gato grande e gordo para aquecer os ovos e depois cuidar das gaivotas e ensiná-las a voar...
bjs
Karolina
De Fátima a 17 de Junho de 2009 às 15:13
É nestes momentos que sentimos que o Homem da urbe é como uma peça a mais no puzzle! Que confusão para a progenitora... Beijinho Fátima
De anatem a 17 de Junho de 2009 às 15:22
Aqui no Chiado no prédio da Agência também há um casal de gaivotas que faz ninho no nosso telhado, estamos aqui a trabalhar e ouvimos os gritos dela. Quanto à "sua" Mena conheço-a muito bem, uma Senhora, muito, muito querida. Era minha cliente numa tabacaria que tive na Mouraria. Dê-lhe um grande beijinho por mim.
AnaMorais
De Zilda Cardoso a 17 de Junho de 2009 às 20:12
Que aventura! Quase terminou mal. Temos de convocar o Hitchcock para que imagine um mistério com uma rapariga loira e lindíssima e um rapaz inteligente e simpático. O ambiente nesses telhados é perfeitamente aceitável e o realizador adoraria filmar aí.
De viguilherme a 18 de Junho de 2009 às 08:26
É sempre de realçar que a Natureza e tudo que com ela coabita ,nos leva a meditar e reflectir ......o local onde se constroi o ninho é já o desenhar de um futuro próximo .....,onde se coloca a semente é o divisar e o anteceder do seu crescimento ,assim não é só genético..... mas social,cultural,afecivo, relacional e de saber preservar posteriormente os alicerces desse desenho /construção para ele ser cada vez mais sólido no enfrentar das mudanças .....a preservação da especie depende da memória não só genetica (ADN) mas das memórias primordiais de aprendizagem que se foi elaborando ao longo do desenvolvimento como das memórias que vão sendo construidas ao longo do trajecto vivêncial ........o instinto maternal lá se encontra ,o de protecção /defesa ,o de grupo (mesmo sem net ,o bando correu ao chamamento ) e outros mecanismos aprendidos ..... algo aconteceu que levou ao distanciamento da mãe após a invasão do seu território e quase destruição do que lá se encontrava .......questão de tactica de sobrevivência ???tempo de observação??? procura de novo local para nidificar?....sabe -se lá ......cabe ao destino ( equilibrío de energias /forças envolventes e capacidade de sobrevivência genetica e aprendida )o ao ser o que poderá vir acontecer ...... mistério da vida .....

A luz escondida ,esbatida ,coada ,é uma luz de de sonhar de devanear ,de transmutar ....

Exito para as provas do filho .....
De Nucha a 18 de Junho de 2009 às 09:30
Laurinda,
É muito giro chegar aqui e ver como as pessoas estão felizes por estar mais perto...
Abraço!
Nucha

Comentar post

.pesquisar
 
.tags

. todas as tags

.posts recentes

. MUITO OBRIGADA A TODOS PE...

. CURSOS DE COMUNICAÇÃO NO ...

. Curso de Comunicação adia...

. Se tiver quorum ainda dou...

. O BENTO E A CARMO HOJE EM...

. HOJE NO PORTO: SOBREVIVER...

. MÃES QUE NÃO CHEGAM A VER...

. Esta miúda vai longe!

. Alegria!

. Ladrões e cavalheiros

.arquivos
.mais sobre mim
.subscrever feeds